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Advocacia e tecnologia: como a inteligência artificial redesenha o futuro do direito no Brasil

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Da automação de petições a novas regras éticas da OAB e CNJ, entenda como a inteligência artificial está forçando uma mudança de paradigma nos escritórios, exigindo um novo perfil de advogado e alterando a prestação de serviços jurídicos no país.

A intersecção entre advocacia e tecnologia deixou de ser uma promessa futura para se consolidar como uma realidade inescapável no Brasil. A automação, a inteligência artificial (IA) generativa e as plataformas digitais estão provocando uma transformação profunda no setor jurídico, redesenhando desde tarefas operacionais básicas até a estratégia de grandes escritórios e a própria atuação do Poder Judiciário.

Essa revolução silenciosa é confirmada por números. Uma análise de 2025 da Futurecom Digital, corroborada por levantamentos do setor, indica que cerca de 55,1% dos advogados brasileiros já integram soluções de IA em suas rotinas. Paralelamente, um estudo da FGV Direito SP (2023) apontou que mais de 90% dos grandes escritórios criaram, nos últimos cinco anos, departamentos focados em inovação, LGPD e gestão de conhecimento, impulsionados pela demanda tecnológica.

O movimento não é exclusivo da advocacia privada. O próprio Poder Judiciário brasileiro, lidando com um volume superior a 84 milhões de processos, segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), adota a IA para ganhar eficiência. Programas como o “Justiça 4.0”, uma parceria do CNJ com o PNUD, implementam o “Juízo 100% Digital” e o “Balcão Virtual”, enquanto ferramentas como o VICTOR (STF) e o ATHOS (STJ) já auxiliam na triagem e análise de recursos.

A eficiência da IA: o que muda na prática dos escritórios

Na prática, o impacto mais imediato da tecnologia é a automação de tarefas que, até então, consumiam grande parte do tempo dos profissionais. A pesquisa jurisprudencial, a triagem de dados processuais e a análise de grandes volumes de documentos estão sendo radicalmente otimizadas.

Estudos recentes indicam que o uso de IA pode reduzir o tempo gasto na revisão de contratos em até 80% e na pesquisa jurídica em até 70%. Softwares e plataformas (como as oferecidas por gigantes como Thomson Reuters ou legaltechs brasileiras como a Projuris) estão apoiando a elaboração de peças padrão e, mais avançado, realizando análises preditivas.

Isso libera o advogado para focar em atividades de maior valor agregado, que a máquina (ainda) não substitui: o pensamento crítico, a estratégia processual, a negociação e a persuasão. Como resultado, surgem novas áreas de atuação, como a “Jurimetria” (análise estatística de decisões judiciais), compliance digital e legal analytics, exigindo uma advocacia mais baseada em dados.

Desafios regulatórios e os riscos da ‘alucinação’ jurídica

A rápida adoção da advocacia e tecnologia, no entanto, impõe desafios éticos e regulatórios significativos. O principal risco que se materializou em 2024 e 2025 é o da “alucinação” da IA — quando a ferramenta gera informações factualmente incorretas, como jurisprudências inexistentes.

Esse risco não é teórico. Já existem casos de advogados que foram sancionados por litigância de má-fé após utilizarem petições com julgados falsos criados por IA, como no notório caso REsp 2.207.929/MG.

Em resposta, os órgãos de classe começaram a se movimentar. O Conselho Federal da OAB emitiu, em novembro de 2024, recomendações para o uso ético da IA generativa. Em seguida, o CNJ publicou a Resolução nº 615, em março de 2025, estabelecendo diretrizes claras. O consenso é unânime: a tecnologia é uma ferramenta de apoio, e a “supervisão humana efetiva” é indispensável e obrigatória, sendo o advogado o responsável final pela peça.

O novo perfil do advogado: mais gestor, menos burocrata

Essa nova realidade exige um perfil profissional híbrido. O domínio técnico-jurídico, embora essencial, já não é suficiente. A pesquisa da FGV destacou que as competências mais valorizadas nos escritórios modernos incluem conhecimentos em gestão, habilidades socioemocionais e, crucialmente, competência digital.

O advogado do século 21 precisa ser, em parte, um “gestor de tecnologia” e um “consultor estratégico”. Ele deve ser capaz de interpretar dados, lidar com plataformas digitais e entender como a tecnologia pode otimizar a estratégia do cliente, oferecendo valor muito além da simples petição.

Para quem contrata, essa transformação pode significar prazos mais ágeis, custos reduzidos e maior previsibilidade. Contudo, exige também maior critério na escolha do profissional, avaliando sua real capacidade de integrar a tecnologia de forma ética e eficiente.

Acesso à justiça ou aumento da disparidade?

Embora a tecnologia tenha potencial democratizante, permitindo que escritórios menores acessem ferramentas antes restritas aos grandes, ela também pode acentuar desigualdades, criando um “abismo tecnológico” entre os que se adaptam e os que ficam para trás.

Em regiões com maiores desafios de infraestrutura e investimento, como no interior do país e em estados como o Amazonas, a barreira para a adoção pode ser maior. Advogados nessas localidades precisarão de estratégias focadas para superar os custos de softwares e a necessidade de qualificação tecnológica para não ficarem à margem da transformação.

Em conclusão, a advocacia brasileira vive uma mudança de paradigma. O desafio não é apenas incorporar softwares, mas repensar a prestação do direito. O futuro exigirá um equilíbrio entre a inovação tecnológica e a responsabilidade humana, lembrando que, por trás de cada processo, existem direitos e escolhas que as máquinas, sozinhas, não podem resolver.

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