O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que a redução da jornada de trabalho representa uma tendência consolidada em diversas partes do mundo. A declaração ocorreu durante um evento na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), onde o governo federal firmou compromissos estratégicos com o setor produtivo paulista.
📲Quer receber notícias direto no celular? Entre no nosso grupo no WhatsApp.
Em resposta aos pedidos de cautela do empresariado, Alckmin destacou que o debate sobre a escala laboral está em constante evolução internacionalmente. O ministro ressaltou que, embora o tema exija profundidade e atenção às particularidades de cada setor econômico, o movimento em direção a períodos de trabalho reduzidos já é uma realidade observada em diferentes mercados.
Diálogo entre governo e indústria sobre a escala laboral
Durante a cerimônia, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, sugeriu formalmente que a discussão sobre o fim da escala 6×1 fosse postergada para 2027. O argumento da entidade patronal baseia-se no cenário de ano eleitoral, que poderia, segundo Skaf, misturar motivações políticas com os interesses estruturais do país.
Apesar da ressalva da Fiesp, Alckmin manteve a postura de que o tema não deve ser evitado, reiterando que a modernização das relações de trabalho faz parte de um contexto macroeconômico global. Ele defendeu que o diálogo avance sem pressa excessiva, mas reconhecendo que a diminuição das horas trabalhadas é um caminho que o Brasil e outras nações tendem a percorrer gradualmente.
Acordos para fortalecer a competitividade e a defesa comercial
Além das discussões sobre o modelo de trabalho, o encontro resultou na assinatura de dois protocolos de intenções fundamentais para a indústria brasileira. O primeiro foco é a defesa comercial, visando combater práticas ilegais e desleais no comércio exterior. Entre as medidas previstas, destaca-se a criação de uma calculadora de margem de dumping, ferramenta técnica que auxiliará na proteção do mercado interno contra importações predatórias.
O segundo acordo assinado entre o Ministério e a Fiesp trata da melhoria do ambiente regulatório. O objetivo é reduzir a burocracia e os custos administrativos que pesam sobre as empresas. O plano inclui a ampliação da digitalização de serviços públicos e a integração de sistemas, buscando elevar a qualidade regulatória e atrair novos investimentos para o território nacional.
Perspectivas para a Taxa Selic e o comércio exterior
No campo da política monetária, Alckmin demonstrou otimismo em relação aos próximos passos do Banco Central. Ele declarou estar confiante de que o Comitê de Política Monetária (Copom) iniciará um ciclo de corte na taxa básica de juros, a Selic, na reunião marcada para março. Atualmente em 15% ao ano, a taxa deve sofrer ajustes para baixo impulsionada, segundo o ministro, pela valorização do real e pelo processo de desinflação dos alimentos.
Sobre as relações com os Estados Unidos, o vice-presidente comentou a recente imposição de uma tarifa global de 15% pelo governo norte-americano. Para Alckmin, o Brasil surge como o principal beneficiado pela medida de Donald Trump. Ele explicou que a padronização da tarifa para todos os países acaba com as desvantagens específicas que o Brasil enfrentava anteriormente, abrindo espaço para uma retomada robusta das exportações brasileiras para o mercado estadunidense.
Leia mais:
Debate sobre o fim da escala 6×1 ganha força no Congresso Nacional
Proposta que reduz jornada 6×1 avança na Câmara e segue para a CCJ
O que muda com a aprovação do fim da escala 6×1?
Siga nosso perfil no Instagram, Tiktok e curta nossa página no Facebook

