A recente menção ao interesse americano na Groenlândia não é apenas um fato isolado, mas o eco de uma estratégia de expansão que definiu o mapa das Américas. A compra de territórios pelos Estados Unidos foi, por mais de um século, uma ferramenta diplomática e econômica essencial para transformar uma jovem república costeira em uma potência de escala continental. Diferente das conquistas puramente militares, essas transações envolveram negociações complexas com potências europeias e vizinhos em dificuldades financeiras.
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Entender como o governo de Washington utilizou o tesouro nacional para adquirir terras é mergulhar em um tabuleiro geopolítico onde cada quilômetro quadrado tinha um valor estratégico. De Napoleão Bonaparte aos czares russos, o destino de vastas regiões foi decidido em mesas de negociação que mudaram o curso da história mundial. Veja agora os 5 territórios comprados pelos EUA ao longo da história
1. A Louisiana e o salto para o Oeste (1803)

O primeiro e mais emblemático capítulo dessa jornada ocorreu sob a presidência de Thomas Jefferson. Em 1803, o mundo testemunhou o que muitos chamam de “o negócio do século”. Napoleão Bonaparte, precisando de recursos para financiar suas guerras na Europa e após fracassar em manter o controle sobre o Haiti, decidiu vender todo o território da Louisiana.
Por US$ 15 milhões, os Estados Unidos adquiriram uma área de mais de 2 milhões de quilômetros quadrados, praticamente dobrando o tamanho da nação. Essa compra de territórios pelos Estados Unidos garantiu o controle absoluto sobre o Rio Mississippi e o porto de Nova Orleans, removendo a influência francesa do coração da América do Norte e abrindo caminho para a futura expansão rumo ao Pacífico.
2. A Cessão Mexicana de 1848

Na década de 1840, o conceito de “Destino Manifesto” dominava a política americana, pregando que o país deveria se estender de costa a costa. Após o fim da guerra entre EUA e México, o Tratado de Guadalupe Hidalgo selou a transferência de uma área imensa, que hoje compreende estados como Califórnia, Nevada, Utah e partes do Arizona e Novo México.
Embora tenha ocorrido após um conflito armado, o governo americano pagou US$ 15 milhões ao México pelo território. Foi uma transação complexa: para o México, uma mutilação territorial traumática; para os EUA, a garantia de acesso aos portos de águas profundas do Pacífico, vitais para o comércio com a Ásia.
3. A Compra de Gadsden ou Venda de La Mesilla (1853)

Apenas cinco anos após a cessão de 1848, uma nova negociação ocorreu entre Washington e a Cidade do México. Os Estados Unidos tinham um interesse específico em uma faixa de terra ao sul do Arizona e do Novo México para a construção de uma ferrovia transcontinental.
O terreno montanhoso do norte dificultava os trilhos, e a região de La Mesilla oferecia a topografia perfeita. Por US$ 10 milhões, o governo mexicano, em meio a crises políticas e financeiras, aceitou ceder a área. Esse episódio marcou o ajuste final das fronteiras continentais dos Estados Unidos no sul.
4. O Alasca e a visão estratégica de Seward (1867)

Muitas vezes ridicularizada na época como a “loucura de Seward”, a compra do Alasca da Rússia czarista por US$ 7,2 milhões é hoje considerada uma das maiores jogadas de mestre da diplomacia americana. A Rússia, vendo o território como um fardo administrativo e temendo perdê-lo para os britânicos, viu na venda uma saída honrosa.
Décadas depois, a descoberta de jazidas massivas de ouro e, posteriormente, de petróleo, além da posição geográfica crucial durante a Guerra Fria, provou que a compra de territórios pelos Estados Unidos no Ártico foi um investimento com retorno incalculável, tanto econômico quanto militar.
5. As Ilhas Virgens Americanas (1917)

A última grande aquisição territorial ocorreu em pleno cenário da Primeira Guerra Mundial. Temendo que a Dinamarca fosse ocupada pela Alemanha e que as ilhas caribenhas servissem de base para submarinos inimigos, os EUA pressionaram pela compra das chamadas Índias Ocidentais Dinamarquesas.
O acordo foi fechado por US$ 25 milhões e garantiu a segurança das rotas marítimas próximas ao Canal do Panamá. Curiosamente, este é o mesmo país — a Dinamarca — que hoje detém a Groenlândia, mostrando que o interesse americano em terras estratégicas para a segurança nacional é um fio condutor que atravessa séculos.
O legado das fronteiras negociadas
Essas cinco aquisições demonstram que a construção de uma nação nem sempre se dá pelo campo de batalha. A habilidade de identificar oportunidades em momentos de crise global permitiu aos Estados Unidos consolidarem recursos e posições defensivas que sustentam sua influência até os dias atuais. Cada uma dessas transações deixou um legado duradouro na cultura, na economia e na geopolítica do hemisfério ocidental.
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