A primeira usina de carbonização de resíduos sólidos urbanos do Amazonas será instalada no município de Nhamundá, a 383 quilômetros de Manaus. A autorização foi concedida pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), por meio da Licença de Instalação nº 054/2026. O projeto visa implementar um sistema de tratamento térmico dentro da própria sede urbana, solucionando desafios históricos de logística e gestão ambiental na região.
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A iniciativa representa uma mudança significativa na destinação do lixo local. Atualmente, os resíduos são transportados por balsa até a Serra do Matió, ainda no território do município. A nova usina surge como resposta à escassez de áreas viáveis para aterros sanitários e às dificuldades de transporte impostas pelo regime de cheia e vazante dos rios amazônicos.
Gustavo Picanço, diretor-presidente do Ipaam, destaca que o licenciamento reflete o compromisso com soluções adaptadas à geografia local. Segundo ele, o sistema oferece uma alternativa ambientalmente adequada para cidades com restrições territoriais. “A experiência de Nhamundá pode servir de referência para outros municípios com características semelhantes”, pontuou.
Funcionamento e coleta seletiva da usina de carbonização
A licença permite o início das obras da usina de carbonização, que tratará termicamente apenas o rejeito, ou seja, o material que não pode ser reaproveitado. De acordo com Mayara Barbosa Mota, técnica da Gerência de Controle de Resíduos (GECR) do Ipaam, o processo será integrado à coleta seletiva realizada na zona urbana e rural.
“A usina permitirá que o resíduo sólido urbano seja tratado dentro da própria cidade. O material que não puder ser reciclado será destinado à carbonização, reduzindo o volume transportado até a Serra do Matió e possibilitando o início da remediação ambiental da área utilizada atualmente como vazadouro”, explicou Mayara.
Modelo para o Amazonas e estrutura
O modelo aprovado abrange não apenas a sede do município, mas também comunidades rurais e terras indígenas. Edson Pinheiro, responsável pela GECR, avalia que a eficiência desse sistema pode beneficiar outras localidades do estado. “Se esse modelo der certo, o estado ganha, porque existem outros municípios com a mesma característica territorial, como Silves, Anamã, Codajás e Parintins, que também podem utilizar essa solução”, afirmou.
A Licença de Instalação tem validade de um ano e autoriza a construção do galpão industrial, prédio administrativo, sistema de drenagem, vias de acesso e instalações elétricas. O documento estabelece condicionantes ambientais rigorosas que devem ser seguidas durante a fase de implantação.
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