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Conheça tecnologias usadas no monitoramento da biodiversidade amazônica

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Nas últimas décadas, a conservação da biodiversidade da Amazônia está recebendo uma série de impulsos tecnológicos no estado do Amazonas. O estado abriga 42 Unidades de Conservação (UCs) estaduais espalhadas por uma área equivalente a quase o dobro do tamanho de Pernambuco, totalizando 19 milhões de hectares.

O desafio de monitorar a biodiversidade em um território tão vasto é grande, mas o uso de estratégias sociais e tecnológicas buscam garantir que o trabalho é realizado da melhor maneira possível. Com o avanço das tecnologias ligadas ao monitoramento, principalmente por meio do trabalho dos institutos brasileiros de pesquisa biológica, tem se tornado necessário cada vez menos recursos para cobrir uma UC adequadamente.

Mesmo assim, as novas tecnologias não seriam aproveitadas da melhor forma sem a participação das comunidades locais, que têm um conhecimento profundo sobre a biodiversidade em suas áreas, incluindo espécies, ecossistemas e padrões sazonais. Por isso, muitas das novas estratégias tecnológicas incluem a capacitação da comunidade local e a participação dos moradores no chamado monitoramento participativo.

Monitoramento participativo de biodiversidade

O monitoramento participativo é uma abordagem que envolve ativamente as comunidades locais, cientistas e gestores de UCs na coleta de dados sobre a vida selvagem e os ecossistemas em ambientes naturais preservados, como parques e reservas. Essa colaboração promove a troca de conhecimento, ajuda a identificar ameaças ambientais e capacita as comunidades a desempenharem um papel ativo na conservação, enquanto fornece informações amplas para orientar a gestão das áreas protegidas e políticas de conservação.

O objetivo principal do monitoramento participativo é reunir dados científicos, conhecimento tradicional e ação comunitária para proteger a biodiversidade local e tomar decisões informadas sobre a gestão das unidades de conservação.

O envolvimento das comunidades no monitoramento promove a conscientização sobre a importância da biodiversidade e dos ecossistemas locais. Isso contribui para a educação ambiental, estimula a valorização dos recursos naturais e ajuda a combater a degradação ambiental e as atividades ilegais, como a caça e o desmatamento.

Smart

Grande aliada do monitoramento participativo, a ferramenta SMART é um software de código aberto que coleta, armazena, comunica e analisa dados sobre biodiversidade, atividades ilegais e gestão de recursos em UCs. Essa tecnologia, adotada pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA) em 2020, visa facilitar a coleta de dados de monitoramento por meio da compilação de dados de diversos grupos em uma só plataforma. Entretanto, o monitoramento participativo é fundamental para o sucesso da iniciativa.

Uma das primeiras áreas de conservação em que foram implantadas a tecnologia Smart foi na Reserva Biológica (ReBio) do Uatumã, localizada no município de Presidente Figueiredo. Com 942 mil hectares, é considerada a maior ReBio do Brasil. Nessa área, o Lago Balbina faz parte da reserva e, desde 2014, é realizado o monitoramento de três espécies de tucunaré como parte do projeto Monitoramento Participativo de Biodiversidade.

Grupo de pesquisadores realizando recenseamento na ReBio do Uatumã, em Presidente Figueiredo. FOTO: ICMBio

Este projeto é realizado pelo Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ) em colaboração com o ICMBio. O monitoramento participativo é uma atividade integrante do programa mais amplo de monitoramento do ICMBio, conhecido como Monitora, e envolve 100 pescadores da Comunidade Rumo Certo e da Vila de Balbina, localizadas no município de Presidente Figueiredo, no Amazonas.

Réguas linimétricas

Outro recurso que só foi possível com o avanço das tecnologias de monitoramento foi a implantação das réguas linimétricas, ou réguas fluviométricas (não confundir com réguas pluviométricas), em três municípios do Amazonas.

As réguas linimétricas são são instrumentos de medição usados para monitorar o nível de água em rios, lagos, açudes e outros corpos d’água. Essas réguas geralmente consistem em uma placa vertical de metal, madeira ou plástico com escalas de medição marcadas em centímetros ou metros para manter o controle do nível da água para prever a movimentação dos peixes e outros animais, gerenciar recursos hídricos e tomar decisões importantes em relação ao uso da água e do direcionamento da fauna.

Até o momento, as cidades de Careiro, Autazes e Manaquiri já receberam esses instrumentos. Além dos municípios já contemplados, Guajará, Carauari, Benjamim Constant e Tonantins também estão programados para receber as réguas.

Trilhas amostrais

Uma das mais conhecidas estratégias de monitoramento no Amazonas, as trilhas amostrais de borboletas são estratégias sistemáticas de coleta de dados que permitem aos pesquisadores estudar a diversidade, a distribuição e a densidade populacional de espécies de animais em um determinado ambiente. No Amazonas, as trilhas amostrais são principalmente utilizadas para monitorar borboletas.

Na RDS do Juma, localizada no município de Novo Aripuanã, trilhas amostrais são fundamentais para monitorar a população de borboletas da região, que possui espécies únicas. FOTO: ICMBio

Primeiramente, uma área de estudo é selecionada, e uma trilha é projetada, geralmente dividida em seções ou parcelas, para garantir um melhor controle de dados. Após a coleta de dados iniciais, instrumentos de pesquisa são instalados no perímetro da trilha, como câmeras, redes e armadilhas de coleta.

Esses recursos são necessários para que os pesquisadores possam registrar informações detalhadas sobre cada espécie, como padrões de diversidade, abundância e distribuição das borboletas. Após a coleta dos dados, os animais são liberados de volta ao seu habitat e os dados são registrados em um banco de dados coletivo para uso futuro.

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