Quase um ano após o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), decretar estado de emergência e envio de atendimento urgente e humanitário ao território indígena Yanomami, em Roraima, o local permanece em crise. Crianças desnutridas, doenças contagiosas e altos índices de mortes exemplificam a situação da região.
Os Yanomamis estão alocados em 370 aldeias e quase 10 milhões de hectares, entre Roraima e Amazonas. São cerca de 28 mil indígenas, que vivem isolados geograficamente em comunidades de difícil acesso e sofrem com as atividades de garimpo ilegal.
Fome e desnutrição
As crianças sofrem com a desnutrição – o Polo de Saúde existente na comunidade fechou três vezes por falta de comida ao longo do ano, desamparando ainda mais a população.
Quanto às mortes registradas, de acordo com o Ministério da Saúde, foram 308, entre janeiro a novembro de 2023, sendo a maior parte crianças de até quatro anos.

Doenças
As doenças continuam se espalhando no local, em especial a malária e virose. Em 2023 foram registrados 25,2 mil casos de malária – uma alta de 61%, comparado à 2022 (dados do Ministério da Saúde).
Devido ao garimpo ilegal, a Fiocruz ressalta que cerca de 60% dos rios da terra indígena dos Yanomamis estão contaminados.
O que fala o Governo
Em nota, o Ministério da Saúde afirma que: “Após a operação emergencial, o Ministério da Saúde vem reformando, ampliando e equipando unidades de saúde no território para prover um melhor cuidado à saúde da população indígena. A Pasta também investe na ampliação da telessaúde no território para expandir a capacidade de atendimentos”.
Nesta terça (09), Lula realizou uma reunião com os ministérios e órgãos para discutir a situação. Segundo o ministro da Casa Civil, Rui Costa, o governo vai instituir uma Casa de Governo permanente para gerenciar presencialmente o conjunto de medidas implementadas e evitar a invasão das terras.
Entenda o caso
Em janeiro de 2023, o Ministério da Saúde decretou emergência de saúde pública para combater a falta de assistência sanitária, aos indígenas Yanomami. Localizado nos estados de Roraima e Amazonas, o território é alvo de garimpo ilegal – motivador da maior parte das dificuldades e mazelas sofridas pelo povo.
Na época, o presidente da República classificou a situação ali vivida como genocídio e foi montada um força-tarefa para expulsar os garimpeiros. No entanto, eles permanecem, segundo Dário Kopenawa, vice-presidente da Hutukara Associação Yanomami, “atuando de forma impune no território”.
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