A população de Berlim rejeita a proposta das autoridades locais para transformar a capital alemã na sede dos Jogos Olímpicos de 2036. Segundo uma pesquisa de opinião encomendada pelo jornal Tagesspiegel e divulgada nesta segunda-feira (24/11), 67% dos entrevistados são contrários à ideia, enquanto apenas 27% demonstram apoio. Outros 6% afirmaram estar indecisos.
O projeto olímpico de Berlim inclui candidaturas para 2036 e, caso não tenha sucesso, também para as edições de 2040 ou 2044. O plano foi anunciado pelas autoridades municipais em maio e reacendeu o debate público sobre os impactos do evento na cidade.
O movimento contrário à candidatura, liderado pela coalizão “NOlympia”, busca impedir o avanço da proposta. Na semana passada, o grupo anunciou a intenção de promover um referendo para barrar definitivamente o projeto. Caso ocorra, a consulta popular só deve ser realizada após 2027, quando o Comitê Olímpico Alemão (DOSB) oficializar a candidatura. Se a população rejeitar a proposta, a candidatura será anulada.
“Se Berlim for escolhida [pelo DOSB], pode haver depois uma rejeição pela população”, afirmou ao Tagesspiegel a porta-voz Gabriele Hiller. “O DOSB precisa saber se quer correr esse risco.”
Entre os motivos da resistência, ativistas citam os custos elevados para os cofres públicos e os possíveis impactos no já pressionado mercado imobiliário da capital.
Outras cidades alemãs também estão sendo avaliadas como alternativas. Diferentemente de Berlim, estas só seguirão adiante se houver aprovação prévia da população. Em Munique, que sediou os Jogos de 1972, a proposta já recebeu sinal verde. Hamburgo e uma coalizão de cidades situadas entre os rios Ruhr e Reno também disputam a candidatura em nome do DOSB.
Berlim já recebeu a Olimpíada em 1936, durante o regime nazista de Adolf Hitler. Um dos principais palcos à época foi o Olympiastadion, reconstruído após a Segunda Guerra Mundial.
Para 2036, a capital alemã propõe um perfil oposto ao ambiente militarista de cem anos atrás. O plano inclui partidas de vôlei de praia em frente ao Portão de Brandemburgo, seguindo o modelo observado em Paris 2024, além de provas de skate na antiga pista do aeroporto de Tempelhof. Outras sugestões incluem a largada da maratona na Ilha dos Museus e o uso da Ponte Glienicke, que liga Berlim a Potsdam, no percurso de competições de ciclismo e triatlo. O projeto também prevê provas nos estados de Brandemburgo, Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e Saxônia.
As autoridades destacam que as propostas ainda são preliminares, mas afirmam que 90% da infraestrutura necessária já está disponível, graças ao histórico de eventos internacionais da cidade. A prioridade seria renovação de instalações, com o restante atendido por estruturas temporárias.
Ao defender a candidatura, o prefeito de Berlim, Kai Wegner, afirmou que o evento seria uma oportunidade para mostrar “uma cidade que mudou nos últimos 100 anos”. Segundo ele, “Não defendemos mais a exclusão e o ódio. Somos uma metrópole colorida e diversificada que está aberta para o mundo”.
O histórico alemão registra casos de rejeição popular a projetos olímpicos. Em 2015, Hamburgo teve sua candidatura aos Jogos de 2024 barrada após referendo. Em 2013, o mesmo ocorreu com Munique, que buscava sediar os Jogos de Inverno de 2022.
*Com informações do DW
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