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Amazonas adota ferramenta SMART para monitoramento da biodiversidade

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O Amazonas tornou-se pioneiro no Brasil ao adotar oficialmente  uma ferramenta inovadora para coleta e armazenamento de dados ambientais, unindo tecnologia, ciência e conhecimento tradicional. O software Spatial Monitoring and Reporting Tool (SMART)  visa fortalecer o monitoramento da biodiversidade, facilitar a gestão e reforçar a proteção das Unidades de Conservação (UCs).

O que é o SMART?

SMART é um software de monitoramento da biodiversidade e dos impactos ambientais causados por desmatamento, queimadas e outros fenômenos.
SMART é um software de monitoramento da biodiversidade e dos impactos ambientais causados por desmatamento, queimadas e outros fenômenos. FOTO: Michael Dantas/WCS

O SMART, desenvolvido como software de código aberto por uma colaboração global de agências e organizações de conservação, oferece uma ferramenta poderosa para aprimorar processos de tomada de decisão em diversas escalas. De acordo com Carlos Durigan, diretor da WCS Brasil, o SMART permite análises automáticas para formulação de estratégias de conservação e combate às pressões e ameaças nas áreas protegidas.

Utilizado em mais de 600 áreas protegidas de 55 países, está sendo implementado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (Sema), em parceria com a Wildlife Conservation Society (WCS Brasil) e WWF Brasil.

Implementação

A implementação do projeto conta com a participação ativa das comunidades locais, destacando a parceria entre o governo estadual, organizações parceiras e moradores das áreas protegidas. 24 monitores comunitários foram capacitados em 5 UCs no interflúvio dos rios Purus e Madeira, como parte do projeto Conservando Juntos, desenvolvido em parceria com a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID). Essas áreas são estratégicas para a formação do Mosaico de Áreas Protegidas no Baixo Rio Madeira.

Após treinamentos, testes e ajustes, a plataforma está sendo integrada à base de dados ambientais da Sema, com planos de ampliação do uso para todas as 42 unidades de conservação estaduais. O secretário estadual de Meio Ambiente do Amazonas, Eduardo Taveira, afirmou que o SMART será um aliado na gestão das Unidades de Conservação Estaduais, fornecendo subsídios para ações de gestão, fiscalização, educação ambiental e políticas públicas.

SMART e os povos tradicionais

SMART capacitou cerca de 60 monitores em todo o Amazonas, sendo 24 deles em comunidades ribeirinhas do Rio Purús e do Rio Madeira.
SMART capacitou cerca de 60 monitores em todo o Amazonas, sendo 24 deles em comunidades ribeirinhas do Rio Purús e do Rio Madeira. FOTO: Michael Dantas/WCS

A participação e protagonismo das comunidades tradicionais são fundamentais para o sucesso do projeto. Em todo o Amazonas, 60 monitores foram treinados e se tornaram multiplicadores em suas comunidades, integrando a tecnologia ao monitoramento da biodiversidade.

“Essa iniciativa tem uma função de formação muito importante. Os monitores selecionados já fazem parte do programa Agentes Ambientais Voluntários, liderado pela Sema, e passaram por treinamentos antes de serem credenciados, com um nível de formação diferenciado dentro das comunidades, o que gera um interesse na formação e aprofundamento nessa área. É um programa que está diretamente associado à formação de lideranças, fortalecimento de bases e das próprias comunidades, garantindo ainda seu protagonismo na gestão das áreas onde vivem”. Explicou Guillermo Estupiñán, especialista da WCS.

Conheça um dos monitores

Um dos monitores ambientais comunitários formados é o estudante universitário Kelbert Batista da Cruz, de 21 anos, que dedica 15 dias do mês ao monitoramento da biodiversidade no Parque Estadual do Matupiri.

O estudante Kelbert Batista da Cruz, um dos monitores ambientais capacitados para contribuir com a ferramenta SMART.
O estudante Kelbert Batista da Cruz, um dos monitores ambientais capacitados para contribuir com a ferramenta SMART. FOTO: Michael Dantas/WCS

Com a ferramenta SMART, as espécies identificadas nas seis trilhas de 5km dentro do parque passam a ser registradas digitalmente, ampliando o alcance e a qualidade do monitoramento, a velocidade no envio das informações aos bancos de dados e, consequentemente, a efetividade das ações planejadas visando a proteção das UCs e dessas espécies. Os dados coletados pelos monitores dão origem a relatórios, que ajudam os gestores a identificarem fragilidades e potencialidades das unidades.

A nova rotina como monitor da biodiversidade fez com que Kelbert queira seguir carreira na área ambiental: “O meu trabalho mudou muito quem eu sou. Eu via as pessoas desmatando, cortando árvores, e não falava nada. Agora eu vejo que isso está errado. Tenho que alertar as pessoas de que aquilo que faz mal para o meio ambiente, faz mal pra gente mesmo também. Meu plano hoje é ingressar em uma faculdade de Biologia, que é para eu poder entender mais sobre os bichos e poder seguir ajudando, trabalhando no monitoramento da biodiversidade”, completou o monitor.

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