Com aportes na modernização de sua fábrica no polo industrial, marca secular também retoma presença no varejo de grande volume.
Um investimento de aproximadamente R$ 50 milhões aplicado nos últimos sete anos transformou a fábrica da Caloi no Polo Industrial de Manaus (PIM). Os recursos foram direcionados para a modernização completa da infraestrutura amazonense, preparando a unidade para impulsionar uma nova fase de expansão focada no avanço das bicicletas elétricas e na retomada do mercado de grande volume.
“Temos como um dos pilares para o crescimento da Caloi, a bike elétrica”, afirmou o diretor industrial da Caloi, Átila Valadares, em entrevista exclusiva à PIM Amazônia.
A projeção da empresa aponta que, até 2027, as bicicletas elétricas devem responder por cerca de 12% da produção total na capital do Amazonas. Presente na Zona Franca desde 1975, a fábrica conta com investimentos do grupo holandês Pon Holdings, que adquiriu a marca em 2022 e equiparou a planta local ao nível de excelência europeu. De origem brasileira e fundada por Luigi Caloi, a empresa pertencia anteriormente à canadense Dorel Sports desde 2013.
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Modernização tecnológica e estrutura em Manaus
O montante investido no polo fabril permitiu a aquisição de maquinário moderno, incluindo corte a laser, novas células de soldagem, linha de pintura líquida, tratamento térmico, montagem automática de rodas e melhorias em ergonomia e refrigeração.
“Visitei fábricas na China e na Holanda. Em termos de tecnologia, não deixamos nada a desejar”, destaca Átila Valadares. “A tecnologia dos equipamentos é praticamente a mesma”, afirma o executivo.
Instalada em uma área de 33 mil metros quadrados, a unidade opera em três turnos e possui capacidade para fabricar até 600 mil bicicletas anualmente. A empresa emprega cerca de 400 pessoas, somando a equipe fabril de Manaus e os colaboradores do escritório em São Paulo. O complexo abriga todas as etapas da produção, desde o corte e estampagem dos tubos até a montagem final.
A infraestrutura renovada suporta lançamentos como a E-Vibe Lift, que teve a primeira remessa esgotada após o lançamento em julho. A empresa também apresenta na Shimano Fest, em São Paulo, duas versões elétricas da Mobylette, modelo histórico lançado originalmente em 1975 e que teve uma passagem no mercado em 2022. O modelo de entrada conta com quadro de aço, velocidade de até 32 km/h e 60 km de autonomia por carga, enquanto uma versão com quadro de alumínio será lançada posteriormente.
“Eu e a diretoria estamos muito confiantes com este novo momento”, afirma o diretor industrial.
Aumento da produção elétrica no Polo Industrial
A aposta da Caloi reflete o ritmo de transformação do setor no Amazonas. Dados das associadas da Abraciclo mostram que a produção de bicicletas elétricas no PIM cresceu 77,3% em 2026, alcançando 43.107 unidades. A categoria passou a representar 21,5% do total de bicicletas fabricadas no polo, ocupando a segunda posição no volume de produção.
Atualmente, duas em cada dez bicicletas que saem das fábricas manauaras são elétricas. No total, o segmento de Duas Rodas produziu 200 mil unidades no polo desde janeiro. Das 14 fabricantes acompanhadas pela Suframa na cidade, apenas uma ainda não produz modelos elétricos. O parque fabril reúne marcas como Caloi, Specialized, Sense e Oggi, apontada como líder entre as associadas da Abraciclo.
O movimento atrai novos players para a região. A Colli Bike, maior fabricante da América Latina, confirmou na Eletrolar Show a abertura de uma unidade em Manaus voltada inicialmente para a linha elétrica. A Specialized também apresentou à comitiva da Suframa planos para expandir sua capacidade produtiva local, onde já atua há seis anos.
Retomada do varejo e cenário nacional
Além do avanço elétrico, a Caloi reformulou sua estratégia comercial no segundo trimestre de 2026 para reestruturar a presença no varejo. Em 2022, a marca havia direcionado o foco para modelos premium de alto valor agregado, fabricados em alumínio e carbono para lojas especializadas.
A nova diretriz busca recuperar o mercado de grande volume sem deixar de lado os modelos de alto valor. Para sustentar essa volta, a empresa fez contratações estratégicas e reaproximou comerciais de antigos parceiros.
“Continuamos com as bikes de alto valor agregado. Mas vamos focar muito nesses dois pilares: bike elétrica e bike de varejo”, afirmou Valadares. “Percebemos que o mercado sabe da nossa volta e enxerga isso com visões diferentes. Do lado do cliente, com alegria, com a busca por Caloi de novo. Do lado do concorrente, nem tanto”, disse o diretor.
O Brasil se consolida como o quarto maior produtor mundial de bicicletas, com volume anual estimado em 4 milhões de unidades, das quais 500 mil saem do Polo Industrial de Manaus através das associadas da Abraciclo. Embora o mercado não disponha de dados oficiais de participação por marca, a Caloi confia na força histórica da empresa para liderar esse novo momento.
“Todo mundo tem uma história com a Caloi. E aqui tem pessoas boas para construir esse cenário de novo. Tem uma fábrica que está muito bem preparada”, pontua Átila Valadares.
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