A recente decisão judicial que autorizou a retomada do abate de jumentos no Brasil gerou uma onda de preocupação entre cientistas, veterinários e organizações de proteção animal. O grupo, composto por especialistas de diversas áreas, submeteu um documento técnico ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e a outros órgãos competentes, solicitando a revisão imediata da medida. O principal argumento reside nos riscos sanitários, ambientais e na ameaça de extinção da espécie no território nacional, caso a prática de exportação para o mercado asiático continue sem restrições severas.
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O embate jurídico e ético ganhou força após a suspensão de uma liminar que impedia o abate em estados como a Bahia. As entidades argumentam que a exploração desses animais não atende a uma necessidade de consumo interno, mas sim a uma demanda comercial externa, focada na extração do colágeno presente na pele dos equídeos para a fabricação de produtos da medicina tradicional chinesa.
Riscos sanitários e o perigo de novas zoonoses
Um dos pontos centrais levantados pelos especialistas no relatório é a biossegurança. O manejo inadequado e o transporte de longa distância dos animais para os frigoríficos podem facilitar a propagação de doenças graves, como o mormo e a anemia infecciosa equina. Além de comprometer a saúde animal, existe o temor de que a falta de fiscalização rigorosa possa resultar em riscos para a saúde pública humana.
A comunidade científica alerta que o ambiente de aglomeração em abatedouros, sem o devido controle de origem, é um terreno fértil para o surgimento de zoonoses. No documento enviado às autoridades, ressalta-se que a rastreabilidade dos animais é precária, dificultando a garantia de que os exemplares destinados ao abate estejam livres de patógenos que podem contaminar o solo e os recursos hídricos locais.
Impacto ambiental e a ameaça de extinção da espécie
Diferente de outras cadeias pecuárias, a criação de jumentos não possui um ciclo de reprodução rápido que suporte um abate em escala industrial. A baixa taxa de natalidade e o longo período de gestação das fêmeas tornam a reposição populacional extremamente lenta. Dados apresentados por pesquisadores indicam que, se o ritmo de exportação for mantido, a população de jumentos no Nordeste brasileiro poderá entrar em colapso em poucos anos.
Além do fator biológico, há um componente cultural e histórico. O jumento é uma figura central na formação socioeconômica da região semiárida do Brasil. A sua substituição por veículos motorizados nos últimos anos levou ao abandono de muitos animais, mas os especialistas defendem que a solução para o abandono deve ser o bem-estar e o manejo ético, e não a eliminação sistemática para fins comerciais.
A mobilização contra o abate de jumentos e o cenário jurídico
A pressão internacional também tem desempenhado um papel relevante. Organizações globais acompanham o caso brasileiro com atenção, comparando-o a outros países africanos que já proibiram a prática após perceberem danos irreversíveis às suas comunidades rurais. A expectativa dos órgãos que assinam o pedido de revisão é que o poder judiciário considere os novos dados técnicos apresentados, que não estavam disponíveis no momento da decisão anterior.
A mobilização busca não apenas a interrupção das atividades nos frigoríficos, mas a implementação de políticas públicas que promovam santuários e projetos de conservação. Enquanto o pedido aguarda nova análise, o setor produtivo defende que a atividade gera empregos e divisas, criando um cenário de polarização entre o desenvolvimento econômico de curto prazo e a preservação ambiental de longo prazo.
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