Tragédia em Novo Aripuanã expõe perigo do “arroto”, fenômeno comum em áreas de garimpo ilegal no Amazonas
O desaparecimento e a morte de dois jovens neste domingo (12), em Novo Aripuanã, no sul do Amazonas, chamaram atenção para um perigo pouco conhecido da população: o chamado “arroto”, fenômeno provocado por equipamentos usados em garimpos ilegais. As vítimas estavam em uma área próxima a balsas de extração de minério quando acabaram sendo sugadas pela movimentação intensa da água.
De acordo com informações de testemunhas, os três amigos tentaram atravessar o rio quando caíram em um “arroto” — termo usado por garimpeiros para descrever o vácuo gerado pelas dragas que perfuram o fundo do rio em busca de ouro.

Entenda o que é “arroto”
O “arroto” ocorre durante a operação das balsas ou dragas, que possuem uma ponta metálica chamada “abacaxi” conectada a uma tubulação e a uma motobomba movida a diesel. O equipamento suga grandes volumes de água e sedimentos do leito do rio e, em seguida, os devolve com força à superfície. Esse processo cria redemoinhos, bolhas e áreas de sucção, capazes de arrastar pessoas e embarcações inteiras.
Além do risco à vida, o fenômeno também causa sérios danos ambientais, como o aumento da turbidez da água, destruição de habitats aquáticos e liberação de metais pesados. Em várias regiões da Amazônia, especialmente no Rio Madeira e seus afluentes, o “arroto” tem sido apontado como uma das principais consequências das atividades ilegais de garimpo.
Autoridades ambientais e de segurança reforçam o alerta: o uso de dragas e motobombas para extração mineral em rios é proibido por lei e considerado crime ambiental. As operações de fiscalização continuam em andamento para combater o garimpo e reduzir os riscos à população ribeirinha.
Em regiões de garimpo na Amazônia, é comum ouvir relatos sobre acidentes envolvendo o chamado “arroto” — um fenômeno perigoso que ocorre durante a atividade ilegal de extração de minérios em rios.
Vítimas

As vítimas foram identificadas como Vicente Mateus da Costa Nogueira e Gabriel Expedito Reis dos Santos. Eles estavam acompanhados de um terceiro jovem, que conseguiu ser resgatado com vida por moradores locais. Segundo o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), o corpo de Lucas foi encontrado na manhã desta segunda-feira (13), após horas de buscas nas águas do rio Novo Aripuanã. Carlos chegou a ser socorrido e levado ao hospital municipal, mas não resistiu e teve o óbito confirmado na unidade de saúde. O terceiro rapaz recebeu alta médica nesta manhã.
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