Planos de governo apresentam medidas para reduzir filas do SUS, ampliar atendimentos e investir em tecnologia, prevenção e saúde mental.
Reduzir as filas do Sistema Único de Saúde (SUS), ampliar o acesso a consultas e exames e modernizar o atendimento estão entre as principais propostas apresentadas pelos candidatos à Presidência da República para a área da saúde nas eleições de 2026.
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Os planos de governo incluem medidas que vão do uso de inteligência artificial e telemedicina à ampliação da atenção básica e a parcerias com hospitais privados. Também aparecem propostas voltadas à saúde mental, prevenção de doenças, vacinação e atendimento específico para mulheres, idosos e pessoas com doenças crônicas.
Embora algumas estratégias sejam semelhantes, os presidenciáveis apresentam diferenças na forma de organizar o SUS, estabelecer prioridades de atendimento e definir o papel da iniciativa privada na prestação dos serviços.
A seguir, veja o que cada candidato propõe para a saúde pública.
Luiz Inácio Lula da Silva
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, propõe ampliar o programa Agora Tem Especialistas, lançado em 2025 com o objetivo de aumentar a oferta de consultas, exames e cirurgias especializadas.
A iniciativa permite ampliar a participação de hospitais privados e filantrópicos no atendimento de pacientes do SUS, inclusive por mecanismos que envolvem créditos financeiros ou dívidas com a União.
O plano também prevê investimentos em novos equipamentos para a rede pública, maior integração entre atenção primária, atendimento especializado e assistência farmacêutica, além do uso de tecnologia para organizar e dar maior transparência às filas.
Na atenção básica, a candidatura propõe fortalecer as equipes multiprofissionais de saúde da família e dar continuidade ao programa Mais Médicos, principalmente em áreas consideradas mais vulneráveis. O fortalecimento da vacinação também aparece entre as diretrizes.
Na área de saúde mental, Lula propõe ampliar investimentos na Rede de Atenção Psicossocial, a RAPS, além de ações relacionadas à dependência em apostas. O plano também menciona atendimento psicossocial para mulheres vítimas de violência e acompanhamento de pessoas com Transtorno do Espectro Autista.
Para a saúde da mulher, a proposta inclui ampliar o diagnóstico e tratamento de doenças ginecológicas crônicas, como a endometriose, fortalecer a prevenção dos cânceres de mama e do colo do útero, distribuir métodos contraceptivos pelo SUS e adotar medidas para reduzir a mortalidade materna.
Flávio Bolsonaro
O plano de governo de Flávio Bolsonaro (PL) dedica parte das propostas à redução das filas nos serviços públicos.
Na área da saúde, a candidatura propõe utilizar equipamentos da rede privada durante períodos de menor utilização para ampliar a realização de exames destinados aos pacientes do SUS.
Outra proposta é utilizar inteligência artificial no agendamento de consultas e exames, além de ampliar o uso de serviços digitais e do teleatendimento.
Na atenção básica, Flávio Bolsonaro propõe ampliar a Estratégia Saúde da Família e criar um programa específico de atendimento aos idosos. O plano também prevê ampliar o acesso a exames preventivos e incentivar a produção nacional de vacinas.
Na saúde mental, são mencionados cuidados voltados a crianças com TDAH, pessoas com depressão e ansiedade e idosos com Alzheimer e outras doenças neurológicas.
Para a saúde da mulher, a candidatura propõe ampliar o acesso a exames e expandir para outras regiões do país o modelo de unidades móveis de atendimento direcionadas ao público feminino.
Augusto Cury
Augusto Cury (Avante) apresenta propostas centradas no uso de tecnologia e no atendimento a distância.
Uma das medidas é estabelecer uma meta de até 30 minutos de espera para determinados atendimentos que possam ser realizados remotamente.
O candidato também propõe a criação de uma plataforma nacional integrada que permita a médicos atenderem, por meio de consultas online, pacientes localizados em outras regiões do país.
Na atenção básica, Cury defende ampliar equipes multiprofissionais, investir na prevenção de doenças e fortalecer o acompanhamento das famílias. O plano também dedica espaço à prevenção e ao diagnóstico precoce do câncer.
A saúde mental ocupa papel de destaque no programa do candidato. Cury propõe a implantação de uma política nacional envolvendo escolas, empresas, forças de segurança, unidades de saúde e comunidades.
Entre os pontos mencionados estão prevenção da ansiedade, automutilação e suicídio, além de ações de educação emocional em diferentes ambientes.
Na saúde da mulher, o programa prevê políticas voltadas à prevenção, atenção materno-infantil, combate ao câncer e planejamento reprodutivo.
A candidatura também aborda questões de saúde mental e autoestima entre meninas, relacionando o tema aos efeitos do bullying e dos padrões estéticos.
Ronaldo Caiado
Ronaldo Caiado (PSD) estabelece como uma das metas reduzir em pelo menos 50% o tempo mediano das filas consideradas prioritárias nas regiões onde a espera é maior até 2030.
Para alcançar o objetivo, o candidato propõe reorganizar os critérios de prioridade nas filas, considerando fatores como risco, gravidade e vulnerabilidade dos pacientes.
O plano também prevê maior integração entre atenção primária, especialistas, hospitais, serviços de urgência e outras áreas da rede de saúde, buscando garantir continuidade ao tratamento.
Entre as propostas também aparecem medidas voltadas à prevenção de doenças cardiovasculares e do câncer, além de ações direcionadas a crianças e idosos.
Na saúde mental, Caiado propõe ampliar os investimentos na Rede de Atenção Psicossocial e cita medidas de atendimento a pessoas afetadas pela dependência em apostas.
Para a saúde da mulher, uma das metas apresentadas é reduzir em 30% a razão de mortalidade materna até 2030.
A candidatura também propõe ampliar o rastreamento dos cânceres de mama e do colo do útero, melhorar o diagnóstico e tratamento da endometriose e criar uma linha de cuidado específica para climatério e menopausa na atenção primária.
Romeu Zema
Romeu Zema (Novo) propõe ampliar as parcerias entre o SUS e a rede privada para realização de exames, consultas e cirurgias.
O programa prevê a definição de metas relacionadas tanto à quantidade quanto à qualidade dos atendimentos contratados.
Na atenção básica, Zema propõe fortalecer a Estratégia Saúde da Família, ampliar a cobertura e utilizar ferramentas digitais para melhorar o atendimento.
Entre as prioridades aparecem ainda vacinação, prevenção e acompanhamento de doenças crônicas, incentivo a hábitos considerados saudáveis e ações direcionadas às populações indígena e idosa.
Na saúde mental, a candidatura propõe fortalecer a rede de atendimento por meio de financiamento compartilhado entre União, estados e municípios.
Em relação à saúde da mulher, o programa destaca principalmente o acompanhamento das gestantes, com fortalecimento do pré-natal e medidas destinadas a reduzir riscos e complicações durante e após o parto.
Também é mencionada a integração entre as redes de saúde e segurança pública para o acolhimento de mulheres vítimas de violência.
Renan Santos
Renan Santos (Missão) também propõe mudanças nos critérios utilizados para organizar as filas do SUS, levando em consideração a gravidade e as necessidades de cada paciente.
Uma das metas apresentadas pelo candidato é fazer com que 80% dos casos sejam resolvidos na atenção primária, reduzindo a necessidade de encaminhamento para especialistas e outros níveis de atendimento.
A candidatura também propõe criar um sistema digital de saúde capaz de contribuir para a realização de vigilância epidemiológica preditiva.
Outra medida apresentada envolve compensações tributárias relacionadas aos cuidados com a saúde física, incluindo a prática de atividades esportivas.
O programa não apresenta medidas específicas detalhadas para a área de saúde mental.
Na saúde da mulher, apesar de reconhecer a saúde como uma das principais preocupações apontadas pelo público feminino, o plano não apresenta um conjunto específico de propostas direcionadas exclusivamente às mulheres.
Tecnologia e redução de filas aparecem em diferentes propostas
Apesar das diferenças entre os programas de governo, algumas prioridades aparecem em mais de uma candidatura.
Digitalização dos serviços, telemedicina, integração de informações e uso de novas tecnologias estão entre as principais estratégias apresentadas para ampliar o acesso ao SUS.
O combate às filas também aparece como ponto comum, embora os candidatos proponham caminhos diferentes. Algumas candidaturas defendem ampliar as parcerias com hospitais privados, enquanto outras dão maior ênfase à reorganização das prioridades de atendimento, ao fortalecimento da atenção básica ou ao uso de ferramentas digitais.
As propostas também revelam diferenças na abordagem destinada à saúde mental, à prevenção de doenças e às políticas específicas para mulheres, idosos e outros grupos da população.
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