Presidente venezuelano declara disposição para negociar combate ao narcotráfico com Washington, embora evite comentar recentes operações com drones atribuídas à CIA.
As complexas e históricas relações entre Venezuela e EUA ganharam um novo capítulo nesta semana. Nicolas Maduro, presidente da Venezuela, declarou oficialmente que Caracas está aberta a estabelecer um diálogo construtivo com Washington. O foco central desta proposta diplomática seria o combate conjunto ao tráfico de drogas, uma pauta sensível que tem gerado atritos constantes entre as duas nações. A declaração ocorre em um cenário de pressão contínua e escalada de ações militares lideradas pela administração Trump na região.
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Em uma entrevista pré-gravada e transmitida na última quinta-feira pela televisão estatal venezuelana, Maduro enfatizou sua disposição em sentar à mesa de negociações. O objetivo seria firmar um acordo prático e efetivo de combate ao narcotráfico com os Estados Unidos. No entanto, o tom conciliador em relação a este tema contrastou com a recusa do líder venezuelano em comentar os ataques recentes, atribuídos à CIA, a um porto de atracagem no país na semana passada.
O interesse no petróleo e a estratégia de pressão
Maduro reiterou sua visão de que a postura agressiva de Washington visa, primordialmente, forçar uma mudança de regime em seu país. Segundo o presidente, o interesse final seria obter acesso irrestrito às vastas reservas de petróleo venezuelanas. Esta campanha de pressão, que já dura meses, intensificou-se significativamente com um grande destacamento militar norte-americano enviado ao Mar do Caribe em agosto.
“O que é que eles pretendem? É claro que procuram impor-se através de ameaças, intimidação e força”, declarou Maduro durante a entrevista. Ele acrescentou, num tom pragmático, que já é hora de ambas as nações começarem a dialogar seriamente, “com dados na mão”, deixando de lado a retórica puramente conflituosa.
O líder sul-americano foi enfático ao sublinhar a mensagem enviada ao norte: “O governo dos EUA sabe, porque dissemos a muitos dos seus porta-vozes, que se quiserem discutir seriamente um acordo para combater o tráfico de drogas, estamos prontos”. Além da questão da segurança, Maduro abriu portas para o setor energético, afirmando que se o interesse for o petróleo, a Venezuela e EUA podem cooperar através de investimentos, citando como exemplo a relação com a Chevron. “Sempre que eles quiserem, onde eles quiserem e como eles quiserem”, completou.
Vale ressaltar que a Chevron permanece como a única grande empresa petrolífera a exportar petróleo bruto venezuelano para os Estados Unidos, um dado relevante considerando que a Venezuela possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo.
Escalada de conflitos e o silêncio sobre a CIA
A entrevista foi gravada na véspera de Ano Novo, coincidindo com o anúncio das forças armadas norte-americanas sobre ataques contra cinco embarcações suspeitas de tráfico de drogas. Estas ações recentes elevam as estatísticas do conflito: o número total de ataques a barcos conhecidos subiu para 35, resultando em pelo menos 115 mortes, segundo dados divulgados pela administração Trump. Entre as vítimas destes confrontos, encontram-se cidadãos venezuelanos.
O presidente Donald Trump justificou tais operações como uma escalada necessária para estancar o fluxo de entorpecentes para o território norte-americano, chegando a afirmar que Washington está envolvida em um “conflito armado” contra os cartéis.
Os ataques, que inicialmente se concentravam na costa caribenha, expandiram-se para o leste do Oceano Pacífico. Contudo, o ponto de maior tensão recente envolve uma operação em solo. Na semana passada, a CIA teria estado por trás de um ataque com drones a uma zona de atracagem, local que a administração Trump acredita ser utilizado por cartéis venezuelanos. Esta foi a primeira operação direta conhecida em solo venezuelano desde o início da campanha naval, marcando uma escalada significativa na pressão sobre Maduro.
Vale lembrar que o presidente venezuelano foi acusado de narcoterrorismo nos EUA, que oferecem uma recompensa de 50 milhões de dólares (aproximadamente 42,5 milhões de euros) por informações que levem à sua captura. Quando questionado diretamente sobre esta operação em solo venezuelano, Maduro adotou uma postura cautelosa. Recusou-se a comentar o incidente de imediato, mas indicou que poderia “falar sobre isso dentro de alguns dias”, mantendo o suspense sobre a resposta oficial de Caracas a esta incursão específica.
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