Polícia Civil do Amazonas prende 13 suspeitos e aponta movimentação de R$ 70 milhões em quatro anos
A Operação Erga Omnes, deflagrada pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) na manhã desta sexta-feira (20/2), investiga uma organização criminosa com atuação estruturada em tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e violação de sigilo funcional. Segundo a corporação, o grupo teria movimentado cerca de R$ 70 milhões em quatro anos, aproximadamente R$ 9 milhões por ano desde 2018.
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De acordo com as investigações, a organização mantinha um “núcleo” com acesso a integrantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário no Amazonas.
Até a última atualização, 13 suspeitos haviam sido presos, sendo oito no estado. A Justiça expediu 24 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão, cumpridos em Manaus e nos estados do Pará, Minas Gerais, Ceará, Piauí, Maranhão e São Paulo.
O apontado como líder do grupo, Alan Kléber Bezerra Lima, não foi preso. Conforme a polícia, ele teria fugido por volta das 3h da manhã em São Paulo. A esposa dele foi presa pela Polícia Civil paulista.
Quem são os investigados na Operação Erga Omnes no Amazonas
Entre os alvos no estado estão servidores públicos, ex-assessores parlamentares e um policial militar:
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Izaldir Moreno Barros: servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM). É investigado por suposta participação no esquema criminoso.
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Anabela Cardoso Freitas: Investigadora da Polícia Civil e ex-chefe de gabinete da Prefeitura de Manaus (até 2023). Segundo a polícia, ela é apontada como peça-chave na articulação do núcleo político da organização.
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Adriana Almeida Lima: ex-secretária de gabinete de liderança na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). É investigada por ligação com o esquema.
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Alcir Queiroga Teixeira Júnior: citado nas investigações por movimentações financeiras consideradas suspeitas e conexão com o grupo.
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Josafá de Figueiredo Silva: ex-assessor parlamentar. De acordo com a polícia, atuava como elo entre o núcleo político e a organização criminosa.
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Osimar Vieira Nascimento: policial militar investigado por suposta participação na estrutura do grupo.
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Bruno Renato Gatinho Araújo: apontado por envolvimento direto no esquema.
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Ronilson Xisto Jordão: preso no município de Itacoatiara e também indicado como integrante da organização.
Como funcionava o esquema investigado na Operação Erga Omnes
Segundo o delegado Marcelo Martins, do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) identificaram transações incompatíveis com a renda declarada de servidores públicos que, conforme a investigação, colaboravam com o crime organizado.
Ainda de acordo com a polícia, o grupo utilizava empresas de fachada nos setores de transporte e logística para dar aparência de legalidade às operações. Na prática, essas empresas seriam usadas para adquirir drogas na Colômbia, via Tabatinga, e encaminhá-las a Manaus. Da capital amazonense, os entorpecentes seriam distribuídos para outros estados.
“A movimentação, que foi detectada dentro de uma janela de quatro anos, foi de 70 milhões de reais. Detectamos nas movimentações financeiras que essas empresas não tinham nenhuma atividade típica de logística, não compravam nem negociavam com outras empresas do setor. Elas apenas negociavam com traficantes e servidores públicos”, afirmou o delegado.
Crimes investigados
Os investigados podem responder por organização criminosa, associação para o tráfico de drogas, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.
As investigações seguem em andamento.
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