O papel de Bolsonaro nas eleições estaduais ganha um novo capítulo nesta quarta-feira (4), quando o ex-presidente será consultado para mediar impasses estratégicos em redutos fundamentais da direita brasileira. Mesmo sob custódia, sua influência permanece como o fiel da balança para as composições partidárias em São Paulo, no Distrito Federal e em Santa Catarina, onde o Partido Liberal (PL) busca consolidar palanques fortes para 2026. A decisão impacta diretamente a arquitetura política nacional, pois define quem ocupará espaços de prestígio no Senado e nos governos locais.
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O impasse em São Paulo e a resistência de Tarcísio
O maior colégio eleitoral do país, São Paulo, apresenta um dos cenários mais complexos para a cúpula do PL. Com a decisão de Eduardo Bolsonaro de não concorrer a uma vaga no Senado, abriu-se um vácuo de poder que gerou divergências internas. O filho do ex-presidente manifestou apoio explícito ao deputado estadual Gil Diniz, conhecido por sua lealdade à ala mais ideológica do partido.
Entretanto, o governador Tarcísio de Freitas tem demonstrado resistência a essa indicação. Tarcísio, que transita com maior facilidade entre o eleitorado de centro, prefere um nome com perfil moderado, capaz de atrair uma base mais ampla de votos e garantir estabilidade institucional. Enquanto isso, a direção nacional da legenda ventila nomes como os deputados federais Marcos Feliciano e Cezinha Madureira, além do vice-prefeito Ricardo Mello Araújo, buscando um equilíbrio que satisfaça tanto a base bolsonarista quanto os aliados da gestão estadual.
Reviravolta no Distrito Federal após escândalo financeiro
No Distrito Federal, o cenário que parecia consolidado sofreu um abalo sísmico devido aos desdobramentos envolvendo o Banco Master. A direita brasiliense já avalia o abandono da candidatura do atual governador Ibaneis Rocha (MDB) à Casa Alta, o Senado Federal. O receio de desgaste político é latente, especialmente com as dúvidas que cercam a vice-governadora Celina Leão (PP), cuja viabilidade para a disputa ao governo distrital está sendo reavaliada sob a ótica do impacto reputacional do escândalo.
Diante dessa incerteza, a estratégia de Bolsonaro nas eleições do DF pode migrar para uma solução puramente interna e focada no Legislativo. A formação de uma “dobradinha” feminina de peso é a aposta mais provável: Michelle Bolsonaro e Bia Kicis para as duas vagas ao Senado. Essa configuração isolaria o partido de possíveis contaminações externas e fortaleceria a presença da legenda no Congresso Nacional, priorizando figuras de alta fidelidade programática.
A pressão sobre Jorginho Mello em Santa Catarina
Em Santa Catarina, estado onde o bolsonarismo possui raízes profundas, o governador Jorginho Mello (PL) enfrenta uma encruzilhada diplomática. Partidos de centro elevaram o tom e condicionam o apoio à sua reeleição à manutenção da aliança com o veterano senador Esperidião Amin (PP). Amin busca um novo mandato, mas os planos de Jorginho — orientados pelo ex-presidente — apontam para outra direção.
A proposta atual prevê uma chapa composta exclusivamente por nomes do PL para o Senado: Carlos Bolsonaro e a deputada federal Carol De Toni. Essa “dobradinha” familiar e ideológica gera apreensão na cúpula nacional do partido, que teme o isolamento político e a perda de apoios cruciais na Assembleia Legislativa catarinense. Jorginho Mello deve se reunir com Valdemar Costa Neto para buscar uma autorização judicial que permita o diálogo direto com o ex-presidente, visando pacificar a base e evitar uma debandada de aliados.
O impacto da palavra final de Bolsonaro
A consulta realizada nesta quarta-feira reforça que, independentemente da situação jurídica, o ex-presidente mantém o controle sobre a narrativa e a estratégia da direita. As decisões tomadas agora moldarão não apenas as eleições de 2026, mas a própria coesão do bloco conservador frente aos desafios do centro político e da esquerda. Para o eleitor, o resultado dessas negociações definirá se o PL seguirá um caminho de pureza ideológica ou se fará concessões em nome de coalizões mais amplas de governo.
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