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Xi e Lula articulam defesa sobre o papel da ONU no cenário global

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Líderes de China e Brasil alinham discursos em resposta a iniciativas unilaterais apresentadas em Davos e reforçam a necessidade de proteger o multilateralismo e os interesses do Sul Global.

O papel da ONU como pilar central da governança global foi o tema dominante da conversa telefônica realizada na noite de quinta-feira (22/01) entre o presidente da China, Xi Jinping, e o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. Em um momento descrito por Pequim como “turbulento” para a estabilidade internacional, os dois líderes concordaram sobre a urgência de preservar a autoridade das Nações Unidas frente a novas propostas que ameaçam fragmentar a diplomacia mundial.

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A interlocução entre os chefes de Estado ocorre em resposta direta aos recentes anúncios feitos pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos. Sem o respaldo de aliados tradicionais europeus, o mandatário americano lançou um controverso “Conselho de Paz”, uma estrutura paralela que analistas internacionais interpretam como uma tentativa de esvaziar as atribuições históricas da Organização das Nações Unidas na manutenção da segurança coletiva.

Durante o diálogo, Xi Jinping foi enfático ao solicitar que Brasil e China, enquanto grandes nações em desenvolvimento, “fiquem do lado certo da história”. Para o líder chinês, é imperativo que o Sul Global atue como uma força construtiva, não apenas para salvaguardar a paz, mas também para garantir que as reformas no sistema de governança global ocorram dentro dos canais legítimos já estabelecidos.

Multilateralismo e o papel da ONU em disputa

A movimentação diplomática de Pequim e Brasília reflete uma preocupação crescente com o enfraquecimento das instituições multilaterais. Além do Conselho de Paz, o anúncio de Trump sobre um princípio de acordo com a Otan envolvendo a Groenlândia elevou as tensões transatlânticas. A proposta, que visaria garantir “acesso total e permanente” à ilha ártica, foi prontamente rechaçada por líderes europeus, que negaram qualquer possibilidade de ceder soberania sobre o território autônomo dinamarquês.

Nesse cenário de incertezas, Lula concordou com a visão chinesa de que é necessário reforçar a coordenação estratégica entre os países emergentes. Segundo o comunicado oficial, o presidente brasileiro defendeu o fortalecimento da cooperação no âmbito do Brics como ferramenta para estabilizar a região e o mundo. A postura do Brasil sinaliza um compromisso renovado com o livre comércio e com a defesa intransigente do sistema internacional baseado em regras, contrapondo-se a iniciativas isolacionistas.

A intensificação dos contatos diplomáticos entre China e Brasil nos últimos meses demonstra um alinhamento pragmático diante das fricções comerciais e políticas geradas por Washington. Até o momento, nenhuma das duas potências do Sul Global confirmou adesão ao convite americano para integrar o novo conselho, preferindo apostar na legitimidade das instituições vigentes.

Reações céticas à proposta de Washington

A comunidade internacional reagiu com cautela e ceticismo às propostas apresentadas em Davos. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, classificou o projeto americano como “amorfo” em sua atual concepção. Por meio de porta-vozes, a organização ressaltou que o Conselho de Segurança havia apoiado a iniciativa de Trump estritamente para ações pontuais em Gaza, sem estender esse mandato para uma substituição das funções globais da entidade.

No Brasil, a avaliação segue linha similar. Celso Amorim, principal assessor internacional da presidência, expressou forte desconfiança em relação à viabilidade e às intenções por trás do novo organismo. Em declaração à imprensa, Amorim afirmou que a iniciativa soa, na prática, como uma “revogação da ONU”, especialmente nas áreas sensíveis de paz e segurança. Para o ex-chanceler, é inviável considerar qualquer reforma da governança global que seja conduzida unilateralmente por um único país, ignorando o debate coletivo.

Annalena Baerbock, presidente da Assembleia Geral, reforçou o coro dos descontentes ao lembrar que o mundo já dispõe de uma organização com mandato legítimo para a segurança internacional. A resistência europeia e o posicionamento firme do eixo Brasil-China indicam que o caminho para a consolidação de estruturas paralelas será repleto de obstáculos diplomáticos.

China busca posição de âncora estabilizadora

Enquanto os Estados Unidos apostam em rupturas, a China utilizou o palco de Davos para se projetar como uma “âncora estabilizadora”. O governo chinês reiterou sua disposição em trabalhar com todas as partes para reduzir diferenças por meio do diálogo e cumprir compromissos com ações concretas.

Ao defender o papel da ONU, Pequim não apenas protege o status quo diplomático, mas também se coloca como a voz da razão e da previsibilidade. A parceria com o Brasil, neste contexto, serve para amplificar essa mensagem, sugerindo que o futuro da governança global passa necessariamente pela inclusão e pelo respeito às instituições que, desde 1945, buscam mediar os conflitos entre as nações.

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