Demis Hassabis, fundador da DeepMind e vencedor do Prêmio Nobel, lidera a estratégia de Inteligência Artificial da Alphabet. No entanto, sua visão de longo prazo enfrenta a pressão por resultados imediatos em um mercado cada vez mais competitivo.
Demis Hassabis passou a última década tentando desvendar os segredos do universo através da inteligência artificial. Agora, uma análise aprofundada revela como o principal executivo de IA da Alphabet priorizou conceitos ambiciosos e filosóficos, muitas vezes em detrimento de oportunidades de negócios de curto prazo e dos resultados financeiros imediatos do Google.
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Nos 11 anos desde que o Google adquiriu a startup DeepMind, seu fundador se tornou uma figura central na gigante das buscas. Embora Hassabis tenha acumulado milhões de dólares e conquistado um Prêmio Nobel, para a Alphabet, empresa controladora do Google, os benefícios comerciais dessa união têm demorado a se materializar de forma plena.
O dilema da liderança e a sombra da OpenAI
O Google corre o risco de perder sua posição histórica de liderança no setor de buscas. A empresa foi surpreendida em 2022 quando a OpenAI demonstrou, com o ChatGPT, que a IA poderia fornecer informações de forma mais eficiente que os mecanismos tradicionais. Ironicamente, a tecnologia usada pela OpenAI foi inicialmente desenvolvida por pesquisadores do próprio Google.
Na tentativa de recuperar o terreno, o Google enfrentou constrangimentos, desde imprecisões em anúncios até falhas na geração de imagens históricas. Agora, com Demis Hassabis no controle total dos esforços de IA, a empresa lançou o modelo Gemini e novas ferramentas, como o editor de fotos “Nano Banana”, que impulsionou o uso do aplicativo em setembro.
Apesar de as ações da Alphabet terem atingido recordes recentes, investidores como Gene Munster, da Deepwater Asset Management, mostram ceticismo. “É o clássico caso de um time talentoso que não ganha o campeonato nacional”, afirmou Munster, cuja empresa reduziu sua participação na Alphabet este ano.
Ciência visionária versus oportunidades comerciais
Fontes internas indicam que, para Hassabis, gerar lucro muitas vezes ficou em segundo plano diante de objetivos científicos nobres. O cientista londrino sempre teve como meta o Prêmio Nobel e a busca pela Inteligência Artificial Geral (AGI). Relatos apontam que ele recusou iniciativas que poderiam ter gerado novas receitas substanciais.
Um exemplo notável ocorreu por volta de 2019, quando Hassabis recusou uma oferta da OpenAI para criar uma joint venture. Além disso, um projeto da DeepMind para aplicar IA ao mercado financeiro, que incluiu conversas com a BlackRock, a maior gestora de ativos do mundo, foi descontinuado. Hassabis teria descrito a missão da DeepMind como um “programa Apollo” para resolver a inteligência, considerando a aplicação imediata em mercados financeiros como algo menos relevante diante de sua “visão elevada”.
Hassabis frequentemente enquadra sua busca em termos cósmicos. “O que sempre sonhei é o florescimento máximo da humanidade, viajando pelas estrelas”, disse ele em 2022, vislumbrando um futuro de abundância radical e cura de doenças.
Uma trajetória de prodígio: do xadrez à neurociência
Filho de imigrantes, Demis Hassabis demonstrou desde cedo um intelecto voraz. Foi um prodígio do xadrez e, ainda adolescente, trabalhou na criação do clássico jogo “Theme Park”. Sua carreira acadêmica passou por Cambridge e um doutorado em neurociência, culminando na fundação da DeepMind com o objetivo de “construir cérebros”.
A aquisição pelo Google em 2014, estimada em 650 milhões de dólares, foi vista por Hassabis como uma forma de financiar a “pesquisa pura” sem a pressão imediata por produtos. No entanto, a tensão entre a autonomia da DeepMind e as demandas corporativas do Google persistiu por anos.
Essa abordagem focada na ciência pura rendeu frutos inestimáveis para a humanidade, como o AlphaFold. O programa, capaz de prever estruturas de proteínas, garantiu a Hassabis o Prêmio Nobel de Química no ano passado e acelerou pesquisas biológicas em todo o mundo, embora ainda não represente uma fonte direta de receita significativa para a Alphabet.
O futuro: “Assistentes Universais” e novos desafios
Atualmente, Hassabis trabalha em projetos que prometem revolucionar a interação humana com a tecnologia. Fontes ligadas ao projeto mencionam o “AlphaAssist”, uma visão de assistente universal comparável ao JARVIS, dos filmes do Homem de Ferro, capaz de planejar e executar tarefas complexas.
Paralelamente, a Isomorphic Labs, liderada por ele, busca desenvolver medicamentos usando IA, com ensaios clínicos previstos para 2025.
No entanto, o cenário é desafiador. A Alphabet enfrenta escrutínio antitruste nos EUA e na Europa e concorrência feroz. Elon Musk, um dos primeiros investidores da DeepMind, expressou no passado receio de que a empresa estivesse construindo “uma mente para governar o mundo”. Enquanto rivais avançam, Demis Hassabis mantém sua aposta de que focar nos problemas fundamentais da ciência é o caminho mais seguro e impactante, mesmo que o mercado financeiro exija mais velocidade.
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