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A estratégia russa de usar o frio extremo como arma contra a Ucrânia

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O rigoroso inverno do Leste Europeu deixou de ser apenas um desafio sazonal para se transformar em um elemento central no conflito atual. A estratégia russa de usar o frio extremo como arma contra a Ucrânia intensificou-se neste início de 2026, com investidas sistemáticas contra a infraestrutura vital do país. Enquanto os termômetros despencam para marcas próximas de -20 °C, centenas de milhares de civis enfrentam a escassez de eletricidade e aquecimento, em uma tática que visa desestruturar a resiliência da população diante da paralisia dos serviços básicos.

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O papel do “General Inverno” no cenário atual

Historicamente conhecido como “General Inverno”, o clima gélido da região já foi o grande aliado de Moscou em vitórias memoráveis contra as tropas de Napoleão e as divisões nazistas. No entanto, o contexto contemporâneo apresenta uma mutação dessa força natural. Hoje, a ofensiva não mira apenas exércitos em campo, mas o cotidiano de cidades inteiras. Através de ataques precisos com mísseis e drones, o objetivo parece ser o desmantelamento gradual da rede elétrica, forçando o governo ucraniano a lidar com crises humanitárias sucessivas em meio à pressão militar.

Leia também: Ataque russo na Ucrânia deixa milhões sem luz e aquecimento

Especialistas apontam que o conhecimento profundo que a Rússia possui sobre o sistema energético ucraniano — herança do período soviético, quando as redes eram integradas — facilita a identificação de pontos críticos. Essa vulnerabilidade técnica torna a recuperação da infraestrutura uma corrida contra o tempo, muitas vezes frustrada por novas ondas de ataques que ocorrem logo após o restabelecimento dos serviços.

Impacto direto na população e na infraestrutura

Em grandes centros como Kiev e Dnipro, a realidade é de adaptação forçada. Cortes rotativos de energia chegam a durar 18 horas diárias, e o zumbido de geradores tornou-se a trilha sonora constante das ruas comerciais. O impacto é severo:

  • Setor Residencial: Milhares de edifícios perdem calefação simultaneamente, tornando as casas inabitáveis sob temperaturas negativas.

  • Saúde e Educação: Hospitais e escolas dependem quase exclusivamente de doações internacionais e sistemas de energia renovável improvisados.

  • Economia Local: Os custos de importação de energia e os reparos constantes já ultrapassam a marca de 1 bilhão de dólares, forçando o aumento das tarifas para o consumidor final.

A ocupação da usina nuclear de Zaporíjia, logo no início do conflito, foi o primeiro grande golpe nessa guerra energética. Sendo a maior da Europa, sua retirada do sistema nacional privou a Ucrânia de um quarto de sua capacidade elétrica, gerando um vácuo que as centrais térmicas e hidrelétricas restantes não conseguem preencher totalmente sob bombardeio.

Resiliência e a resposta da comunidade internacional

Diante da estratégia russa de usar o frio extremo como arma contra a Ucrânia, a União Europeia e organizações humanitárias têm mobilizado recursos emergenciais. A entrega de milhares de geradores e a instalação de painéis solares em áreas críticas tentam mitigar o sofrimento civil. Além disso, o bloco europeu acelerou sua independência energética, reduzindo a dependência do gás russo de 40% para 13%, com planos de banimento total até 2027.

Enquanto Kiev e Moscou ensaiam negociações diplomáticas sob mediação internacional, a tática do terror climático é vista por analistas como uma ferramenta de pressão para forçar uma rendição ou concessões territoriais. Para a população local, resta a resistência através de redes de solidariedade, transformando estações de metrô em abrigos aquecidos e mantendo a esperança de que o fim da estação gelada traga também um alívio nas hostilidades.

A Organização das Nações Unidas, através de seus braços de direitos humanos, mantém o alerta de que o ataque sistemático a infraestruturas civis configura uma violação das regras de guerra. Com mais de 15 mil mortes civis registradas desde 2022, o custo humano deste inverno ameaça ser o mais alto da década se a diplomacia não superar o gelo das trincheiras.

Criatividade e união: a resposta ucraniana para vencer o gelo

Diante da paralisia dos sistemas centrais, os cidadãos de Kiev e outras cidades transformaram a sobrevivência em uma demonstração de engenhosidade. Para combater a estratégia russa de usar o frio extremo como arma contra a Ucrânia, as famílias têm adotado táticas que misturam o improviso com a solidariedade comunitária:

  • Pequenas fontes de calor: O uso de velas artificiais alimentadas por USB, lanternas de campismo e camadas de roupas térmicas tornou-se o novo padrão nos lares. Relatos apontam até o “uso” de animais de estimação, como gatos, como fontes naturais de calor durante o sono.

  • Adaptação de moradia: Muitas famílias estão se mudando temporariamente para casas de campo (as tradicionais dachas) que possuem fogões a lenha ou aquecedores a gás independentes da rede elétrica. Aqueles que permanecem nos centros urbanos aproveitam descontos em hotéis de regiões menos atingidas, como Lviv, que oferecem refúgio a preços solidários.

  • Resistência Psicológica: Além dos geradores que agora pontilham as calçadas, os ucranianos mantêm a moral elevada através da prática de exercícios físicos dentro de casa para gerar calor corporal e melhorar o humor durante os longos períodos de escuridão.

  • Solidariedade Comercial: Cafeterias e pequenas lojas com geradores próprios tornaram-se “portos seguros”, onde vizinhos se reúnem não apenas para carregar aparelhos, mas para compartilhar informações e apoio emocional.

Essa mobilização civil demonstra que, embora a infraestrutura física possa ser danificada, a rede de apoio social permanece intacta, servindo como o principal escudo contra a tentativa de desmoralização planejada por Moscou.

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