O caso do banco master ganhou novos e alarmantes capítulos nas últimas semanas, ampliando o cerco da Polícia Federal contra figuras de peso do mercado financeiro nacional. O que começou como uma investigação centrada no banqueiro Daniel Bueno Vorcaro agora se desdobra em múltiplas frentes, atingindo executivos, um líder religioso e grandes investidores. No centro das apurações da Operação Compliance Zero está a suspeita de uma organização criminosa que teria articulado fraudes bilionárias, gerando apreensão sobre um possível rombo de R$ 47 bilhões no sistema financeiro.
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A complexidade da investigação reside nas conexões entre o banco e outras instituições, além da venda supostamente fraudulenta de carteiras de crédito ao Banco de Brasília (BRB). Enquanto a defesa dos acusados nega veementemente as irregularidades, alegando inocência e solidez financeira, os investigadores apontam para um esquema sofisticado que permitiu o crescimento acelerado do conglomerado. Para entender a dimensão deste escândalo, é fundamental conhecer quem são os protagonistas que entraram na mira das autoridades.
Daniel Vorcaro é o pivô das investigações

Apontado como o líder do esquema, o mineiro Daniel Bueno Vorcaro, de 42 anos, é a figura central do caso do banco master. Sua trajetória no comando da instituição começou em 2017, quando assumiu o antigo Banco Máxima. Sob sua gestão, o banco adotou uma estratégia agressiva de expansão, oferecendo CDBs com rendimentos muito acima da média de mercado (entre 130% e 140% do CDI), o que atraiu milhares de investidores.
Vorcaro foi preso em novembro de 2024, na primeira fase da operação, quando tentava embarcar em um jato privado para Dubai. A Polícia Federal suspeita que ele liderou a venda de carteiras de crédito falsas (“podres”) ao BRB, uma transação que envolveria R$ 12,2 bilhões. Embora tenha sido solto dias depois e negue as acusações, afirmando que seu plano de negócios era “100% baseado no FGC” (Fundo Garantidor de Créditos), o banqueiro teve bens apreendidos e sua gestão segue sob intenso escrutínio. Seu estilo de vida luxuoso, incluindo festas milionárias e trânsito livre entre políticos em Brasília, também chamou a atenção dos investigadores.
O envolvimento de Fabiano Zettel no caso do banco Master

A segunda fase da operação, deflagrada em meados de janeiro, trouxe à luz o nome de Fabiano Campos Zettel. Pastor evangélico, empresário e cunhado de Vorcaro, Zettel foi detido no Aeroporto de Guarulhos prestes a viajar para os Emirados Árabes. Embora a decisão judicial não tenha detalhado crimes específicos no momento da prisão, a PF aponta que suas atividades empresariais estariam ligadas a ilícitos contra o Sistema Financeiro Nacional.
Zettel é conhecido por ser um grande doador de campanhas políticas conservadoras e por sua atuação na Moriah Asset. Sua defesa alega que suas atividades são lícitas e desvinculadas da gestão do banco, mas sua proximidade familiar e financeira com Vorcaro o colocou no epicentro das diligências.
Reag Investimentos, João Carlos Mansur e a suspeita de fraudes cruzadas

Outro personagem relevante alcançado pelas investigações é João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos. A gestora, que administrava quase R$ 300 bilhões em fundos, foi liquidada pelo Banco Central um dia após Mansur ser alvo de buscas. As autoridades suspeitam que a Reag tenha sido utilizada para inflar resultados do Banco Master e ocultar riscos, numa prática de gestão fraudulenta cruzada.
Além das conexões com o caso Master, Mansur já havia sido citado na Operação Quasar, que investiga o uso de fundos de investimento para lavagem de dinheiro de facções criminosas. A empresa nega irregularidades e repudia as associações feitas pela imprensa, mas a liquidação da gestora marca um ponto de inflexão na credibilidade das operações ligadas ao grupo.
Nelson Tanure citado como suposto sócio oculto

Um dos nomes mais surpreendentes a surgir no inquérito é o do megainvestidor Nelson Tanure. Conhecido por recuperar empresas em crise, Tanure foi alvo de buscas e teve bens bloqueados. Segundo informações vazadas da investigação, a Procuradoria-Geral da República o descreve como um possível “sócio oculto” nos negócios de Vorcaro, exercendo influência através de estruturas societárias complexas.
Tanure, que possui participações em gigantes como Light e Prio, negou qualquer papel de controle ou sociedade no extinto Banco Master através de uma carta pública. Contudo, sua inclusão no rol de investigados demonstra que a PF busca alcançar não apenas os executores diretos, mas também os possíveis financiadores e beneficiários ocultos do esquema.
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