A aprovação final do aguardado Acordo UE-Mercosul desencadeou uma série de manifestações de chefes de Estado e autoridades diplomáticas ao redor do mundo. Após décadas de tratativas, o tratado comercial entre o bloco sul-americano e a União Europeia teve sua data de assinatura confirmada para o dia 17 de janeiro, no Paraguai.
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva celebrou o desfecho das negociações nesta sexta-feira (9). Em publicação nas redes sociais, Lula classificou o entendimento como uma “vitória do diálogo” e destacou a magnitude do pacto econômico.
“Uma vitória do diálogo, da negociação e da aposta na cooperação e na integração entre os países e blocos”, declarou o presidente brasileiro, enfatizando o papel da diplomacia na construção de pontes comerciais.
Dia histórico para o multilateralismo. Após 25 anos de negociação, foi aprovado o Acordo entre Mercosul-União Europeia, um dos maiores tratados de livre comércio do mundo. A decisão chancelada pelo lado europeu une dois blocos que, juntos, somam 718 milhões de pessoas e um PIB de…
— Lula (@LulaOficial) January 9, 2026
Repercussão na Europa e soberania estratégica
Na Alemanha, o chanceler Friedrich Merz também utilizou as redes sociais para exaltar a conclusão do processo. Para o líder alemão, o Acordo UE-Mercosul simboliza um fortalecimento da posição europeia no cenário global.
“O acordo é um marco na política comercial europeia e um forte sinal da nossa soberania estratégica e capacidade de ação”, escreveu Merz. Ele ponderou, no entanto, sobre a morosidade do processo: “Isso é bom para a Alemanha e para a Europa, mas 25 anos de negociações foram muito longos. Precisamos avançar mais rápido”.
The EU-Mercosur agreement is a milestone in European trade policy and a strong signal of our strategic sovereignty and ability to act. This is good for Germany and for Europe.
But 25 years of negotiations were far too long — we need to move faster.
— Bundeskanzler Friedrich Merz (@bundeskanzler) January 9, 2026
Apesar do clima de celebração, houve vozes dissonantes. O ministro da Agricultura da Polônia, Stefan Krajewski, lamentou a decisão, citando a falta de apoio da Itália para bloquear a medida e prometendo proteger os agricultores poloneses das “consequências desta decisão”.
Já a ministra das Relações Exteriores da Áustria, Beate Meinl-Reisinger, demonstrou entusiasmo pessoal, mesmo diante do voto contrário de seu país nas instâncias formais. “Estou emocionada. Finalmente há uma maioria entre os Estados-membros da UE. Não é segredo que eu esperava que a Áustria apoiasse, pois nossa economia e prosperidade se beneficiarão enormemente”, afirmou.
Ich freue mich sehr! 🥳 Endlich gibt es unter den EU-Mitgliedstaaten eine Mehrheit für das #MERCOSUR-Abkommen! 🤝
Gerade weil sich die Weltordnung massiv verschiebt, braucht Europa – und auch Österreich – neue Partner. Wir müssen jetzt unsere Beziehungen zu anderen Weltregionen…— Beate Meinl-Reisinger (@BMeinl) January 9, 2026
Oposição ao protecionismo e detalhes da assinatura
No Brasil, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), analisou a aprovação como uma resposta necessária às tendências de isolamento econômico.
“Num mundo tentado pelo unilateralismo e pelo protecionismo, devemos redobrar a aposta na cooperação internacional. Celebro o acordo como um passo importante para um mundo mais unido, próspero e justo”, pontuou o parlamentar.
Foi a abertura entre as nações que elevou a civilização, ampliou a prosperidade e reduziu conflitos ao longo da história.
Num mundo tentado pelo unilateralismo e pelo protecionismo, devemos redobrar a aposta na cooperação internacional. Por isso, em nome da Câmara dos…
— Hugo Motta (@HugoMottaPB) January 9, 2026
A confirmação oficial da cerimônia de assinatura partiu do chanceler argentino, Pablo Quirno. Segundo o diplomata, o evento ocorrerá em solo paraguaio no dia 17 de janeiro, selando o que ele descreveu como o pacto “mais ambicioso entre ambos os blocos”.
Em negociação desde 1999, o Acordo UE-Mercosul envolve Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. O tratado prevê a eliminação de tarifas sobre mais de 90% do comércio entre as regiões, criando uma zona de livre comércio que abrange mais de 700 milhões de consumidores.
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