A COP30 traz à tona um dos dilemas mais urgentes da atualidade, que é a viabilidade econômica da sobrevivência climática. Para que o planeta consiga limitar o aquecimento global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, conforme a meta estipulada no Acordo de Paris em 2015, a conta já foi apresentada: é necessário implementar uma renda anual de 1,3 trilhão de dólares até 2035. Este montante colossal, destinado a financiar medidas de adaptação climática e transição energética, será o ponto central das discussões da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que ocorre este mês em Belém, no Pará.
O evento na capital paraense não serve apenas como palco diplomático, mas como um teste de fogo para a cooperação internacional. O Brasil, anfitrião do evento, chega à mesa de negociações com uma proposta robusta focada na preservação ambiental, denominada Fundo de Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês). A iniciativa busca estabelecer um novo paradigma de financiamento, remunerando diretamente os países que mantêm suas florestas tropicais preservadas.
A estratégia do Brasil na COP30 e o Fundo de Florestas
A mecânica do Fundo de Florestas Tropicais para Sempre apresentada na COP30 é inovadora. O objetivo é captar recursos tanto de nações soberanas quanto da iniciativa privada. O capital arrecadado seria investido, e o diferencial dos rendimentos gerados (após o pagamento de juros baixos aos investidores) seria utilizado para remunerar as nações que conservam suas florestas em pé.
A meta inicial do governo brasileiro é ambiciosa, buscando levantar cerca de 25 bilhões de dólares junto a governos estrangeiros. Contudo, com a entrada do setor privado, projeta-se um potencial que pode ultrapassar a marca dos 100 bilhões de dólares. Essa estratégia visa monetizar a conservação, transformando a floresta viva em um ativo econômico competitivo.

Além do aspecto financeiro, o Brasil reafirma seus compromissos de mitigação. O País tem como meta reduzir as emissões líquidas de gases-estufa em seu território entre 59% e 67% até 2035, tendo como base os níveis de 2005. Isso equivale a uma redução entre 850 milhões e 1,05 bilhão de toneladas de CO₂ equivalente. Tais números foram apresentados preliminarmente na COP29, realizada em Baku, no Azerbaijão, e integram as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) brasileiras.
Vulnerabilidade climática e a exigência da ONU
A urgência do debate na COP30 se justifica pela realidade visível no território nacional. O Brasil é considerado altamente vulnerável aos impactos climáticos extremos. Fenômenos como o avanço de áreas desertificadas, a expansão de zonas semiáridas e as oscilações violentas entre períodos de chuvas torrenciais e estiagens severas já fazem parte do cotidiano da população. Em contrapartida, o País apresenta avanços significativos na expansão de biocombustíveis, um setor que, inicialmente ligado à segurança energética, hoje se conecta intrinsecamente à agenda climática global.
Durante o terceiro Diálogo Ministerial de Alto Nível sobre Financiamento Climático da COP30, realizado neste sábado (15) em Belém, o secretário-executivo da ONU para Mudanças Climáticas, Simon Stiell, foi enfático. Ele cobrou dos países desenvolvidos a garantia de um financiamento mais previsível, acessível e robusto.
Para Stiell, o dinheiro é o elemento que sustenta a capacidade das nações de transformarem promessas em prática. “O financiamento climático é a força vital da ação climática. É isso que transforma planos em progresso e ambição em realidade”, declarou o secretário aos ministros presentes. Ele reforçou que o encontro em Belém não é mera formalidade, mas um espaço vital para reconstruir a confiança entre o Norte e o Sul Global.
Confiança e economia inteligente
A confiança internacional é o fator decisivo para que os compromissos assumidos na COP30 não se percam. Stiell alertou que, sem esse capital de confiança, a implementação de medidas se torna lenta e a ambição climática diminui, tornando o progresso muito mais difícil para todos. Embora tenha reconhecido avanços desde o Acordo de Paris, como o aumento de fluxos de capital público e privado, ele reiterou que o volume atual ainda está “muito aquém” do necessário.
O representante da ONU concluiu seu discurso com um apelo à racionalidade econômica, afastando a ideia de assistencialismo. “O financiamento climático não é caridade, é economia inteligente”, afirmou. Ao solicitar objetividade na próxima fase dos trabalhos relativos ao Artigo 9.5 do Acordo de Paris, Stiell pediu resultados tangíveis que ofereçam uma visão real de futuro aos países em desenvolvimento, consolidando a COP30 como um marco de ação efetiva.
*Com informações da Agência Gov
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