Departamento de Estado e Casa Branca alinham discurso de segurança nacional após a captura de Maduro e Trump declara que Washington está no comando
A situação política na Venezuela tomou novos contornos nesta segunda-feira (5), após o Departamento de Estado dos Estados Unidos publicar uma mensagem contundente nas redes sociais. Na esteira da operação que resultou na captura de Nicolás Maduro, o governo americano divulgou uma imagem do presidente Donald Trump com a legenda “Este é o NOSSO hemisfério”. A publicação, feita na rede X, destaca que a administração republicana não permitirá ameaças à segurança regional.
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A frase, que traz a palavra “nosso” destacada em vermelho na peça gráfica, foi atribuída pela Casa Branca ao secretário de Estado, Marco Rubio. Em uma série de entrevistas concedidas a veículos americanos, Rubio reforçou que o presidente mantém um compromisso inquebrantável de impedir que o Hemisfério Ocidental se torne refúgio para “regimes hostis”, traficantes de drogas ou aliados do Irã.
“O Hemisfério Ocidental é onde vivemos, e não vamos permitir que ele seja uma base de operações para adversários, concorrentes ou rivais dos Estados Unidos”
Afirmou Rubio, justificando a intervenção na Venezuela como uma medida de defesa da segurança nacional americana.
O destino de Maduro e a sucessão em Caracas
Nicolás Maduro, acusado pelos EUA de narcoterrorismo, foi transferido para Nova York acompanhado de sua esposa. Em audiência judicial realizada ontem, o líder venezuelano declarou-se inocente. Enquanto isso, em Caracas, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu como presidente interina.
A decisão foi ratificada pelo Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Venezuela e apoiada pelas Forças Armadas. O ministro da Defesa, Vladimir Padrino, confirmou em rede nacional a permanência de Rodríguez no cargo por 90 dias para garantir a “continuidade administrativa”.
Trump afirma que “nós estamos no comando”
Apesar da nomeação de Rodríguez, a retórica vinda de Washington sugere uma tutela sobre os desdobramentos na Venezuela. Ao ser questionado por jornalistas no domingo (4) sobre quem estaria governando o país sul-americano e se havia dialogado com a nova presidente interina, Donald Trump foi taxativo.
“Estamos lidando com as pessoas que acabaram de tomar posse. Não me perguntem quem está no comando, porque eu daria uma resposta e isso seria muito controverso”, disse o presidente. Pressionado a esclarecer, Trump concluiu dizendo que isso significa que “nós estamos no comando”.
Soberania ou propriedade? A ambiguidade do discurso
A ênfase gráfica dada à palavra “NOSSO” nas comunicações oficiais dos Estados Unidos, somada à declaração direta de Trump sobre estar “no comando”, levanta um debate complexo sobre a visão geopolítica de Washington. Embora o secretário Marco Rubio justifique o termo “nosso hemisfério” como o local “onde vivemos” (indicando pertencimento geográfico), a postura adotada sugere uma interpretação de posse e zona de influência exclusiva.
Resta o questionamento aos observadores internacionais se, na visão da atual administração americana, o hemisfério é “nosso” no sentido de uma comunidade de nações compartilhada onde os EUA estão inseridos como parceiros ou se a mensagem reafirma uma doutrina onde o continente PERTENCE aos Estados Unidos como uma extensão de seu território e autoridade. A linha tênue entre liderança regional e domínio territorial parece ter sido cruzada nas declarações recentes.
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