O Irã tornou-se o centro das atenções geopolíticas nesta quinta-feira (15/1) após a mídia estatal negar a condenação à morte de um manifestante, reagindo a ameaças diretas da Casa Branca. Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, afirmou ter recebido informações de “fontes confiáveis” indicando que a repressão letal no país teria cessado, embora não tenha descartado ações militares caso a violência contra opositores persista.
📲Quer receber notícias direto no celular? Entre no nosso grupo no WhatsApp.
O caso que desencadeou o novo atrito diplomático envolve Erfan Soltani, um comerciante de 26 anos detido em Fardis. Relatos iniciais da família à BBC e à organização de direitos humanos Hengaw indicavam que sua execução estava programada para a última quarta-feira. Contudo, após Trump ameaçar com “medidas muito severas” caso manifestantes fossem mortos, a execução foi adiada e, posteriormente, negada pelos canais oficiais de Teerã.
Leia também: Irã condena à morte jovem de 26 anos sem direito à defesa
Abbas Araghchi, ministro das Relações Exteriores iraniano, declarou enfaticamente que “a forca está fora de questão” e que não haverá enforcamentos imediatos. Em entrevista à Fox News, Araghchi alertou Washington para não repetir o “erro de junho”, referindo-se ao bombardeio americano contra três instalações nucleares iranianas ocorrido em junho de 2025.
Impactos da crise no Irã na aviação e segurança global
A instabilidade gerou reações imediatas na logística internacional. O espaço aéreo do país permaneceu fechado para quase todos os voos durante cinco horas na última noite. Grandes companhias, incluindo a alemã Lufthansa, anunciaram que evitarão sobrevoar o território iraniano e iraquiano até novo aviso, citando riscos de “armamento antiaéreo”.
Em paralelo, EUA e Reino Unido reduziram o contingente militar na base aérea de Al-Udeid, no Catar, como “medida de precaução”. A embaixada britânica em Teerã foi temporariamente fechada, passando a operar remotamente, enquanto Itália e Polônia instaram seus cidadãos a deixarem a região.
Repressão, blecaute e oposição política
Apesar da aparente trégua nas execuções, a situação interna permanece crítica. A Agência de Notícias dos Ativistas dos Direitos Humanos (HRANA) reportou que a repressão recente já resultou na morte de 2.435 pessoas, incluindo 13 crianças. A verificação independente é dificultada pelo bloqueio da internet imposto por Teerã e pelas restrições à imprensa internacional.
No campo político, Trump demonstrou ceticismo sobre apoiar figuras específicas da oposição, como Reza Pahlavi, filho do último xá. Embora tenha encorajado os iranianos a “continuarem protestando” e prometido ajuda, o presidente americano afirmou à Reuters que “ainda não chegamos a esse ponto” de endossar uma nova liderança, ressaltando que, embora o regime possa cair, a aceitação interna de um nome exilado é incerta.
*Com informações da BBC
Leia mais:
Irã intensifica repressão com corte de internet e cancelamento de voos após protestos deixarem dezenas de mortos
Escalada de violência em protestos no Irã deixa mais de 500 mortos e gera alerta global
EUA lançam ofensiva em larga escala contra o Estado Islâmico na Síria
Siga nosso perfil no Instagram, Tiktok e curta nossa página no Facebook

