O mercado farmacêutico brasileiro registrou um salto significativo na comercialização de tratamentos voltados ao controle de peso. Segundo dados recentes da Associação de Distribuidores Farmacêuticos do Brasil (Abafarma), as vendas de remédios para emagrecer cresceram 78,3% em um intervalo de quatro anos. O levantamento, fundamentado em métricas da consultoria IQVIA, aponta que o volume de unidades comercializadas saltou de 4,1 milhões em 2021 para mais de 7,3 milhões em 2025. Esse movimento reflete não apenas o avanço dos índices de obesidade no país, mas também a introdução de terapias inovadoras que transformaram o setor.
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O impacto das canetas injetáveis no mercado nacional
O protagonismo desse crescimento é atribuído às chamadas “canetas emagrecedoras”, dispositivos injetáveis que utilizam análogos do hormônio GLP-1. Medicamentos como Wegovy, Ozempic e Mounjaro tornaram-se pilares dessa expansão. Somente no último ano, o setor farmacêutico observou uma alta de 39,1% nas vendas em comparação a 2024, consolidando a preferência dos consumidores e prescritores por essas novas opções terapêuticas.
Diferente dos métodos tradicionais, esses fármacos simulam a ação hormonal natural que promove a saciedade e retarda o esvaziamento do estômago. Em testes clínicos, os resultados demonstraram uma perda de até 20% do peso corporal, um patamar anteriormente raro de ser alcançado apenas com intervenção medicamentosa. Além das inovações, o balanço da Abafarma inclui substâncias clássicas como a sibutramina e o mazindol, que continuam compondo o portfólio de opções disponíveis nas farmácias brasileiras.
Expansão do acesso e novas opções de remédios para emagrecer
O cenário para os próximos meses indica uma diversificação ainda maior do mercado. Oscar Yazbek Filho, presidente-executivo da Abafarma, ressalta que a maior disponibilidade de terapias é um fator decisivo. Entre as novidades aguardadas estão as versões orais dos análogos de GLP-1, como a oforgliprona e o Wegovy em comprimido, que já possuem aprovação em território norte-americano e seguem sob análise da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Outro ponto de inflexão é o encerramento do período de patente da semaglutida, ocorrido no último dia 20. Esse marco abre caminho para que novas empresas fabriquem versões da substância, o que tende a aumentar a competitividade e, potencialmente, reduzir os custos ao consumidor final. Atualmente, a Anvisa avalia oito solicitações de aprovação para novos produtos baseados nesse princípio ativo.
Presença dos tratamentos no cotidiano dos brasileiros
A popularidade desses medicamentos transcende os balcões das farmácias e já se reflete na percepção social. Uma pesquisa do Instituto Locomotiva revelou que 62% dos brasileiros conhecem alguém que utiliza ou já utilizou as canetas injetáveis para perda de peso. O alcance é tão amplo que, em um a cada três domicílios no Brasil, há pelo menos um morador que faz uso desses recursos terapêuticos.
Este aumento na penetração domiciliar, que subiu de 26% para 33% em poucos meses, reforça a urgência de debates sobre o uso consciente e a supervisão médica adequada. À medida que a ciência avança e as patentes expiram, o acesso a esses tratamentos tende a se democratizar, exigindo uma infraestrutura de distribuição robusta e informações claras para a população.
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