O desdobramento jurídico do Caso Bruno e Dom registrou um momento de silêncio processual durante as recentes audiências de instrução realizadas em Tabatinga, no Amazonas. Rubén Dario da Silva Villar, conhecido pelo apelido de ‘Colômbia’ e apontado como o mandante do crime, optou por não responder aos questionamentos na Vara Única da Subseção Judiciária local. O rito processual, ocorrido nos dias 9 e 10 de fevereiro, busca esclarecer as circunstâncias dos assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, ocorridos em junho de 2022.
📲Quer receber notícias direto no celular? Entre no nosso grupo no WhatsApp.
A Justiça Federal do Amazonas informou que o cronograma de oitivas foi cumprido conforme o planejado. No primeiro dia de trabalhos, dez testemunhas prestaram depoimento, sendo quatro no período da manhã e seis à tarde. No segundo dia, três das quatro pessoas previstas foram ouvidas, com apenas uma ausência justificada por questões de saúde. O silêncio do réu é um direito constitucional, mas marca a postura da defesa diante das graves acusações apresentadas pelo Ministério Público Federal.
Dinâmica das audiências e participação dos réus
Tanto Colômbia quanto Amarildo da Costa de Oliveira, o Pelado, participaram do ato processual por meio de videoconferência, uma vez que estão custodiados em presídios federais de segurança máxima. A denúncia sustenta que Pelado foi o autor direto dos disparos que vitimaram a dupla na região do Vale do Javari. Já o suposto mandante é investigado por coordenar a logística do crime e a posterior ocultação dos cadáveres.
A expedição de Bruno e Dom foi interrompida em 5 de junho de 2022, quando passavam pela comunidade de São Rafael. O destino final seria Atalaia do Norte, trajeto que nunca foi concluído. A investigação da Polícia Federal (PF) aponta que a motivação dos assassinatos está diretamente ligada ao rigoroso trabalho de fiscalização ambiental que Bruno Pereira exercia na região, o que prejudicava os lucros de organizações criminosas voltadas à exploração ilegal de recursos naturais.
O papel de ‘Colômbia’ no crime e no narcotráfico
As investigações detalham que o Caso Bruno e Dom revela uma complexa rede de ilícitos na tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia. Embora possua nacionalidade peruana, Rubén Villar utilizava documentos falsos para transitar e operar na região. Ele é indiciado não apenas pelo duplo homicídio, mas também por liderar um esquema de pesca ilegal dentro da Terra Indígena Vale do Javari e por envolvimento com o tráfico de entorpecentes.
Segundo os relatórios da Polícia Federal, o grupo criminoso utilizava a pesca como fachada para o transporte de cocaína, escondendo a droga em carregamentos de peixes. Além disso, Colômbia teria financiado as atividades dos executores, fornecendo inclusive as munições utilizadas no dia do crime. Sua prisão inicial ocorreu em 8 de junho de 2022, inicialmente pelo uso de documentação fraudulenta quando compareceu voluntariamente à sede da PF para negar envolvimento nas mortes.
Próximos passos do processo judicial
Com a conclusão desta etapa de instrução, o processo caminha para as fases de alegações finais e a posterior decisão sobre o envio dos réus a júri popular. O caso segue sob forte vigilância de entidades internacionais e órgãos de defesa dos direitos indígenas, dado o impacto ambiental e social das atividades denunciadas no extremo oeste do Amazonas.
A estrutura criminosa desmantelada durante o inquérito evidencia o perigo enfrentado por fiscais e jornalistas que atuam na Amazônia. A acusação reforça que o assassinato foi uma retaliação direta às perdas econômicas sofridas pelo grupo de Colômbia devido às apreensões de pescado e materiais de pesca predatória coordenadas por Bruno Pereira.
Leia mais:
TRF1 transfere julgamento do Caso Bruno e Dom para Manaus
Suspeito de mandar matar Bruno e Dom, Colômbia, torna-se réu
Documentário sobre caso Bruno e Dom vence Prêmio Gabo de Jornalismo
Siga nosso perfil no Instagram e curta nossa página no Facebook

