A Retrospectiva 2025 traz à tona um período marcado pelo retorno de Trump, tensões geopolíticas globais, avanços climáticos extremos e, no Brasil, a prisão inédita de um ex-presidente e uma conquista histórica no cinema.
O ano de 2025 entra para a história como um divisor de águas na geopolítica e na segurança pública global. Marcado por protestos generalizados que derrubaram governos e guerras comerciais que afetaram dezenas de nações, o período também registrou frágeis tentativas de paz. No Brasil, o cenário não foi menos intenso: pela primeira vez, um ex-presidente foi preso por tentativa de golpe de Estado, enquanto o Rio de Janeiro vivenciou a operação policial mais letal de sua história recente.
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Esta Retrospectiva 2025 detalha os principais acontecimentos que moldaram os últimos 12 meses.
A nova era Trump e a política externa dos EUA
O retorno de Donald Trump à Casa Branca em janeiro ditou o ritmo das relações internacionais na Retrospectiva 2025. Com uma agenda baseada em ofensivas protecionistas e deportações em massa, o republicano alterou profundamente a estrutura do governo federal americano.

Internamente, Trump mobilizou a Guarda Nacional em cidades democratas e fechou agências humanitárias. Externamente, suas ações desencadearam uma guerra comercial ao impor tarifas sobre aço, alumínio e cobre, afetando diretamente a economia global. O Brasil sentiu o impacto inicial com taxas de 50%, justificadas por Washington como resposta a ações do Judiciário brasileiro. Contudo, após negociações diplomáticas em novembro, as sobretaxas ao café e à carne bovina brasileira foram retiradas.
Turbulência política na Alemanha
Na Europa, a Alemanha enfrentou um ano de definições complexas. Em fevereiro, a conservadora União Democrata Cristã (CDU) venceu as eleições, levando Friedrich Merz ao cargo de chanceler federal. No entanto, o pleito revelou o fortalecimento histórico da ultradireita, com a Alternativa para a Alemanha (AfD) conquistando 20,8% dos votos.

A coalizão de Merz enfrentou instabilidade imediata, refletindo a polarização sobre imigração e economia que marcou o cenário europeu em 2025.
Brasil: Do Oscar histórico à prisão de Bolsonaro
Para o Brasil, a Retrospectiva 2025 destaca dois extremos. Na cultura, o país celebrou em março seu primeiro Oscar de Melhor Filme Internacional com “Ainda Estou Aqui”. A obra, que narra a luta de Eunice Paiva durante a ditadura, reabriu debates jurídicos sobre a Lei da Anistia no STF.

Na esfera política e judicial, setembro foi o mês decisivo. O Supremo Tribunal Federal condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes relacionados aos ataques à Praça dos Três Poderes. A decisão inédita resistiu a pressões internacionais e sanções temporárias contra ministros da Corte. Após violar medidas cautelares e tentar danificar sua tornozeleira eletrônica, Bolsonaro foi transferido para o regime fechado em novembro. O ano encerra com o debate sobre o “Projeto de Lei da Dosimetria”, que visa reduzir penas de condenados pelos atos golpistas.
Tensões no Oriente Médio e a pressão no Caribe
O cenário bélico foi intenso. Em junho, Israel e Irã protagonizaram um conflito direto de 12 dias, envolvendo ataques a instalações nucleares e zonas residenciais. A intervenção direta dos EUA resultou em um cessar-fogo tenso.

Já em Gaza, outubro trouxe uma trégua frágil após dois anos de conflito, permitindo a libertação de reféns e a entrada de ajuda humanitária, embora a região permaneça instável com planos de reassentamento debatidos por potências globais.
Na América Latina, a presença militar dos EUA no Caribe atingiu níveis recordes. Sob a justificativa de combate ao narcotráfico, Washington mantém uma armada na costa venezuelana, elevando a pressão sobre o governo de Nicolás Maduro.
Religião: O conclave relâmpago e o primeiro Papa americano
Um marco histórico para a Igreja Católica foi registrado em 8 de maio, quando a fumaça branca subiu sobre a Capela Sistina anunciando o sucessor de Francisco. Robert Francis Prevost, de 69 anos, tornou-se o primeiro papa americano da história, adotando o nome de Leão 14. A escolha ocorreu após um conclave surpreendentemente rápido, com menos de 24 horas de duração, sinalizando um consenso urgente entre os cardeais.

Nascido em Chicago e com longa trajetória como missionário no Peru, onde viveu por quase duas décadas e obteve cidadania, Leão 14 era assessor próximo de seu antecessor. Em seus primeiros pronunciamentos, sinalizou continuidade ao legado de Francisco, com foco prioritário no combate à pobreza, no acolhimento a migrantes e na defesa do meio ambiente. No entanto, o novo pontífice também acalmou a ala conservadora do clero ao descartar mudanças em dogmas sensíveis, reafirmando a posição tradicional da Igreja contra a ordenação de diaconisas e o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Crime e sociedade: Da letalidade recorde no Rio ao roubo do século em Paris
A segurança pública foi tema central na Retrospectiva 2025, com episódios que expuseram a violência urbana e a vulnerabilidade de ícones globais. No Brasil, o Rio de Janeiro vivenciou em outubro o capítulo mais sangrento de sua história recente com a “Operação Contenção”. A ação policial nos complexos do Alemão e da Penha resultou em 121 mortes, um número que horrorizou a comunidade internacional e gerou duras notas de repúdio do Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU. A operação, fruto de um ano de inteligência para capturar 94 integrantes do Comando Vermelho, paralisou a Zona Norte e deixou quase 300 mil moradores sob fogo cruzado.

Enquanto o Rio contava seus mortos, a Europa assistia incrédula a um crime digno de roteiro de cinema. Em 19 de outubro, criminosos disfarçados de operários invadiram o Museu do Louvre, em Paris. Utilizando equipamentos simples como escadas e fugindo em scooters, o grupo subtraiu Joias da Coroa avaliadas em 88 milhões de euros. A fuga foi tão caótica que uma coroa de diamantes foi deixada para trás no caminho. Embora três suspeitos tenham sido presos posteriormente, o tesouro roubado permanece desaparecido, levantando questionamentos severos sobre a segurança do museu mais visitado do mundo.
A revolta do clima e a COP30 em Belém
A crise climática foi protagonista inegável na Retrospectiva 2025. O ano registrou desastres naturais severos: tornados no Paraná, furacões no Caribe, tsunamis na Rússia e ondas de calor recordes na Europa e Japão.

Esses eventos culminaram na COP30, realizada em Belém. A conferência, sediada no coração da Amazônia, foi marcada por desafios logísticos e debates acalorados. Apesar da urgência demonstrada pelos fenômenos do ano, o texto final decepcionou ambientalistas ao não incluir uma rota definitiva para o abandono dos combustíveis fósseis, ponto defendido pela diplomacia brasileira.
Levantes da Geração Z
Por fim, 2025 foi o ano em que a juventude tomou as ruas. Da Ásia à África, a Geração Z liderou protestos contra a censura e a corrupção, derrubando governos em Bangladesh, Nepal e Madagascar.

A bandeira pirata do mangá One Piece tornou-se o símbolo global dessa resistência contra a opressão.
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