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Pressão por reajustes e penduricalhos reforça necessidade de reforma administrativa

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Com o encerramento das festividades de Carnaval, o cenário político em Brasília retoma o foco sobre uma decisão crucial que aguarda o presidente da República. Em pauta, está a sanção ou veto do projeto que concede reajuste salarial aos servidores do Congresso Nacional, a reforma administrativa, além da criação de verbas indenizatórias. O tema reacende o debate sobre os chamados supersalários, pagamentos que extrapolam o teto constitucional, e coloca em evidência a urgência de uma reforma administrativa capaz de uniformizar carreiras e conter o crescimento inercial das despesas públicas.

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Especialistas e analistas econômicos apontam que, independente do mérito das categorias envolvidas, a medida caminha no sentido oposto ao ajuste fiscal necessário para o país. Estimativas conservadoras indicam que o novo reajuste para o Legislativo pode custar cerca de R$ 790 milhões anuais aos cofres da União. Em uma perspectiva macro, o governo despendeu R$ 398 bilhões com funcionalismo público no último ano, representando uma alta de 3% em relação ao período anterior. Quando somados encargos e precatórios de pessoal, a cifra salta para R$ 408 bilhões, evidenciando o peso da máquina pública no Orçamento Federal.

Do teto de gastos ao novo arcabouço fiscal

A dinâmica dos gastos com pessoal sofreu alterações significativas com a transição das regras fiscais. Sob a vigência do teto de gastos instituído em 2016, as despesas eram corrigidas estritamente pela inflação, o que impunha um freio natural aos reajustes reais, inclusive em órgãos com autonomia orçamentária. Entretanto, com a implementação do arcabouço fiscal em 2023, abriu-se uma margem para aumentos reais de até 2,5% ao ano nas despesas desses Poderes. Na prática, como a maior parte desses custos é composta por folha de pagamento, a pressão por novos benefícios tornou-se constante.

A experiência administrativa demonstra que, onde existe margem orçamentária, surgem demandas por novos gastos. O gasto público possui uma natureza inercial, enquanto a economia exige esforços políticos e técnicos contínuos. Por essa razão, juristas e gestores defendem que apenas regras simples e transversais podem evitar o aumento descontrolado das despesas. Recentemente, o Supremo Tribunal Federal interveio na questão por meio de uma liminar que suspende o pagamento de “penduricalhos” nos Três Poderes, reforçando a necessidade de que o Congresso Nacional enfrente o problema de forma definitiva.

Propostas para uma gestão pública eficiente

A solução definitiva para o emaranhado de regras que rege a máquina pública parece residir em uma reforma administrativa profunda. Atualmente, o quadro funcional do Estado é considerado confuso, com um excesso de carreiras distintas e uma multiplicidade de verbas extras que recebem nomes variados para justificar pagamentos acima do limite legal. A uniformização dessas regras é vista como o único caminho para garantir justiça salarial e eficiência administrativa, eliminando privilégios que desequilibram as contas da União.

Na Câmara dos Deputados, projetos como o do deputado Pedro Paulo (PSD-RJ) reúnem dezenas de propostas que visam modernizar o Estado. Entre os pontos principais, destacam-se a eliminação total de verbas extras que superem o teto constitucional e a limitação rigorosa do número de cargos comissionados. Tais medidas são consideradas fundamentais para que o Brasil saia de um modelo de gasto inercial para um sistema de mérito e responsabilidade fiscal.

A reforma administrativa não é apenas uma questão contábil, mas um compromisso com a transparência e o respeito ao pagador de impostos, garantindo que o setor público funcione de maneira ágil, moderna e, sobretudo, dentro dos limites impostos pela Constituição Federal.

Leia mais:
Planalto não foi consultado sobre “penduricalhos” do Congresso, e Lula deve vetar
Flávio Dino determina que Três Poderes suspendam “penduricalhos” de servidores

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