A crise social e política no país persa se agrava com milhares de prisões e ameaças de intervenção militar por parte dos Estados Unidos diante da repressão violenta
A situação no Oriente Médio atingiu um novo nível de tensão neste fim de semana. Os protestos no Irã, que tiveram início em 28 de dezembro motivados pela grave crise econômica, transformaram-se em um movimento massivo contra o regime da República Islâmica. Segundo dados divulgados neste domingo pela agência de notícias de ativistas de direitos humanos HRANA (Human Rights Activists News Agency), o número de vítimas fatais já ultrapassa a marca de 500 pessoas.
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A organização não governamental, que monitora a situação a partir dos Estados Unidos, informou que pelo menos 538 pessoas perderam a vida durante os confrontos que se espalharam por mais de 100 cidades iranianas. Deste total, estima-se que 490 sejam manifestantes e 48 pertençam às forças de segurança. Entre as vítimas civis, há o registro lamentável de oito menores de idade. Skylar Thompson, subdiretora da HRANA, indicou à agência EFE que o número real de mortos nos 15 dias de manifestações pode chegar a 579, embora este dado ainda esteja passando por um processo rigoroso de verificação.
Além do elevado número de óbitos, a repressão estatal resultou em detenções em massa. Os relatórios indicam que as prisões já somam 10.675 pessoas desde o início dos atos. Dentro deste grupo de detidos, as organizações de direitos humanos identificaram 160 menores de idade e 52 estudantes universitários, sinalizando a amplitude da insatisfação popular que agora mira diretamente o Líder Supremo, aiatolá Ali Khamenei.
Estados Unidos avaliam cenário para intervir nos protestos no Irã
A resposta internacional à repressão tem sido contundente. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem emitido alertas constantes ao regime de Teerã. Diante das maiores manifestações enfrentadas pelos aiatolás desde 2022, a Casa Branca estuda ativamente opções militares caso o uso de força letal contra civis persista.
Em uma publicação recente nas redes sociais, Trump declarou apoio aos manifestantes, afirmando que o país “está olhando para a liberdade” e que os EUA estariam prontos para auxiliar. Nos bastidores diplomáticos, a movimentação é intensa. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, discutiram no sábado a possibilidade de uma intervenção direta.
Segundo informações da emissora CNN, o governo americano avalia um leque de ações que vão desde ataques cirúrgicos contra os serviços de segurança iranianos até o uso de armas cibernéticas e a ampliação de sanções econômicas. O objetivo seria enfraquecer a capacidade de resposta das forças que reprimem os atos populares. O Wall Street Journal informou que uma reunião estratégica estaria agendada para esta terça-feira, onde conselheiros apresentariam planos detalhados, incluindo suporte online para fontes antigovernamentais, visto que o país enfrenta um apagão de internet há mais de 72 horas.
Reação do regime e tensão com Israel
Em resposta às ameaças ocidentais, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, emitiu um aviso severo a Washington contra qualquer “erro de cálculo”. Qalibaf, ex-comandante da Guarda Revolucionária, afirmou categoricamente que qualquer ataque ao solo iraniano tornará Israel e todas as bases americanas na região alvos legítimos de retaliação.
As autoridades iranianas continuam a atribuir a instabilidade a agentes externos, acusando especificamente os Estados Unidos e Israel de fomentarem o caos. A mídia estatal convocou manifestações pró-governo para esta segunda-feira, visando condenar o que classificam como “ações terroristas”. Imagens da TV estatal exibiram dezenas de corpos no instituto médico legal de Teerã, alegando serem vítimas de “terroristas armados”, enquanto o governo decretou três dias de luto nacional.
Enquanto isso, relatos vindos de cidades como Mashhad e da capital Teerã mostram um cenário de guerra urbana, com incêndios, barricadas e confrontos noturnos. Israel permanece em estado de alerta máximo, monitorando os desdobramentos dos protestos no Irã e preparando suas forças para uma possível resposta militar, reacendendo o temor de um conflito regional amplo similar aos embates ocorridos no ano passado.
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