InícioAmazôniaBorboletas estão perdendo a cor devido a queimadas, diz estudo

Borboletas estão perdendo a cor devido a queimadas, diz estudo

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As borboletas amazônicas, conhecidas por seus tons brillahntes e vivos das mais variadas cores, têm corrido um sério risco em meio aos crescentes índices de queimadas e desmatamento criminoso. No lugar dos tons coloridos, espécies de borboleta têm “desbotado” para tons pardos e cinzentos, que se camuflam com o cenário das florestas destruídas.

Estudo ‘Discolouring the Amazon Rainforest’

O estudo sobre o fenômeno, publicado em 2021 e intitulado “Discolouring the Amazon Rainforest” foi conduzido por uma equipe de pesquisadores liderada pelo biólogo Ricardo Spaniol, professor do Programa de Pós-Graduação em Ecologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Publicado na revista Biodiversity & Conservation, o estudo destaca a relação direta entre o desmatamento e a perda da diversidade de cores das borboletas na Amazônia.

“Dentre os padrões de coloração dos lepidópteros [borboletas e mariposas], a camuflagem atua como um meio de dificultar a detecção da presa, através de cores e contrastes que a confundem com seu ambiente. Mas, com as transformações recentes das características dos habitats nos trópicos causadas pela humanidade, o sucesso adaptativo das borboletas através dos seus padrões de cores é colocado à prova”, descreve o autor Ricardo Spaniol.

No estudo, foram analisadas 60 espécies de borboletas comuns à região amazônica, que foram colocadas em uma escala de tons. A equipe de pesquisa confirmou que, enquanto os espécimes encontrados em locais de floresta ainda viva possuem cores que refletem a vegetação do local — Tons de verde, amarelo, laranja e turquesa — muitos dos lepidópteros encontrados em áreas recém desmatadas adquiriram tons de marrom, pardo e preto.

“Quando a floresta é derrubada, principalmente por queimadas pra colocação de pasto pra gado, vão ficar aquelas borboletas que se confundem como o fundo, amarronzadas, que vão conseguir se camuflar. As coloridas não ficam lá”, disse Spaniol.

Segundo a equipe de biólogos responsável pelo estudo, a migração de espécies coloridas para outros locais causa um distúrbio no ecossistema de seu habitat natural e dos locais para onde os animais migram, o que pode acarretar na queda brusca de população ou extinção de algumas dessas espécies.

Recuperação dos tons coloridos

Enquanto os índices de desmatamento na Amazônia continuam a crescer, os pesquisadores enfatizam a importância da preservação do bioma e da restauração das áreas degradadas. O mesmo estudo concluiu, ainda, que a situação é reversível quando ações são tomadas de forma correta.

Em áreas de pastagens e plantações abandonadas há 30 anos, espécies coloridas estão retornando. Os autores do estudo argumentam que a preservação de reservas legais dentro de propriedades privadas e programas de restauração em áreas com grande importância biológica devem ser incentivados para reverter o desequilíbrio ambiental na Amazônia.

A atual situação na Amazônia brasileira torna o estudo ainda mais importante para o cenário atual. Em 2023, o estado do Amazonas declarou emergência ambiental devido ao aumento dos incêndios florestais. O mês de outubro foi marcado pelo pior índice de queimadas em 25 anos, apesar de 6 meses consecutivos de queda no desmatamento. O estudo serve como um lembrete crítico da necessidade de ações imediatas para proteger a biodiversidade amazônica e evitar processos de extinção em massa pela ação da destruição das florestas.

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