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Redes sociais enfrentam julgamento histórico por riscos a crianças e adolescentes

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As redes sociais tornaram-se o centro de uma das maiores batalhas jurídicas da atualidade nos Estados Unidos. Nesta semana, gigantes da tecnologia sentam-se no banco dos réus sob a acusação de que suas plataformas oferecem riscos reais e deliberados à saúde mental de jovens. O processo, comparado por especialistas à ofensiva legal contra a indústria do tabaco nos anos 90, alega que empresas como Meta, TikTok, Snap e YouTube desenharam produtos viciantes que impactam milhões de famílias.

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O Tribunal Superior da Califórnia, no Condado de Los Angeles, é o palco deste primeiro julgamento emblemático. O caso inicial envolve uma jovem de 20 anos, identificada como KGM, que relata ter sofrido danos severos, como depressão e problemas de autoimagem, decorrentes do uso contínuo dessas mídias desde a infância. Este embate judicial é visto como um divisor de águas, podendo abrir precedentes para milhares de outras ações movidas por escolas e governos estaduais que buscam responsabilizar as Big Techs pelos efeitos nocivos de seus algoritmos.

O impacto das redes sociais e a comparação com o tabaco

A estratégia da acusação busca traçar um paralelo direto com o passado. Assim como as empresas de tabaco foram responsabilizadas por ocultar os perigos do cigarro, os advogados argumentam que as redes sociais são produtos “defeituosos”. A tese é de que recursos como rolagem infinita, reprodução automática e notificações constantes não são meras funcionalidades, mas armadilhas psicológicas projetadas para maximizar o tempo de tela em detrimento do bem-estar dos usuários.

Joseph VanZandt, um dos advogados à frente do caso, destaca que este é o momento em que a sociedade definirá novos limites. O objetivo é estabelecer padrões mais rígidos sobre como essas plataformas interagem com o público infantil e adolescente, superando a era em que a regulação ficava a cargo das próprias empresas.

Documentos internos expõem estratégias das plataformas

Um dos trunfos da acusação é o uso de documentos internos que sugerem que os executivos das redes sociais tinham plena ciência dos riscos. Arquivos da Meta, por exemplo, indicam que a empresa sabia que certos filtros do Instagram poderiam agravar a dismorfia corporal em adolescentes, mas optou por mantê-los. No YouTube, discussões internas revelaram esforços para tornar a experiência cada vez mais imersiva e difícil de largar.

A intenção é provar ao júri que, mesmo diante de alertas de funcionários e evidências de danos, a prioridade foi o engajamento e o lucro. Mark Zuckerberg e outros líderes do setor deverão responder sobre essas escolhas estratégicas que, segundo a acusação, negligenciaram a segurança dos usuários mais vulneráveis.

Defesa das Big Techs e acordos judiciais

As empresas, por sua vez, defendem-se alegando que não há comprovação científica definitiva de que as redes sociais causem dependência clínica. Elas também se apoiam na legislação americana que protege a liberdade de expressão e isenta as plataformas de responsabilidade pelo conteúdo de terceiros.

Apesar da defesa robusta, o cenário jurídico já provocou reações. Às vésperas do julgamento, Snap e TikTok fecharam acordos financeiros com a autora do processo. O YouTube reforçou seu discurso de segurança, citando ferramentas como o YouTube Kids. A Meta argumenta que a questão da saúde mental é complexa e não deve ser simplificada, mas o risco de veredicto desfavorável e danos à reputação permanece alto.

Pressão global por regulação digital

O julgamento na Califórnia reflete uma tendência mundial de escrutínio sobre as redes sociais. A União Europeia e o Reino Unido já avançaram com leis de proteção digital para menores, e a Austrália recentemente proibiu o acesso a essas plataformas para menores de 16 anos.

Nos Estados Unidos, onde a legislação federal caminha a passos lentos, esses processos estaduais representam a maior ameaça legal já enfrentada pelo setor. O resultado pode forçar não apenas o pagamento de indenizações milionárias, mas uma reestruturação profunda na forma como essas tecnologias são desenhadas e oferecidas ao público jovem.

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