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Redes sociais podem causar vício?

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O vício em redes sociais tornou-se o centro de uma complexa batalha jurídica e científica global. Recentemente, a Meta, empresa responsável pelo Instagram e Facebook, passou a enfrentar processos judiciais nos Estados Unidos sob a acusação de projetar suas plataformas de forma intencional para viciar crianças e adolescentes. O caso, que coloca Mark Zuckerberg diante de tribunais e da opinião pública, levanta um questionamento fundamental: até que ponto as plataformas digitais podem ser comparadas a substâncias dependentes?

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Especialistas e instituições de renome, como a Academia Nacional de Ciências Leopoldina, na Alemanha, observam que uma parcela significativa da juventude já apresenta padrões de comportamento preocupantes. Entre os sinais relatados estão a perda de controle sobre o tempo de uso, a negligência de atividades essenciais e o surgimento de quadros de ansiedade e depressão. No entanto, a classificação médica para essa condição ainda enfrenta debates acalorados na comunidade científica.

O desafio do diagnóstico e a cautela dos especialistas

Apesar das evidências comportamentais, o vício em redes sociais ainda não é reconhecido como um diagnóstico oficial pela medicina tradicional. O psicólogo e especialista em dependências, Dr. Christian Montag, alerta que a falta de estudos de imagem abrangentes impede uma analogia direta com o vício em substâncias pesadas, como a heroína. Para o especialista, comparações extremas podem gerar um “pânico moral” que ignora a complexidade do cenário digital contemporâneo.

Montag defende que é necessário estabelecer critérios claros para distinguir o uso cotidiano e funcional da internet de um comportamento efetivamente patológico. A preocupação reside no risco de “patologizar” hábitos modernos que também estão presentes na vida de adultos. Se o tempo de tela excessivo fosse o único critério, boa parte da população adulta também poderia ser considerada dependente, o que demonstra a necessidade de uma análise mais profunda sobre os danos reais à funcionalidade do indivíduo.

Alterações cerebrais e o sistema de recompensa

Embora a relação de causalidade direta ainda não tenha sido plenamente comprovada por exames de ressonância magnética, estudos indicam que o uso intensivo de plataformas digitais ativa o sistema dopaminérgico, responsável pelas sensações de prazer e recompensa. Regiões como a amígdala e o córtex cingulado anterior apresentam alterações em usuários frequentes, áreas que também são afetadas em casos de dependência química.

Esse fenômeno é particularmente sensível em adolescentes com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Para esse grupo, o estímulo constante dos algoritmos pode agravar problemas de atenção pré-existentes. A ciência observa que, com o tempo, o cérebro pode se tornar dessensibilizado, exigindo um volume cada vez maior de interações (curtidas e comentários) para gerar a mesma satisfação inicial, um processo clássico de tolerância observado em vícios.

Proibição governamental versus educação midiática

O debate sobre a proibição do uso de redes por menores de 16 anos ganhou força no Parlamento alemão e em outros países ocidentais. Contudo, vozes como a da Academia Leopoldina sugerem que o caminho mais eficaz pode não ser o veto total, mas sim o “princípio de precaução”. A proibição total poderia impedir que os jovens desenvolvam a alfabetização midiática necessária para navegar no mundo digital de forma responsável.

As recomendações atuais focam em uma combinação de verificação rigorosa de idade pelas plataformas, supervisão parental ativa até os 15 anos e o fortalecimento de competências digitais nas escolas. O objetivo é equilibrar a proteção da saúde mental dos jovens com a necessidade inevitável de integração tecnológica na sociedade moderna.

Leia mais:
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