Percentual é o maior da série histórica do Banco Central iniciada em 2011; endividamento das famílias também voltou a 49,9%
A inadimplência das famílias brasileiras voltou a subir em agosto e alcançou 6%, novo recorde da série histórica do Banco Central (BC), iniciada em março de 2011. Em julho, o percentual estava em 5,8%.
📲Quer receber notícias direto no celular? Entre no nosso grupo no WhatsApp.
Os dados divulgados nesta terça-feira (29) mostram que o aumento dos atrasos ocorre em um cenário de forte comprometimento da renda familiar e juros elevados, mesmo com programas do governo federal voltados à renegociação de dívidas.
No crédito livre, em que as taxas são negociadas diretamente entre instituições financeiras e clientes, a inadimplência das pessoas físicas passou de 7,8% em julho para 8% em agosto, também o maior nível da série histórica.
Já no crédito direcionado, que inclui operações submetidas a regras específicas, o índice de inadimplência das famílias avançou de 3,4% para 3,6%.
Endividamento das famílias volta a 49,9%
Outro indicador acompanhado pelo Banco Central mostra que o endividamento das famílias chegou a 49,9% da renda acumulada em 12 meses em julho, retornando ao maior nível registrado na série histórica.
Quando são desconsideradas as operações de financiamento habitacional, o percentual ficou em 30,8%.
O comprometimento da renda das famílias com o pagamento de dívidas permaneceu em 28,7% em julho. Sem considerar os financiamentos imobiliários, o índice ficou em 26,4%.
Os dados sobre endividamento e comprometimento da renda são divulgados com defasagem em relação às estatísticas mensais de crédito.
Governo cria nova fase do Desenrola
O avanço da inadimplência ocorre meses depois do lançamento do Desenrola 2.0 e poucos dias após o governo federal instituir uma nova modalidade do programa de renegociação de dívidas.
Na sexta-feira (25), foi publicada a Medida Provisória nº 1.393, que criou o Desenrola Brasil 3.0. A nova fase permite que a União adquira carteiras de créditos inadimplidos de instituições financeiras e de outras empresas para posteriormente renegociar essas dívidas com os consumidores.
Pelo modelo, as carteiras poderão ser adquiridas por meio de procedimentos competitivos, como leilões. O desconto obtido na aquisição deverá ser utilizado nas condições oferecidas aos devedores. A medida prevê até R$ 15 bilhões em recursos públicos para a compra das carteiras, condicionados à disponibilidade orçamentária.
Segundo o governo, até R$ 150 bilhões em dívidas poderão ser elegíveis para o programa, com potencial de alcançar milhões de pessoas.
Crédito caro pressiona orçamento
O cenário também é acompanhado pelo Banco Central diante do peso de modalidades de crédito de custo elevado no orçamento das famílias.
Em agosto, a taxa média de juros no crédito livre destinado às pessoas físicas chegou a 61,7% ao ano, segundo dados divulgados pelo BC.
A combinação de endividamento elevado, maior comprometimento da renda e crescimento dos atrasos mantém o mercado de crédito sob atenção de instituições financeiras e autoridades econômicas.
Leia mais:
Conta de luz terá bandeira verde em outubro e fica sem taxa extra
Bolsa Família de setembro paga beneficiários com NIS final 8 nesta segunda (28)
Preço médio dos combustíveis muda a partir de outubro
Siga nosso perfil no Instagram, Tiktok e curta nossa página no Facebook


