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Lula define prazo limite para Acordo Mercosul e ameaça endurecer tom com UE

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Presidente brasileiro exige definição em cúpula e afirma que não retomará tratativas sobre o Acordo Mercosul caso líderes europeus recusem assinatura agora.

O Acordo Mercosul vive, nesta semana, os seus dias mais decisivos após mais de duas décadas de negociações arrastadas. Em um movimento político calculado para pressionar o bloco europeu, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva emitiu um ultimato claro à União Europeia (UE). Durante uma reunião ministerial realizada em Brasília nesta quarta-feira, o chefe do Executivo brasileiro declarou que, caso o tratado comercial não seja formalizado durante a cúpula do bloco sul-americano prevista para este fim de semana, o Brasil não voltará à mesa de negociações sob sua gestão.

A postura firme adotada pelo presidente reflete o esgotamento da paciência diplomática brasileira diante dos sucessivos entraves impostos pelos parceiros do velho continente. O Acordo Mercosul, que envolve complexas trocas comerciais e regulações ambientais, é visto pelo governo brasileiro como uma etapa que já superou o tempo razoável de debate. Lula foi enfático ao afirmar que, se o pacto não sair agora, a relação com os europeus mudará drasticamente.

Ultimato em Brasília: “Agora ou nunca”

O discurso de Lula aos seus ministros não deixou margem para interpretações dúbias. O presidente relatou ter enviado um aviso direto às lideranças europeias. Segundo ele, o Brasil já cedeu em todos os pontos que eram passíveis de concessão diplomática. A mensagem central é que não há mais espaço para recuos ou novos adendos ao texto base do Acordo Mercosul.

“Eu já avisei para eles que se a gente não fizer agora, o Brasil não fará mais acordo enquanto eu for presidente”

Disparou Lula. Esta declaração coloca um peso significativo sobre a cúpula que ocorrerá em Foz do Iguaçu. A expectativa do governo brasileiro é que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, possa comparecer ao evento para a assinatura final, concretizando o que foi acordado há um ano, após 25 anos de idas e vindas diplomáticas.

Ameaça de endurecimento nas relações diplomáticas

Mais do que apenas encerrar as negociações do Acordo Mercosul, Lula sinalizou uma mudança estratégica na política externa caso receba um “não” em Foz do Iguaçu. O presidente brasileiro alertou que o tom com a União Europeia será “mais duro” daqui para frente se a oportunidade atual for desperdiçada.

Ele explicou que sua viagem ao Paraná carrega a expectativa do “sim”, mas que o governo já está preparado para uma resposta negativa. Nesse cenário adverso, a diplomacia brasileira deixará de adotar a postura flexível que marcou as últimas rodadas de conversa. Para Lula, a insistência em fechar o Acordo Mercosul neste momento — mesmo considerando que os termos atuais, na sua visão, beneficiam mais a Europa do que a América do Sul — é uma tentativa de fortalecer o multilateralismo global frente ao crescimento de tendências isolacionistas e unilaterais.

Resistência europeia e o cenário atual

Apesar do esforço brasileiro para selar o Acordo Mercosul, o cenário na Europa permanece complexo e dividido. Informações recentes indicam que potências como França e Itália avaliaram, também nesta quarta-feira, que a assinatura do tratado seria “prematura” neste momento. Essa posição de dois dos principais membros da UE abalou as esperanças de um desfecho positivo imediato e coloca em xeque a viagem das autoridades europeias ao Brasil.

Enquanto o Brasil pressiona pela conclusão, as instituições europeias vivem seus próprios impasses internos. O Parlamento Europeu, a Comissão Europeia e o Conselho Europeu (que reúne os governos do bloco) estão em fase de negociação sobre salvaguardas, especialmente após pressões de eurodeputados para endurecer o controle sobre a importação de produtos agrícolas sul-americanos.

O futuro do Acordo Mercosul depende, portanto, da capacidade da Comissão Europeia de superar a resistência interna de seus países-membros e aceitar o ultimato brasileiro. Para o governo Lula, a hora da verdade chegou: ou o tratado se concretiza como um marco do multilateralismo, ou será arquivado por tempo indeterminado, dando início a uma era de relações mais ásperas entre os dois lados do Atlântico.

Leia mais:
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França age para bloquear Acordo Mercosul-UE
Mercosul e União Europeia fecham acordo após 25 anos

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