Alarme durante a inicialização levou à suspensão preventiva do reator em Kashiwazaki-Kariwa
O Japão religou e desligou a maior usina nuclear do mundo poucas horas após a retomada de suas operações. O reator número seis da usina de Kashiwazaki-Kariwa, localizada a noroeste de Tóquio, teve suas atividades suspensas depois que um alarme foi acionado durante os procedimentos iniciais de operação, segundo informou a Tokyo Electric Power Company (Tepco), operadora da planta.
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De acordo com o porta-voz da Tepco, Takashi Kobayashi, apesar do alarme, o reator permaneceu “estável” durante todo o episódio. A reativação havia ocorrido na quarta-feira (21/1), com um dia de atraso devido a um problema anterior no sistema de alarme. Este foi o primeiro reator da usina a ser religado desde o desastre nuclear de Fukushima, em 2011.
Retomada da maior usina nuclear do mundo avança lentamente após Fukushima
Após o terremoto de magnitude 9,0 e o tsunami que provocaram o derretimento dos reatores da usina de Fukushima Daiichi, o Japão desativou todos os seus 54 reatores nucleares. O desastre, considerado um dos mais graves da história, causou vazamentos radioativos, evacuações em massa e deixou comunidades inteiras sem retorno definitivo até hoje.
A usina de Kashiwazaki-Kariwa faz parte do plano gradual de retomada da energia nuclear no país. No entanto, o avanço é lento: o reator número sete só deve ser religado em 2030, enquanto os outros cinco podem ser desmantelados. Com isso, a capacidade total da usina será muito inferior aos 8,2 gigawatts gerados quando todos os reatores estavam em operação.
Críticas à Tepco e perda de confiança pública
O colapso de Fukushima gerou duras críticas à Tepco e ao governo japonês. Um relatório independente classificou o acidente como um “desastre feito pelo homem”, apontando falhas de preparo e de coordenação. Apesar disso, três executivos da empresa foram absolvidos posteriormente pela Justiça japonesa, mesmo após acusações de negligência.
A confiança pública na energia nuclear foi profundamente abalada. Processos judiciais coletivos foram movidos por moradores afetados, que reivindicam indenizações por danos materiais, emocionais e possíveis impactos à saúde.
Energia nuclear e metas climáticas do Japão
O Japão busca equilibrar segurança energética e metas ambientais. O país pretende alcançar emissões líquidas zero até 2050, e a energia nuclear é vista pelo governo como um componente estratégico para esse objetivo.
Desde 2015, 15 dos 33 reatores operacionais do país foram religados. Ainda assim, em 2023, a energia nuclear respondeu por apenas 8,5% da eletricidade gerada. Antes de 2011, essa participação era de cerca de 30%, com planos de chegar a 50% até 2030. Atualmente, o governo trabalha com uma meta mais modesta: 20% até 2040.
Custos crescentes e novas normas de segurança
O custo de operação das usinas nucleares japonesas aumentou significativamente, impulsionado por normas de segurança mais rígidas impostas após Fukushima. Segundo a pesquisadora Florentine Koppenborg, da Universidade Técnica de Munique, a energia nuclear “está ficando muito mais cara do que se imaginava”.
O governo enfrenta um dilema: subsidiar os custos ou repassá-los aos consumidores, em um momento de pressão inflacionária e protestos contra o aumento das contas de energia.
Escândalos recentes reforçam preocupações
A usina de Kashiwazaki-Kariwa também esteve envolvida em episódios que aumentaram a desconfiança pública. Em 2023, um funcionário perdeu documentos confidenciais, e, em novembro, outro foi flagrado desviando arquivos sensíveis. A Tepco informou que comunicou os casos à Autoridade de Regulamentação Nuclear (ARN) e prometeu reforçar seus protocolos de segurança.
Casos semelhantes ocorreram em outras usinas, como a de Hamaoka, onde a operadora foi acusada de manipular dados sísmicos, levando à suspensão do processo de reativação.
Segurança reforçada, mas incertezas permanecem
Após Fukushima, os padrões de segurança foram significativamente elevados. Em Kashiwazaki-Kariwa, foram construídos paredões de 15 metros contra tsunamis e instaladas portas à prova d’água para proteger equipamentos críticos.
Especialistas reconhecem os avanços, mas alertam para riscos futuros. Há preocupações com mudanças climáticas, elevação do nível do mar e a possibilidade de megaterremotos, eventos que podem ir além dos cenários previstos pelas atuais normas.
Enquanto isso, protestos continuam. Em dezembro, manifestantes se reuniram na província de Niigata e em frente à sede da Tepco, expressando temores sobre segurança e impactos ambientais.
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