O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Tarumã-Açu (CBHTA) realiza, nesta quinta-feira (30/10), um evento crucial para o futuro de uma das bacias mais importantes de Manaus. Trata-se do “Workshop de Mobilização para a Elaboração do Plano de Bacia Hidrográfica do Rio Tarumã-Açu”, um passo fundamental para ordenar o uso e tentar recuperar uma área sob intensa pressão econômica e populacional. A atividade é uma realização da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), em parceria com a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam).
O encontro, que acontece das 9h às 12h no auditório da concessionária Águas de Manaus, no bairro Aleixo, é voltado especificamente para entidades representativas. Foram convidados membros de associações comunitárias, Organizações da Sociedade Civil, representantes de usuários da água e o poder público.
O objetivo primário do workshop é promover a mobilização social e, principalmente, identificar quem são os usuários formais e informais da água na bacia do Tarumã-Açu. A partir deste mapeamento, o comitê busca fortalecer o diálogo entre os diferentes atores locais, garantindo que a construção do plano de gestão dos recursos hídricos seja participativa.
Segundo o secretário de Estado do Meio Ambiente, Eduardo Taveira, este é um momento decisivo para a gestão ambiental na região. “O Plano de Bacia é um instrumento essencial para o planejamento e a gestão sustentável dos recursos hídricos”, destacou. “Esse processo de mobilização é uma etapa fundamental, pois envolve as organizações envolvidas na tomada de decisões e garante que as ações futuras reflitam as reais necessidades da bacia e da população que dela depende”, completou Taveira.
A urgência do plano de Bacia do Tarumã-Açu
O Rio Tarumã-Açu enfrenta desafios complexos que ameaçam sua integridade. O professor da UEA, Carlossandro Albuquerque, que atua como coordenador do projeto elaborador do Plano, explicou a urgência do documento. Ele ressaltou que o plano trará diretrizes para disciplinar e ordenar a gestão dentro da bacia, algo que hoje ocorre de forma descontrolada.
“Lembrando que o Tarumã é uma área de balneabilidade. É uma área de lazer e uma forte área de atividade econômica e de moradia”, pontuou Albuquerque. “São fatores importantes que nós devemos considerar na elaboração desse plano. Além disso, deve-se pensar a questão da preservação e da conservação ambiental dentro da bacia, disciplinar a questão da atividade econômica, pois o Tarumã também está sofrendo uma grande pressão na ocupação das suas margens”, explicou o coordenador.
A gestão integrada é a chave para o sucesso do plano, conforme ressaltou o diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço. “Estamos unindo esforços para garantir que o Plano de Bacia do Tarumã-Açu seja construído com base em dados técnicos e na escuta da sociedade. Esse é um passo importante para fortalecer a governança ambiental e assegurar que o uso da água ocorra de forma equilibrada, preservando esse patrimônio natural fundamental para Manaus e para o Amazonas”, afirmou Picanço.
Um projeto de R$ 2,3 milhões
A elaboração deste plano é um marco histórico para o estado. É a primeira vez que o Amazonas executa um plano de gestão para uma bacia hidrográfica, embora este instrumento esteja previsto na Política Estadual de Recursos Hídricos há mais de duas décadas.
O projeto é fruto de um convênio de R$ 2,3 milhões, custeado pelo tesouro estadual, firmado entre a Sema e a UEA em junho de 2025. A execução do plano está prevista para ocorrer em 18 meses, com uma data de conclusão estimada para dezembro de 2026.
O documento final será denso e abordará temas críticos como a conservação hídrica, o uso ordenado da bacia para turismo e lazer, e a questão sensível dos cerca de mil flutuantes instalados na região. O plano também proporá ações concretas de fiscalização, controle e recuperação ambiental.
Detalhes do Workshop e próximas etapas
O workshop desta quinta-feira dará o pontapé inicial na etapa de mobilização social. A agenda do evento contará com quatro painéis temáticos para nivelar o conhecimento dos presentes:
- “Gestão dos Recursos Hídricos no Estado do Amazonas” (apresentado pela Sema);
- “Atuação do Ipaam na Gestão dos Recursos Hídricos do Amazonas” (apresentado pelo Ipaam);
- “O Papel dos Comitês de Bacia Hidrográfica na Gestão dos Recursos Hídricos” (conduzido pelo CBHTA);
- “Elaboração do Plano de Bacia Hidrográfica do Rio Tarumã-Açu/AM” (apresentado pelo Programa de Pós-Graduação ProfÁgua/UEA).
O Governo reforça que, neste momento, a participação é focada nas entidades representativas. As fases seguintes envolverão um trabalho técnico de coleta e análise de dados hídricos e socioeconômicos, além da elaboração de cenários e prognósticos de demandas de água.
A participação da sociedade em geral está prevista para 2026, quando deve ocorrer a primeira consulta pública sobre o esboço do plano. O projeto final entregará um diagnóstico completo (físico, socioeconômico e hídrico), um cadastro de usuários, o prognóstico de demandas futuras, diretrizes para o enquadramento da bacia e um portfólio de programas e projetos para garantir a sobrevivência do Tarumã-Açu.
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