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COP30: Pressão popular e alerta econômico marcam nova fase dos debates em Belém

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A COP30 vivenciou um momento de contraste significativo em seu sétimo dia de atividades em Belém. Enquanto os diplomatas e negociadores faziam uma pausa nas tratativas formais a portas fechadas, as ruas da capital paraense e os bastidores políticos fervilhavam com demandas urgentes e dados alarmantes sobre o futuro da região. O dia foi marcado pelo encerramento da Cúpula dos Povos, por novas articulações da Ministra Marina Silva e pela divulgação de um relatório da ONU que desenha um cenário econômico sombrio para os países amazônicos caso a inação climática persista.

A voz das ruas na COP30

A Cúpula dos Povos, evento paralelo que reuniu cerca de 15.000 pessoas ao longo de cinco dias, concluiu suas atividades com um ato simbólico e político de grande relevância. O encontro, sediado na Universidade Federal do Pará (UFPA), serviu como palco para que movimentos sociais, comunidades tradicionais e ativistas alinhassem suas pautas e exigências. O encerramento foi celebrado com um “banquetaço” na Praça da República, onde os próprios participantes prepararam e partilharam alimentos, reforçando a importância da soberania alimentar e da união comunitária.

Durante o evento, foi entregue uma carta com demandas cruciais a André Corrêa do Lago, presidente da conferência. O documento toca em pontos nevrálgicos para o futuro do planeta, exigindo explicitamente o fim da exploração de combustíveis fósseis. Além disso, o texto tece duras críticas à arquitetura financeira global atual. Segundo os organizadores, o fato de a maior parte dos recursos climáticos ser gerida por instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial cria um distanciamento perigoso entre os centros de decisão e a realidade vivida nos territórios vulneráveis. Para os movimentos sociais presentes na COP30, essa dinâmica perpetua desigualdades e impede que o financiamento chegue a quem realmente protege a floresta.

Diplomacia e o fim dos fósseis

No campo diplomático, a Ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, aproveitou o momento para impulsionar uma agenda ambiciosa. Em reuniões estratégicas com representantes de diversas nações, a ministra propôs que a conferência formalize um mandato para a criação de um roteiro global visando a eliminação gradual dos combustíveis fósseis. A proposta busca inserir esse compromisso de forma definitiva na agenda oficial das futuras COPs.

A iniciativa de Marina Silva encontrou eco e apoio entre diversos países ricos, que veem na transição energética uma prioridade. No entanto, a proposta enfrentou, como era esperado, a resistência e as ponderações de grandes produtores de petróleo, como a Arábia Saudita e a Nigéria. Em sua defesa, a ministra brasileira argumentou com serenidade e firmeza que qualquer plano de transição precisa ser justo e equitativo. Para ela, é fundamental considerar as disparidades de recursos, as vulnerabilidades específicas e as capacidades econômicas de cada nação, garantindo que os países em desenvolvimento não sejam desproporcionalmente penalizados durante esse processo de mudança global.

O custo da inação para a Amazônia

Enquanto os debates políticos aconteciam, a Folha de S.Paulo teve acesso antecipado a um estudo contundente realizado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em parceria com o Ministério da Gestão e Inovação. O relatório serve como um alerta científico e econômico severo para os líderes reunidos na COP30. A análise projeta que, sem medidas efetivas contra a crise climática, os países da bacia amazônica podem sofrer perdas equivalentes a 33% do seu Produto Interno Bruto (PIB) combinado até o ano de 2070.

Considerada a revisão científica mais abrangente já feita sobre os impactos climáticos na região, o estudo estima prejuízos que podem alcançar a cifra de US$ 2,8 trilhões. O documento detalha como secas extremas, eventos climáticos cada vez mais severos e o avanço da degradação florestal têm o potencial de desestabilizar setores inteiros. A agricultura, base econômica de muitas dessas nações, seria duramente atingida, assim como a geração de energia, os sistemas de transporte e a saúde pública. O relatório sublinha que tais impactos não são apenas números em uma planilha, mas representam o agravamento profundo de problemas sociais e econômicos já existentes, ameaçando a sobrevivência e o bem-estar de milhões de habitantes da região.

AA pressão popular por justiça climática, a articulação política por um cronograma de transição e a evidência científica do desastre econômico iminente define o tom desta etapa da conferência. Fica evidente que as decisões tomadas, ou adiadas, em Belém terão repercussões que vão muito além das fronteiras diplomáticas, definindo o futuro econômico e social da Amazônia e do mundo.

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