A três semanas do primeiro turno, Lula e Flávio Bolsonaro passaram a semana longe de suas zonas de conforto. O presidente cumpriu agenda ontem (16) em Ceilândia, a região mais populosa do Distrito Federal, capital em que a oposição levou vantagem nas últimas eleições e, nesta quarta-feira (17), Flávio Bolsonaro viaja à Bahia, um dos principais redutos eleitorais de Lula no Nordeste.
As duas viagens ocorrem sob o peso do caso Banco Master, que atinge os dois campos. Flávio Bolsonaro é associado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro pelo financiamento de um filme sobre o pai e responde a procedimento aberto no Supremo, cuja irregularidade nega. Lula, por sua vez, está desgastado e tem dificuldade de se afastar do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, alcançado pela divulgação de mensagens trocadas com o mesmo Vorcaro. Com rejeição acima de 50% para ambos nas pesquisas mais recentes, a crise de legitimidade se apresenta antes mesmo do voto. Eleito Lula ou eleito Flávio, o próximo presidente deve chegar ao Planalto com a resistência de mais da metade do eleitorado.
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Nos bastidores, a campanha do presidente reconhece um momento delicado. Lula segue associado a Moraes em um período de desgaste, enquanto Flávio Bolsonaro se beneficia do noticiário, ao menos até que as investigações avancem sobre o seu próprio lado.
No Supremo, a crise se aprofunda. A Corte está dividida entre Moraes e André Mendonça, com Edson Fachin tentando conter os danos, e não há expectativa de que julgue a conduta de Mendonça antes das eleições.
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