Nova projeção do ECMWF indica persistência do fenômeno durante os primeiros meses de 2027, enquanto modelo dos Estados Unidos prevê enfraquecimento mais rápido
Uma nova projeção do El Niño em 2027 indica que o fenômeno climático pode permanecer com intensidade muito forte durante os primeiros meses do próximo ano e ainda apresentar força elevada no início do outono. A estimativa é do modelo climático do European Centre for Medium-Range Weather Forecasts (ECMWF), atualizado no início de outubro.
📲Quer receber notícias direto no celular? Entre no nosso grupo no WhatsApp.
As projeções reforçam a possibilidade de persistência prolongada do atual episódio de aquecimento do Oceano Pacífico Equatorial, embora exista uma margem crescente de incerteza para os meses mais distantes.
De acordo com informações divulgadas pela MetSul Meteorologia, o sistema SEAS5 do ECMWF, inicializado em 1º de outubro de 2026, aponta que as águas do Pacífico Equatorial podem continuar excepcionalmente aquecidas durante o verão do Hemisfério Sul.
As estimativas são baseadas principalmente na temperatura da superfície do mar na região conhecida como Niño 3.4, considerada uma das principais referências para acompanhar a evolução do fenômeno.
Aquecimento pode atingir pico no fim de 2026
Grande parte das simulações do modelo europeu indica anomalias próximas ou superiores a 4°C no fim de 2026, com o pico previsto entre novembro e dezembro.
Alguns cenários chegam a projetar anomalias próximas de 4,3°C na região Niño 3.4. O patamar é considerado excepcionalmente elevado em comparação aos grandes episódios de El Niño observados anteriormente.
Após o possível pico no fim do ano, a projeção aponta redução gradual da temperatura do Pacífico Equatorial, mas em ritmo relativamente lento.
Durante janeiro e fevereiro de 2027, grande parte das simulações ainda mantém anomalias entre aproximadamente 3°C e 4°C. Para março e abril, diversos cenários continuam indicando valores entre 2,5°C e 3,5°C.
Isso significa que, de acordo com essa projeção, o fenômeno não perderia força rapidamente após o verão e poderia permanecer intenso durante parte significativa do primeiro semestre de 2027.
Os dados, entretanto, não devem ser comparados diretamente com o Índice Oceânico Niño, o ONI, utilizado pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, a NOAA. O modelo europeu utiliza como referência anomalias mensais calculadas em relação à climatologia de 1991 a 2020.
Incerteza aumenta nos meses mais distantes
Outro ponto importante é a dispersão das projeções. Quanto maior o intervalo entre a inicialização do modelo e o período analisado, maior tende a ser a diferença entre as simulações.
Isso indica aumento da incerteza principalmente nas previsões para o primeiro semestre de 2027.
Ainda assim, segundo a análise apresentada pela MetSul, chama atenção o fato de grande parte das projeções permanecer em níveis considerados de forte aquecimento durante vários meses consecutivos.
Modelo dos Estados Unidos prevê enfraquecimento mais rápido
O modelo climático norte-americano CFS, da NOAA, apresenta comportamento semelhante ao europeu para os próximos meses, mas passa a divergir quando as projeções avançam para 2027.
O sistema dos Estados Unidos também indica temperaturas extremamente elevadas no Pacífico Equatorial no fim deste ano, com grande parte das previsões apontando anomalias próximas de 3°C a 3,5°C.
O pico também aparece entre novembro e dezembro de 2026.
A diferença está principalmente na velocidade de enfraquecimento.
Enquanto o ECMWF mantém vários cenários com anomalias próximas ou superiores a 3°C até março ou abril de 2027, o modelo norte-americano aponta uma redução mais acentuada.
Pelo CFS, a anomalia poderia recuar para perto de 2°C em março, aproximar-se de 1°C em abril e maio e, em algumas simulações, chegar perto da neutralidade no início do inverno.
El Niño intenso não significa desastres necessariamente maiores
A intensidade excepcional do fenômeno não significa automaticamente que todos os eventos climáticos associados ao El Niño alcançarão níveis recordes.
A relação entre a temperatura do Pacífico e os impactos observados em diferentes regiões do planeta não é direta. Outros sistemas atmosféricos também influenciam a ocorrência de secas, chuvas intensas, ondas de calor, tempestades e enchentes.
Por isso, mesmo um El Niño muito forte não permite afirmar antecipadamente que determinada região enfrentará a pior seca ou a maior enchente de sua história.
El Niño pode reduzir chuvas na Amazônia
Historicamente, o El Niño em 2027, caso permaneça ativo, pode ter importância especial para a Amazônia.
No Norte do Brasil, episódios do fenômeno costumam estar relacionados à redução das chuvas, principalmente em áreas do Norte e do Leste da Amazônia.
A combinação de menor precipitação e temperaturas elevadas pode favorecer períodos mais secos, ampliar o risco de queimadas e contribuir para condições mais favoráveis à propagação de incêndios florestais.
Os efeitos, porém, não ocorrem de maneira uniforme em toda a região e dependem também de outros fatores atmosféricos.
No Nordeste, o El Niño também costuma estar associado à diminuição das chuvas em determinadas áreas, aumentando o risco de seca e impactos sobre reservatórios e atividades agrícolas.
Sul pode enfrentar mais episódios de chuva intensa
No Sul do Brasil, os efeitos historicamente associados ao fenômeno são diferentes.
O El Niño costuma favorecer volumes maiores de chuva e aumentar a frequência de episódios de precipitação intensa, especialmente no inverno e na primavera do primeiro ano do evento e durante o outono do ano seguinte.
Também podem ocorrer temporais acompanhados de granizo, vendavais e outros fenômenos severos.
Já no Centro-Oeste e no Sudeste, os efeitos tendem a apresentar maior variabilidade, com diferenças significativas entre um episódio de El Niño e outro.
As projeções climáticas continuarão sendo atualizadas ao longo dos próximos meses, o que permitirá observar com maior precisão a velocidade de enfraquecimento do fenômeno e os possíveis impactos para 2027.
Leia mais:
El Niño pode atingir intensidade muito forte e agravar seca no Amazonas
MPAM acompanha medidas contra efeitos do El Niño em Novo Aripuanã
El Niño aumenta pressão sobre rios e abastecimento de energia na Amazônia
Siga nosso perfil no Instagram, Tiktok e curta nossa página no Facebook


