A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quarta-feira (4/3), uma nova etapa da Operação Compliance Zero, que resultou na prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A ação ocorreu em São Paulo e Minas Gerais, cumprindo determinações do Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar um esquema complexo que envolve fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e obstrução de justiça. Esta é a segunda detenção do empresário no âmbito da mesma investigação, após ter sido solto e monitorado por tornozeleira eletrônica desde novembro do ano passado.
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A decisão de prender Vorcaro novamente, autorizada pelo ministro André Mendonça, baseia-se em evidências de que o banqueiro estaria tentando interferir no andamento das apurações. Segundo os investigadores, houve uma ofensiva estruturada contra testemunhas e autoridades ligadas ao caso. Ao todo, a corporação cumpre quatro mandados de prisão e 15 de busca e apreensão, além do bloqueio judicial de ativos que podem somar até R$ 22 bilhões.
Estrutura da organização criminosa e núcleos de atuação
As investigações da Operação Compliance Zero, que contam com o suporte técnico do Banco Central, identificaram uma organização criminosa dividida em quatro núcleos distintos de atuação. O primeiro deles é o financeiro, responsável pela montagem das fraudes na instituição. O segundo é voltado à corrupção institucional, com foco na cooptação de servidores públicos.
O terceiro núcleo operava na ocultação de patrimônio e lavagem de capitais por meio de empresas de fachada. Por fim, o núcleo de intimidação e obstrução de justiça utilizava uma estrutura de vigilância privada denominada “A Turma”. Este grupo seria responsável pelo monitoramento ilegal de jornalistas, autoridades e adversários do conglomerado, operando sob coordenação direta de Vorcaro e com o apoio de seu cunhado, Fabiano Zettel, que também possui mandado de prisão em aberto.
Entenda o colapso do Banco Master e a liquidação extrajudicial
O cenário que culminou na fase atual da investigação remonta a 18 de novembro de 2025, quando o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master e outras quatro empresas do grupo. Naquela data, Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez enquanto tentava embarcar em um voo privado para os Emirados Árabes Unidos. O órgão regulador apontou três motivos fundamentais para o encerramento das atividades: crise de liquidez, violação de normas do Sistema Financeiro Nacional e comprometimento patrimonial.
Entre 2019 e 2024, a instituição financeira baseou seu crescimento em um modelo agressivo de emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs). O banco oferecia taxas de retorno muito acima da média do mercado para atrair investidores. No entanto, o custo dessa captação tornou-se insustentável quando o Master passou a ter dificuldades para honrar os juros e atrair novos recursos. Para tentar mitigar o prejuízo, o grupo vendeu carteiras de crédito consignado, mas a medida não foi suficiente para evitar o colapso.
Relações políticas e o Fundo Garantidor de Crédito
Em sua defesa prévia, Vorcaro afirmou que o Banco Master era solvente e que seu plano de negócios era amparado pelas regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que assegura depósitos de até R$ 250 mil por investidor. Segundo ele, atuar no limite das garantias do FGC era parte da estratégia comercial e não configurava ilicitude.
Além do aspecto econômico, o caso repercute em Brasília devido ao trânsito de Vorcaro em esferas políticas e jurídicas. A relatoria do processo no STF passou recentemente para o ministro André Mendonça, após o ministro Dias Toffoli se declarar impedido de seguir no caso em fevereiro. As novas diligências da Operação Compliance Zero buscam agora preservar as provas e interromper definitivamente a movimentação de ativos ligados ao esquema criminoso.
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