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Jovem articula com a SpaceX e garante Starlink na Amazônia para 140 escolas

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Iniciativa liderada por estudante de 17 anos conecta unidades de ensino em áreas remotas, como Manicoré, transformando a realidade educacional da região.

A expansão da Starlink na Amazônia acaba de ganhar um capítulo decisivo protagonizado por uma liderança inesperada. Eric Bartunek, um estudante paulistano de apenas 17 anos, conseguiu mobilizar a alta cúpula da SpaceX para levar internet de alta velocidade a 140 escolas públicas em áreas isoladas da região norte. A articulação, que começou como um projeto pessoal, transformou-se em uma parceria de grande escala que promete reduzir o abismo digital enfrentado por estudantes e professores em comunidades ribeirinhas.

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O projeto visa solucionar um dos gargalos mais persistentes da logística amazônica. Em locais onde a fibra óptica não chega e o sinal de telefonia é precário, a internet via satélite se apresenta como a única alternativa viável para conectar alunos ao século XXI. A iniciativa já começou a dar frutos, com as primeiras instalações realizadas em novembro de 2025, e tem previsão de conclusão para meados de fevereiro deste ano.

De Sobral aos rios da Amazônia

A motivação para o projeto nasceu em 2022, quando Eric, então com 13 anos, visitou Sobral, no Ceará. O município é referência nacional em educação pública, e o contraste entre a excelência vista lá e a precariedade de outras regiões do país marcou o jovem. Mais tarde, durante um estágio no Instituto PROA, uma organização que capacita jovens de baixa renda, ele percebeu que na região amazônica a barreira não era apenas pedagógica, mas infraestrutural.

“Nunca achei que chegaria a esse ponto. A escala acabou sendo muito maior do que eu esperava”. Admite o jovem

Muitas escolas ribeirinhas dependem exclusivamente do transporte fluvial e permanecem desconectadas do mundo digital. Ao identificar que a conectividade era o ponto de virada, Eric utilizou sua veia empreendedora para buscar soluções. Filho de Florian Bartunek, renomado gestor de fundos, o estudante cresceu em um ambiente que valoriza a disciplina e a iniciativa, fatores que foram cruciais para que ele não desistisse diante dos desafios logísticos de implementar a Starlink na Amazônia.

Negociação direta com a SpaceX

O que começou como uma tentativa de arrecadar fundos para conectar um pequeno número de escolas tomou proporções globais após uma atitude ousada. Eric decidiu contatar diretamente a SpaceX. Depois de várias tentativas sem resposta, ele conseguiu uma videoconferência de dez minutos com Gwynne Shotwell, presidente e diretora de operações da companhia aeroespacial de Elon Musk.

O “pitch” do estudante visava conseguir apoio para apenas 10 escolas. No entanto, a executiva surpreendeu ao integrar o pedido ao “Starlink for Good”, o braço filantrópico da empresa. O resultado foi a doação de equipamentos para cobrir todas as 140 escolas mapeadas pelo projeto no distrito amazônico. Segundo Eric, a escala acabou sendo muito maior do que ele esperava, validando a ideia de que a juventude pode gerar impacto imediato.

Impacto real em Manicoré

A teoria se transformou em prática na comunidade de Barro Alto, em Manicoré. Localizada a quase 30 horas de barco de Manaus, a escola local parou suas atividades por uma hora para receber as antenas em novembro de 2025. A chegada do equipamento representou um marco histórico para a comunidade.

Com a conexão ativa, a rotina escolar sofreu uma revolução imediata. Professores ganharam acesso a ferramentas de gestão, planos de aula atualizados e recursos de inteligência artificial, enquanto os alunos puderam, pela primeira vez, utilizar a rede para pesquisas e aprendizado interativo. A logística para levar a tecnologia até esses pontos remotos reforça a importância da internet via satélite como ferramenta de inclusão social no Norte do Brasil.

Além da conexão o foco no aprendizado

Eric Bartunek e seus parceiros sabem que a internet, por si só, não garante educação de qualidade. Por isso, a fase atual do projeto envolve um esforço coordenado para transformar a conectividade em ganhos pedagógicos reais. O estudante articulou apoios de peso, incluindo o Ministério da Educação (MEC), a ONG MegaEdu e o Instituto Escolas Conectadas.

Além disso, o projeto conta com a consultoria de Martin Carnoy, economista da Universidade Stanford e especialista em educação. O objetivo é criar treinamentos específicos para que os docentes saibam utilizar as novas ferramentas digitais para potencializar o ensino em sala de aula. Eric, que se forma no ensino médio este ano e planeja estudar Economia e Educação nos Estados Unidos, pretende acompanhar os resultados de perto, com planos de retornar ao Brasil futuramente para aplicar seus conhecimentos na gestão pública.

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