Faturamento do PIM chegou a R$ 143 bilhões no acumulado do ano, enquanto indústria monitora juros, contas públicas e consumo no fim de 2026
O Polo Industrial de Manaus registrou crescimento de 17% no faturamento em relação ao mesmo período do ano passado e chegou a R$ 143 bilhões no acumulado de 2026. Apesar do avanço da atividade industrial, representantes do setor acompanham com atenção o comportamento dos juros, a situação fiscal brasileira e as oscilações da economia internacional.
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Os dados foram apresentados nesta segunda-feira (5), durante a 22ª Reunião de Análise da Conjuntura Econômica Brasil-Amazonas, promovida pelo Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam). O encontro reuniu empresários, associados e especialistas para avaliar o desempenho da economia e as perspectivas para os últimos meses do ano.
Na abertura, o presidente executivo do Cieam, Lúcio Flávio Morais de Oliveira, destacou a importância do acompanhamento dos indicadores econômicos para o planejamento das empresas instaladas no Amazonas.
Segundo ele, as mudanças no cenário nacional e internacional podem influenciar diretamente as decisões do setor produtivo.
“Acompanhar de perto os desdobramentos globais e o ritmo do mercado nacional é fundamental para entender o momento do Polo Industrial de Manaus. O Cieam segue vigilante e atuante para que as nossas indústrias tenham previsibilidade diante dos desafios fiscais e macroeconômicos”, afirmou.
Juros e cenário internacional entram no radar
Durante o encontro, o economista e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Márcio Holland, apresentou uma análise do cenário macroeconômico e chamou atenção para o comportamento das taxas de juros futuras, o nível de endividamento público e a volatilidade dos mercados internacionais.
De acordo com Holland, fatores como a cotação do petróleo próxima de US$ 100 por barril e o aumento das curvas de juros em economias desenvolvidas ampliam a necessidade de cautela.
“Não vivemos numa ilha isolada. O que acontece lá fora impacta aqui dentro, e o que acontece na política impacta nas curvas de juros e nos prêmios de risco”, declarou.
As condições de financiamento e o comportamento das contas públicas estão entre os fatores acompanhados pela indústria porque podem afetar investimentos, custos empresariais e decisões de consumo.
Faturamento do PIM chega a R$ 143 bilhões
Os números da atividade industrial foram apresentados pelo professor e coordenador da Área de Indicadores do Cieam, André Costa.
Segundo os dados divulgados durante a reunião, o Polo Industrial de Manaus faturou quase R$ 21 bilhões apenas em julho. No acumulado do ano, o resultado chegou a aproximadamente R$ 143 bilhões.
O desempenho representa avanço de 17% em relação ao mesmo período de 2025.
Entre os segmentos que contribuíram para o crescimento estão o de duas rodas e o setor mecânico. No segmento de motocicletas, a demanda continua sendo impulsionada também pelo uso dos veículos como instrumento de trabalho e geração de renda.
Já a indústria mecânica apresenta movimento de recuperação, acompanhado de ajustes nos estoques.
Consumo no fim do ano pode influenciar desempenho
Para os últimos meses de 2026, o comportamento da indústria amazonense deverá depender, entre outros fatores, da capacidade de consumo das famílias e do desempenho das vendas de fim de ano.
O último trimestre tradicionalmente concentra datas importantes para o comércio e pode ajudar a definir se o ritmo de crescimento observado ao longo do ano será mantido.
O setor industrial também continuará acompanhando indicadores como juros, inflação, crédito e situação fiscal do país, considerados relevantes para decisões de produção e investimento.
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