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Alemanha investe 1 bilhão de euros no Fundo TFFF durante a COP30

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Anúncio decisivo na reta final da conferência em Belém fortalece a iniciativa brasileira de financiamento ambiental, que busca arrecadar 10 bilhões de dólares iniciais.

O Fundo TFFF (Tropical Forests Forever Fund), principal aposta do governo brasileiro para a agenda ambiental global, recebeu um impulso substancial nesta etapa final da COP30. A Alemanha anunciou um aporte de 1 bilhão de euros (equivalente a aproximadamente R$ 6,1 bilhões) para a iniciativa. Este movimento estratégico visa recompensar nações e investidores comprometidos com a conservação das florestas tropicais ao redor do mundo, consolidando um mecanismo financeiro inovador debatido ao longo da conferência.

A confirmação do investimento alemão, aguardada com expectativa há dias, surge no momento em que as negociações entram em sua fase mais crítica e decisiva. De acordo com ministros da Alemanha, o montante não será repassado de uma única vez, mas sim contribuído gradativamente ao longo dos próximos dez anos, garantindo um fluxo contínuo de recursos para a preservação.

Quando foi lançado oficialmente durante a Cúpula dos Líderes, evento que precedeu a COP30 na capital paraense, o Fundo TFFF já havia conseguido arrecadar cerca de 5,5 bilhões de dólares. Este valor inclui contribuições significativas de países como Noruega, França, Indonésia e o próprio Brasil. Vale destacar que Brasil e Indonésia, que investirão 1 bilhão de dólares cada, também figuram como futuros beneficiários do mecanismo. Portugal também se fez presente, anunciando uma contribuição simbólica de 1 milhão de euros (cerca de 1,15 milhão de dólares).

Aportes ao fundo TFFF e o cenário político

Historicamente, a Alemanha mantém uma postura ativa na doação de recursos para a conservação de florestas tropicais em nações em desenvolvimento. No entanto, o clima antecedente ao anúncio foi de certa incerteza. O chanceler federal alemão, Friedrich Merz (CDU), durante seu discurso inicial na COP30, havia se limitado a prometer um valor “significativo” para o Fundo TFFF, sem especificar cifras. Essa imprecisão inicial gerou frustração entre atores globais interessados no avanço da iniciativa.

Uma coalizão formada por entidades ambientais e de desenvolvimento alemãs chegou a pressionar o governo de Berlim para que disponibilizasse 2,5 bilhões de dólares, um valor próximo ao prometido pela Noruega. Apesar de o montante final anunciado ser inferior ao solicitado pelas ONGs, ele foi recebido com entusiasmo pelo governo brasileiro e organizações do setor.

Ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, declarou que o aporte alemão serve como uma demonstração clara de que este instrumento de financiamento global está bem desenhado, estruturado e já começa a oferecer respostas concretas. Especialistas alemães corroboram essa visão. Martin Kaiser, diretor do Greenpeace Alemanha, afirmou à AFP que o sinal político do apoio ao Fundo TFFF pode ser determinante para o sucesso da COP30 no Brasil.

O anúncio também ocorre em um momento oportuno para amenizar tensões diplomáticas, após comentários considerados pejorativos feitos por Merz sobre a cidade de Belém ao retornar de sua breve passagem pela conferência.

Mecanismo de funcionamento e metas financeiras

A meta estipulada pelo Brasil é que o fundo arrecade 10 bilhões de dólares para iniciar suas operações plenas. As projeções iniciais do governo eram mais ambiciosas, visando 25 bilhões, mas a expectativa de longo prazo, especialmente com a entrada de capital privado, é que o Fundo TFFF possa alcançar até 125 bilhões de dólares.

O modelo do Fundo TFFF difere das doações tradicionais focadas apenas em projetos pontuais de biodiversidade. A proposta inova ao sugerir que os países sejam remunerados por resultados pré-definidos, devidamente comprovados por monitoramento via satélite. Além disso, as nações beneficiárias devem demonstrar mecanismos transparentes de uso dos recursos e métodos confiáveis de monitoramento florestal.

Jochen Flasbarth, negociador climático do governo alemão, classificou a iniciativa como inovadora por preencher lacunas financeiras e de justiça climática. Ele ressalta que é uma mensagem clara para os bancos públicos sobre a credibilidade necessária para concretizar o acordo firmado em Belém.

A lógica financeira baseia-se na arrecadação de recursos a juros reduzidos, tratados como ativos de baixo risco, que são então reinvestidos em projetos com maior taxa de retorno. A proposta brasileira prevê que a diferença financeira obtida seja repassada aos países com florestas tropicais, proporcionalmente à área preservada, enquanto o dinheiro emprestado retorna aos investidores com lucro. Um pilar central da proposta garante que populações indígenas e comunidades tradicionais recebam, no mínimo, 20% dos pagamentos destinados a cada país.

Desafios climáticos e o futuro das emissões

O contexto ambiental que cerca a criação do fundo é urgente. Atualmente, cerca de um quarto do dióxido de carbono oriundo de combustíveis fósseis é absorvido por florestas tropicais, temperadas e boreais. Contudo, cientistas alertam que esses ecossistemas estão deixando de ser sumidouros de carbono para se tornarem fontes de emissões.

O Brasil, sendo o quinto maior emissor de gases de efeito estufa do planeta, enfrenta desafios significativos ligados ao desmatamento e à agropecuária. Segundo o Observatório do Clima, apenas as emissões brasileiras decorrentes do desmatamento superam as emissões totais de nações petroleiras como Arábia Saudita e Canadá.

O financiamento climático e a criação de um roteiro para o abandono dos combustíveis fósseis permanecem como os maiores impasses na zona azul da COP30. Johan Rockström, diretor do Instituto Potsdam de Pesquisas sobre o Impacto Climático, alertou que os planos atuais reduzirão as emissões dez vezes mais devagar do que o necessário cientificamente.

Paralelamente, o presidente Lula anunciou a intenção de criar outro fundo focado em recursos da exploração de petróleo para financiar a transição energética, embora os detalhes operacionais desta nova proposta ainda não tenham sido definidos.

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