Defesa da esposa de Maduro solicitou prisão domiciliar para procedimento cardíaco, mas magistrado apontou solidez das acusações e risco de fuga
O juiz distrital dos Estados Unidos Alvin Hellerstein negou, nesta quinta-feira (8), o pedido de liberdade sob fiança apresentado pela defesa de Cilia Flores, esposa do presidente venezuelano Nicolás Maduro. Os advogados alegaram que ela precisa realizar um procedimento cardíaco e solicitaram que Flores pudesse deixar a prisão antes do julgamento por motivos de saúde.
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A defesa propôs que Cilia Flores fosse transferida para uma residência na região de Nova York, onde permaneceria sob segurança privada durante 24 horas por dia. Segundo os advogados, ela não representaria risco para a comunidade e poderia se recuperar em um ambiente mais confortável.
Hellerstein, responsável pelo processo contra Maduro e Flores, porém, considerou que as provas apresentadas contra a ex-primeira-dama venezuelana parecem robustas e decidiu manter a prisão.
Juiz considera estado de saúde de Cilia Flores
Ao justificar a decisão, o magistrado também afirmou que Cilia Flores aparentava estar em condições de saúde relativamente boas.
“Seja como for, sua aparência hoje não está pior — e talvez esteja até um pouco melhor — do que quando a vi pela primeira vez na audiência de acusação”, afirmou Hellerstein, ao comparar a situação atual com a primeira audiência de Flores, realizada em 5 de janeiro.
O juiz acrescentou que, naquela ocasião, ela ainda apresentava curativos decorrentes da invasão militar.
Os promotores da Procuradoria dos Estados Unidos em Manhattan se manifestaram contra a libertação. Segundo eles, Cilia Flores tem recebido atendimento médico adequado no centro de detenção.
A acusação também classificou como “extremo” o risco de fuga e de perigo para o público caso ela seja libertada. Os promotores citaram ainda a possibilidade de intimidação de testemunhas.
A decisão de Hellerstein sobre a prisão preventiva não altera a realização do julgamento de Cilia Flores nem interfere em uma eventual sentença que venha a ser determinada posteriormente.
Acusações contra Cilia Flores envolvem propina
Antes de se tornar primeira-dama da Venezuela, Cilia Flores ocupou cargos de destaque no país. Ela foi procuradora-geral da Venezuela e também presidiu a Assembleia Nacional.
Promotores norte-americanos afirmam que Flores recebeu centenas de milhares de dólares em propina de um grande traficante de drogas. As acusações fazem parte do processo criminal conduzido nos Estados Unidos.
Maduro e Flores são alvo de novas acusações
Também nesta quinta-feira (8), promotores de Nova York apresentaram novas acusações contra Nicolás Maduro e Cilia Flores.
Segundo a nova denúncia, os dois são acusados de envolvimento em uma suposta conspiração para cometer tortura contra americanos e outras pessoas que teriam sido mantidas sob custódia do regime venezuelano nos últimos anos.
A nova acusação acrescenta uma denúncia de conspiração para cometer tortura ao processo que já envolve o casal.
As novas acusações eram esperadas. A informação havia sido divulgada inicialmente na quarta-feira (7), antes da apresentação formal da denúncia pelos promotores de Nova York.
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