InícioPílulas do PoderPílulas do Poder: Candidatos à Presidência ignoram crise climática

Pílulas do Poder: Candidatos à Presidência ignoram crise climática

Publicado em

Publicidade

A menos de um mês do primeiro turno, a maioria dos presidenciáveis trata a crise climática como assunto de outra pauta. É o que mostra a análise do Observatório do Clima divulgada nesta quinta-feira (10), que radiografou os planos de governo dos seis candidatos com mais de 1% nas pesquisas a partir de 28 itens da agenda socioambiental. O retrato é de silêncio. Num ano em que a rede mundial de atribuição, citada pelo próprio Observatório, calculou que os incêndios queimaram mais de 150 milhões de hectares no planeta entre janeiro e abril, o equivalente a incendiar todo o estado do Amazonas, o quinto maior emissor do mundo escolhe presidente quase sem falar de clima.

📲Quer receber notícias direto no celular? Entre no nosso grupo no WhatsApp.

O que cada plano oferece:

Lula (PT) tem o programa mais bem avaliado, com um capítulo próprio de meio ambiente e 16 compromissos considerados positivos. Traz a nova NDC, com meta de cortar de 59% a 67% das emissões até 2035, o Acordo de Paris, o compromisso de zerar o desmatamento líquido até 2030 e a continuidade das demarcações indígenas. O ponto fraco é energia, onde os recordes de petróleo e gás convivem com o discurso de transição.

Flávio Bolsonaro (PL), segundo colocado nas pesquisas, aparece no extremo oposto, com apenas um compromisso positivo e sete propostas classificadas como antiambientais. O plano sequer reconhece a existência da crise climática, não menciona metas de emissão nem a NDC, dobra a aposta em fósseis com a liberação do fracking e limita a meta ao desmatamento “ilegal”, deixando de fora a vegetação que ainda pode ser derrubada com autorização.

Augusto Cury (Avante) reconhece as mudanças climáticas, mas não estrutura uma política para enfrentá-las. Promete transformar o Brasil na maior potência em energia limpa e liderar o hidrogênio verde, sem propor reduzir os combustíveis fósseis. A agenda ambiental aparece subordinada à modernização econômica.

Renan Santos (Partido Missão) não menciona a agenda de clima. Fala em valorizar a matriz renovável, retomar Angra 3 e olhar a fusão nuclear, ao mesmo tempo em que propõe um marco para a mineração em terras indígenas. Responde a uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal em agosto, por publicações que o órgão considerou discriminatórias contra etnias do Baixo Tapajós.

Ronaldo Caiado (União Brasil) entrega um plano mais verde que o próprio histórico, reconhece a crise climática e propõe adaptação, mas sem meta de emissões nem referência à NDC, com o petróleo tratado como pilar da matriz. O contraste fica com sua gestão em Goiás, marcada pela flexibilização do licenciamento ambiental.

Romeu Zema (Novo) concentra as propostas na flexibilização de regras para acelerar investimentos e projetos, com pouca salvaguarda socioambiental. O número que o persegue é do próprio governo em Minas, onde a verba de prevenção a impactos das chuvas caiu 96% entre 2023 e 2025, de R$135 milhões para R$6 milhões.

O padrão que atravessa quase todos os planos, com exceção do de Lula, é o mesmo, tratar o licenciamento ambiental como burocracia a ser acelerada e a natureza como ativo econômico a destravar. A agenda climática não é combatida no debate, ela some dele.

O Brasil sediou a COP30 em Belém, dentro da Amazônia, em novembro passado, e quem vencer em outubro representará o país na COP31, em Antalya, na Turquia, em novembro deste ano, quando será cobrado dos resultados prometidos em solo amazônico. A votação, enquanto isso, ocorre no auge da estação seca da floresta, período em que o fogo historicamente avança e que, em 2026, começou acima da média recente, segundo o Observatório do Clima e o Inpe. A floresta que deu o palco à diplomacia climática brasileira mal aparece na disputa por quem vai governá-la.

Leia mais:
Fachin desarma o inquérito de Moraes a três semanas das eleições
Meta chega ao TSE mais dura no papel do que a regra manda
Vitória de Omar Aziz no governo do Amazonas abriria vaga no Senado até 2031

Siga nosso perfil no InstagramTiktok e curta nossa página no Facebook

spot_img

Últimas Notícias

Roberto Cidade defende concursos, qualificação técnica e novas matrizes para gerar empregos no Amazonas

Em sabatina, candidato propôs alinhamento de UEA e Cetam ao mercado, valorização do Polo...

Fundação Dr. Thomas abre 40 vagas com salários de até R$ 4,6 mil em Manaus

Processo seletivo oferece oportunidades para profissionais de enfermagem e fisioterapia, com inscrições gratuitas até...

Honda supera 1 milhão de motos emplacadas em oito meses e bate recorde

Marca alcançou mais de 1,03 milhão de registros entre janeiro e agosto de 2026,...

Teorias da conspiração sobre o 11 de Setembro ainda circulam 25 anos depois

As teorias da conspiração sobre o 11 de Setembro continuam populares 25 anos após...

Mais como este

Pílulas do Poder: Fachin desarma o inquérito de Moraes a três semanas das eleições

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, divulgou nesta quarta-feira (9), três...

Pílulas do Poder: Meta chega ao TSE mais dura no papel do que a regra manda

A Meta apresentou nesta semana ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) seu plano de conformidade...

Pílulas do Poder: Vitória de Omar Aziz no governo do Amazonas abriria vaga no Senado até 2031

A eventual eleição de Omar Aziz (PSD) ao governo do Amazonas abriria uma vaga...