A sensação de desconforto torácico é um dos sintomas que mais geram alarme nas unidades de pronto atendimento em todo o mundo. A grande dúvida que paira sobre pacientes e familiares costuma ser a mesma: o desconforto é reflexo de um quadro de ansiedade ou um sinal iminente de infarto? Embora as manifestações possam apresentar semelhanças superficiais, especialistas apontam que existem critérios clínicos fundamentais para distinguir uma crise de pânico de um evento cardiovascular grave.
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A dor no peito relacionada a transtornos emocionais é frequentemente acompanhada por uma sensação de perda de controle. De acordo com o psiquiatra Raphael Boechat, do Hospital Santa Lúcia, os ataques de pânico desencadeiam respostas físicas severas que mimetizam emergências médicas. O paciente pode apresentar palpitações, tonturas, extremidades frias e um medo paralisante da morte, o que o leva a buscar socorro imediato acreditando estar sofrendo um colapso cardíaco.
As características da dor no peito no infarto e na ansiedade
Para auxiliar na diferenciação, o cardiologista Pedro Paulo Egito, do Hospital Sírio-Libanês, destaca que a natureza do desconforto costuma variar entre as duas condições. No caso de um evento cardíaco, a dor geralmente se manifesta como uma pressão ou aperto localizado atrás do osso esterno. É comum que esse peso irradie para o braço esquerdo, mandíbula ou dorso. Além disso, o sintoma costuma ser exacerbado pelo esforço físico e pode vir acompanhado de náuseas e sudorese fria.
Por outro lado, quando o quadro é provocado por crises de ansiedade, a dor tende a ser descrita como pontadas ou fisgas pontuais. Diferente do padrão cardíaco, esse incômodo pode mudar de posição, piorar com a respiração profunda e ocorrer mesmo quando o indivíduo está em repouso absoluto. Sensações de formigamento nas mãos e ao redor da boca, além da hiperventilação, são marcadores comuns do estado emocional alterado.
Contudo, a medicina alerta para a existência de sintomas atípicos. Grupos específicos, como mulheres, idosos e diabéticos, podem não apresentar o clássico aperto no esterno durante um infarto, manifestando apenas mal-estar genérico ou cansaço extremo. Por essa razão, a diferenciação baseada apenas na percepção subjetiva não é considerada segura sem o suporte de exames laboratoriais e clínicos.
Protocolos de emergência e diagnóstico preciso
A orientação da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) é rigorosa: qualquer dor torácica deve ser tratada como uma potencial síndrome coronariana até que se prove o contrário. No ambiente hospitalar, o eletrocardiograma é a ferramenta inicial indispensável, permitindo identificar alterações elétricas no coração em poucos minutos.
É importante ressaltar que monitorar a pressão arterial ou a frequência cardíaca de forma caseira não é suficiente para descartar um problema grave. Tanto o estresse emocional quanto o infarto provocam a ativação do sistema nervoso simpático, resultando em taquicardia e elevação da pressão, o que pode mascarar a real origem do problema para um leigo.
Sinais de alerta para busca imediata por socorro
Existem indicadores claros que exigem o deslocamento imediato para uma unidade de emergência. A presença de dor em aperto que se espalha para os membros superiores ou pescoço, acompanhada de desmaio, suor frio ou falta de ar que piora progressivamente, são sinais de alerta máxima. Se o desconforto surge ou se intensifica durante uma caminhada ou atividade física, a investigação médica torna-se ainda mais urgente.
O tratamento após o descarte de riscos cardíacos
Uma vez que os exames confirmem a saúde do músculo cardíaco, o foco deve se voltar para o manejo da saúde mental. A ansiedade não deve ser negligenciada, pois as alterações fisiológicas que ela provoca, como a liberação excessiva de adrenalina, são reais e desgastantes para o organismo.

O tratamento para quadros de ansiedade que geram sintomas físicos envolve uma abordagem multidisciplinar. Segundo Boechat, além do possível uso de medicamentos antidepressivos ou de alívio imediato, é fundamental a adoção de psicoterapia, prática regular de exercícios físicos, higiene do sono e ajustes na dieta. O objetivo é reequilibrar o sistema nervoso para que o corpo pare de emitir sinais de alerta falsos, devolvendo a qualidade de vida ao paciente.
Em suma, a prudência é a melhor aliada. Entre a dúvida e o risco, a conduta mais segura é sempre a avaliação profissional, garantindo que o coração receba o cuidado necessário ou que a mente encontre o suporte adequado para superar o estresse.
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