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Copom reduz Selic para 14,75% e encerra ciclo de quase dois anos sem cortes

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Após cinco reuniões de estabilidade, Banco Central inicia flexibilização monetária; mercado projeta taxa em dois dígitos até 2029.

Nesta quarta-feira (18/3), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou a redução da taxa Selic para 14,75% ao ano. A decisão interrompe um ciclo de quase dois anos sem cortes, após o indicador permanecer fixado em 15% por cinco reuniões consecutivas. O movimento confirma as sinalizações anteriores da autoridade monetária e alinha-se às expectativas de parte do mercado financeiro.

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Estratégia de convergência e inflação

Em nota oficial, o comitê destacou que o corte é compatível com a estratégia de conduzir a inflação para o redor da meta no horizonte relevante. O Banco Central ressaltou que, além de buscar a estabilidade de preços, a medida visa suavizar as flutuações na atividade econômica e fomentar o pleno emprego no país.

Apesar da redução, o cenário doméstico ainda exige cautela. Segundo o comunicado, embora os indicadores apontem para uma moderação no crescimento econômico e um arrefecimento na inflação cheia, os índices subjacentes permanecem acima das metas estabelecidas. Por outro lado, o mercado de trabalho brasileiro continua apresentando sinais de resiliência.

Impactos do cenário externo na taxa Selic

O Copom também demonstrou preocupação com o panorama internacional, citando especificamente os conflitos no Oriente Médio. A incerteza sobre a duração desses embates eleva os riscos para as cadeias de suprimentos globais e para os preços das commodities, o que influencia diretamente a inflação interna.

O texto detalha que as projeções inflacionárias apresentam um distanciamento adicional da meta, dificultando a clareza sobre os modelos de projeção analisados devido à volatilidade externa.

O que esperar dos juros no Brasil

A taxa Selic funciona como a principal ferramenta do Banco Central para controlar o custo de vida. Quando os juros sobem, o crédito torna-se mais caro, desestimulando o consumo e os investimentos para frear os preços. Com o início da queda, o governo busca um equilíbrio para reaquecer a economia sem perder o controle inflacionário.

De acordo com o Relatório Focus mais recente, analistas estimam que a Selic encerre 2026 em 12,25% ao ano. As projeções indicam um caminho lento para a redução:

  • 2027: 10,50% ao ano.

  • 2028: 10% ao ano.

  • 2029: 9,50% ao ano.

Os dados sugerem que o mercado financeiro não acredita que os juros retornem ao patamar de um dígito durante o atual governo ou sob a gestão de Gabriel Galípolo à frente do Banco Central, prevista para terminar em 2028.

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