Em uma mobilização internacional realizada neste domingo (17/11), milhares de indígenas de diferentes regiões do Brasil e do mundo tomaram as ruas para pressionar a COP30 a garantir direitos territoriais, ampliar a proteção de terras ancestrais e assegurar protagonismo dos povos originários nas decisões ambientais. A manifestação ocorreu sob o lema “A Resposta Somos Nós”, reforçando que a preservação das florestas e da biodiversidade depende diretamente da garantia de seus territórios tradicionais.
Os participantes destacaram, com base em décadas de estudos, que as áreas sob gestão indígena apresentam os menores índices de desmatamento e são fundamentais para enfrentar a crise climática. Com faixas e bandeiras que reforçavam que os direitos indígenas são inegociáveis, as lideranças exigiram que a conferência reconheça os povos originários como agentes centrais na proteção das florestas tropicais e de ecossistemas essenciais.
Entre as principais reivindicações, está uma transição energética justa que respeite as comunidades tradicionais e impeça a expansão de atividades como mineração, exploração de petróleo e projetos que atinjam seus territórios. Líderes afirmaram que a busca global por minerais estratégicos para a chamada “energia verde” não pode resultar em invasão de terras, violência ou destruição ambiental.
“Os povos indígenas de todo o mundo estão aqui para confrontar a emergência climática global. O que estamos exigindo é que os governos finalmente garantam os territórios indígenas, porque já está comprovado que essa é uma medida eficaz para proteger as florestas, os rios e a vida”, declarou Kleber Karipuna, coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB).
A mobilização também apresentou uma campanha global com cinco demandas prioritárias direcionadas à COP30. A iniciativa reúne organizações e movimentos indígenas do Brasil, América Latina, Bacia do Congo, Indonésia e diversas outras regiões.
“Os povos indígenas de todo o mundo estão clamando pelo fim das falsas soluções para a crise climática, incluindo os chamados projetos de energia verde que dependem da mineração em nossos territórios. Uma transição justa não pode nos transformar em vítimas, e não pode sacrificar nossas florestas. Estas são falsas soluções que destroem a nós e as florestas”, afirmou Rukka Sombolinggi, liderança indígena da Indonésia e membro da Aliança Global de Comunidades Territoriais.
Além da pauta fundiária, o movimento chamou atenção para a escalada de violência contra defensores ambientais. A urgência aumentou após o assassinato de um indígena Guarani Kaiowá no dia 16 de novembro, supostamente baleado por um fazendeiro, segundo relato da comunidade.
Um relatório da Global Witness revelou que ao menos 146 defensores ambientais foram assassinados em 2024, grande parte deles indígenas. Na última década, foram registrados 2.157 assassinatos e 96 desaparecimentos de lideranças que atuavam na proteção de seus territórios, números que, segundo especialistas, podem ser ainda maiores devido à subnotificação.
Atualmente, quase 60% das terras indígenas em 64 países enfrentam ameaças relacionadas ao avanço industrial, incluída a pressão crescente da demanda por energia limpa. Relatório de 2023 aponta que 1,375 bilhão de hectares de territórios de povos indígenas e comunidades locais ainda não têm reconhecimento legal. No Brasil, apesar de avanços, o ritmo de demarcações segue muito abaixo do necessário diante do aumento do desmatamento, das queimadas e de outras pressões ambientais.
*Com informações da APIB
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