A gordura no fígado, condição clinicamente conhecida como esteatose hepática, já afeta aproximadamente quatro em cada dez brasileiros, segundo estimativas recentes de especialistas. Embora seja uma patologia cada vez mais frequente nos consultórios, o diagnóstico precoce enfrenta um desafio significativo: o silêncio do órgão. Em suas fases iniciais, o acúmulo de lipídios nas células hepáticas ocorre de maneira lenta e gradual, apresentando manifestações clínicas extremamente discretas ou, em muitos casos, inexistentes.
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O hepatologista Rodrigo Rêgo Barros esclarece que o fígado raramente manifesta dor, o que reforça a necessidade de exames preventivos. O monitoramento deve ser rigoroso, especialmente para os grupos de risco compostos por indivíduos com obesidade, diabetes, hipertensão ou desequilíbrios nos níveis de colesterol. Quando negligenciada, a evolução do quadro pode resultar em complicações severas, como fibrose, cirrose e até a falência funcional do órgão.
Identifique os sinais de alerta da esteatose hepática
Embora o fígado seja resiliente, quadros mais avançados de gordura no fígado começam a emitir sinais que não devem ser ignorados. Quando o acúmulo de gordura atinge níveis críticos, o corpo sinaliza a sobrecarga por meio de sintomas que, embora comuns a outras condições, merecem investigação médica detalhada.
Os principais indícios relatados por pacientes incluem um cansaço persistente que não cede mesmo após períodos de repouso e um desconforto ou dor leve localizado no quadrante superior direito do abdômen. Além disso, a saúde digestiva costuma ser afetada, apresentando náuseas, enjoos frequentes após as refeições e uma sensação constante de estômago pesado ou inchaço abdominal.
A dificuldade em processar alimentos gordurosos e a percepção de uma “má digestão” crônica são queixas recorrentes. No campo laboratorial, a confirmação frequentemente surge através da alteração das enzimas hepáticas em exames de sangue, especificamente nos marcadores TGO, TGP e GGT.
Mudança de hábitos é o pilar central do tratamento
Diferente de outras patologias que contam com protocolos medicamentosos específicos, o tratamento para a infiltração gordurosa no fígado é essencialmente comportamental. Especialistas são unânimes ao afirmar que a reversão do quadro depende diretamente da modificação do estilo de vida.
A endocrinologista Marília Bortolotto, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo (SBEM-SP), destaca que a redução de apenas 7% do excesso de peso corporal já é capaz de promover benefícios clínicos mensuráveis. O foco deve estar na constância e na adoção de uma dieta equilibrada, priorizando o consumo de “comida de verdade” — como legumes, grãos integrais e proteínas magras — em detrimento de alimentos ultraprocessados, açúcares refinados e farinhas brancas.
A prática regular de atividades físicas, combinando exercícios aeróbicos como caminhada e natação com treinos de força, auxilia o metabolismo a utilizar o estoque de gordura como fonte energética. Paralelamente, a interrupção ou redução drástica do consumo de álcool é fundamental, uma vez que as bebidas alcoólicas sobrecarregam as funções hepáticas já comprometidas.
Estratégias para a saúde metabólica e regeneração hepática
Para reverter o acúmulo lipídico, o planejamento das refeições desempenha um papel crucial. Recomenda-se que metade do prato seja composta por vegetais, reservando as demais partes para carboidratos de baixo índice glicêmico e proteínas de alta qualidade. Além da nutrição, a higiene do sono é um fator frequentemente subestimado; noites mal dormidas desregulam o metabolismo hormonal, dificultando a recuperação do órgão.
O acompanhamento médico periódico é indispensável para monitorar a glicose, o colesterol e a pressão arterial, além de revisar o uso de suplementos e remédios que possam ser hepatotóxicos. Com mudanças consistentes, a melhora clínica pode ser observada em um período de três a seis meses, devolvendo ao fígado sua plena capacidade de processamento e filtragem.
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