As infovias na Amazônia acabam de receber um impulso decisivo para a sua expansão com a chegada de uma remessa monumental de infraestrutura. O Governo Federal confirmou a implementação de três novos trechos de rede de comunicação de alta capacidade, as infovias 05, 06 e 08, que prometem transformar a realidade digital da região. A iniciativa visa levar internet de alta velocidade para cerca de 40 municípios, superando o isolamento geográfico histórico de diversas comunidades ribeirinhas e urbanas da Região Norte.
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Esta nova etapa do programa Norte Conectado é marcada por uma operação logística sem precedentes. Para viabilizar a conexão das localidades mais remotas, o Brasil recebeu um carregamento de 3.170 quilômetros de cabos de fibra óptica importados da China. O material, essencial para a execução do projeto, representa um investimento direto de R$ 850 milhões e pesa aproximadamente 5 mil toneladas.
A magnitude desta operação supera todas as fases anteriores do programa somadas. Nas etapas já concluídas (infovias 02, 03 e 04), foram utilizados 2.400 quilômetros de fibra. Agora, o volume e a extensão dos novos cabos reforçam o compromisso de integrar digitalmente a Amazônia ao restante do mundo, criando uma espinha dorsal de conectividade subfluvial.
Logística complexa e cronograma de instalação das infovias na Amazônia
A chegada dos cabos é apenas o primeiro passo de um desafio logístico complexo. O processo de transferência de todo o material vindo da China para as embarcações nacionais levará cerca de 30 dias. Essas embarcações são adaptadas especificamente para o lançamento dos cabos nos leitos dos rios, uma técnica que exige precisão e conhecimento profundo da hidrografia amazônica.
A previsão é que o lançamento da estrutura nas águas comece efetivamente no mês de maio. O trajeto da fibra óptica desenha uma rota estratégica de integração regional, partindo de Belém, passando por Macapá e Santarém, até chegar a Manaus. Da capital amazonense, a rede se ramificará para outras cidades do interior do Amazonas e estados vizinhos, criando uma malha de dados robusta e confiável.
Tecnologia sustentável e capacidade de transmissão
Um dos grandes diferenciais deste projeto é a escolha pela tecnologia subfluvial. Ao contrário de grandes obras terrestres que exigem abertura de estradas e desmatamento, as infovias na Amazônia utilizam os rios como caminhos naturais. Os cabos são produzidos com materiais inertes e atóxicos e são depositados no leito dos rios de forma estável.
Essa metodologia garante que não haja reação química com a água nem impacto negativo nos ecossistemas aquáticos. Além da sustentabilidade ambiental, a tecnologia oferece uma capacidade técnica impressionante. Cada cabo reúne 24 pares de fibra óptica com capacidade de transmissão de até 96 terabytes por segundo. Isso significa estabilidade e velocidade de navegação comparáveis às grandes metrópoles, mesmo em pontos isolados da floresta.
Gina Marques, CEO da Entidade Administradora da Faixa (EAF), parceira do Ministério das Comunicações na operação, destaca que o projeto transforma geografia em oportunidade. Segundo ela, a infraestrutura foi pensada para durar e respeitar a floresta, chegando a locais onde o Brasil historicamente teve dificuldades de acesso.
Impacto direto no Amazonas e cidadania digital
Para o estado do Amazonas, o impacto do projeto será transformador. O programa prevê a instalação de mais de 600 pontos públicos de acesso à internet somente em território amazonense. Esses pontos incluem escolas, unidades de saúde, fóruns de justiça e praças públicas com sinal Wi-Fi gratuito.
O ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, ressalta que o projeto transcende a questão da infraestrutura física. Para ele, trata-se de um instrumento de cidadania e inclusão. Ao conectar escolas e hospitais, as infovias permitem o avanço da telemedicina, do ensino a distância e do desenvolvimento econômico local, integrando a população amazônica à economia digital global.
No total, o programa Norte Conectado, com investimento global estimado em R$ 1,3 bilhão, tem potencial para beneficiar cerca de 7,5 milhões de pessoas em 70 municípios espalhados pelos estados do Amazonas, Amapá, Acre, Rondônia, Roraima e Pará, aliando preservação ambiental com progresso tecnológico.
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