Unidade consolidou o Amazonas como referência na região Norte ao realizar procedimento duplo inédito de fígado e rim no último dia de 2025
O Hospital Delphina Aziz encerrou o ano de 2025 com um marco histórico para a saúde pública do Amazonas. No dia 31 de dezembro, a unidade, integrante do Complexo Hospitalar Zona Norte, mobilizou suas equipes para realizar seis transplantes em um intervalo inferior a 24 horas. A operação de alta complexidade incluiu um feito inédito na rede pública estadual: um transplante duplo de fígado e rim em um único paciente. Além deste procedimento, outros três pacientes receberam rins e um quinto receptor foi contemplado com um fígado.
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Esta série de cirurgias consolida a posição do Amazonas como o maior centro transplantador da região Norte do Brasil, demonstrando a capacidade técnica e logística instalada no estado.
A logística e captação de órgãos para o Hospital Delphina Aziz
A complexa jornada que culminou nos procedimentos cirúrgicos teve início na terça-feira (30/12), no Hospital e Pronto-Socorro (HPS) Dr. João Lúcio Pereira Machado, localizado na zona leste de Manaus. Foi nesta unidade que as equipes especializadas realizaram as captações dos órgãos essenciais para salvar vidas no Hospital Delphina Aziz.
A primeira doação partiu de um homem de 56 anos, vítima de Acidente Vascular Cerebral (AVC). A autorização familiar foi decisiva para o processo. A esposa do doador relatou que o marido havia manifestado o desejo de ser doador em vida. “Ele não se foi em vão. Saber que a doação ajudou alguém que precisava torna tudo isso mais significativo. A dor da ausência é inevitável, mas é gratificante saber que algo dele continuará existindo e cumprindo um propósito”, declarou a viúva, ressaltando o aspecto humanitário do ato.
Na manhã seguinte, quarta-feira (31/12), uma nova captação ocorreu no HPS João Lúcio. Desta vez, o doador foi um homem de 32 anos, vítima de acidente de motocicleta. Foram captados um fígado e dois rins, além de córneas que foram destinadas ao Banco de Olhos do Amazonas. Todo o processo envolveu uma rede integrada que incluiu a Coordenação Estadual de Transplantes, a Organização de Procura de Órgãos (OPO), a Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-RCP) e o Hemoam.
Perfil dos pacientes e impacto na saúde pública
Os receptores dos órgãos transplantados no Hospital Delphina Aziz são quatro homens e duas mulheres. Entre os pacientes do sexo masculino, três residem em Manaus e um é proveniente do município de Benjamin Constant. As idades do grupo variam entre 43, 50, 56, 58 e 63 anos.
Para a secretária de Estado de Saúde, Nayara Maksoud, o sucesso das seis cirurgias representa um avanço histórico. Segundo a gestora, o feito evidencia a eficiência do trabalho em rede e a qualificação das equipes envolvidas, desde a captação até o pós-operatório.
O coordenador estadual de Transplantes, o médico Marcos Lins, destacou que 2025 foi um ano de recordes para o estado, tanto em doações quanto em cirurgias. “Este é um avanço expressivo para a saúde do Amazonas e representa um marco para a medicina de alta complexidade no Estado. É fundamental considerar a perspectiva dos pacientes em lista de espera e compreender a relevância da doação de órgãos”, afirmou Lins. Ele reforçou ainda a importância da conscientização popular sobre comunicar a família a respeito do desejo de doar.
Infraestrutura e crescimento do Hospital Delphina Aziz
O sucesso da maratona de cirurgias deve-se, em grande parte, à infraestrutura moderna da unidade. As operações mobilizaram uma equipe multidisciplinar que atuou de forma sincronizada, garantindo a segurança e a humanização desde o preparo do paciente até os cuidados intensivos.
O Hospital Delphina Aziz é hoje uma referência consolidada em transplantes renais e hepáticos, além de realizar cirurgias de média e alta complexidade, como implantes cocleares. A unidade conta ainda com o maior Parque Diagnóstico do Norte do Brasil.
Os números impressionam: desde a retomada dos transplantes na rede pública (renais em junho de 2023 e hepáticos em outubro de 2025), o hospital já realizou 264 procedimentos, sendo 258 de rins e seis de fígado. Em apenas dois anos de atividade nesta área, a unidade pública superou 58% do volume de transplantes que a rede privada levou 16 anos para realizar.
Inaugurado em 2014, o hospital passou por uma transformação profunda a partir de 2019. O número de leitos saltou de 35 (em 2018) para os atuais 362, um crescimento de mais de 900%. Essa expansão foi crucial para ampliar o acesso da população aos serviços de alta complexidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS), permitindo que recordes como o deste fim de ano fossem possíveis.
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